Vigiai: não sabeis quando o dono da casa vem.

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I SEMANA DO ADVENTO 

Oração do dia

Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Isaías 63,16-17;64,2-7)

Ah! se rompesses os céus e descesses!
Senhor, porque sois nosso pai. Abraão, de fato, nos ignora, e Israel não nos conhece; sois vós, Senhor, o nosso pai, nosso Redentor desde os tempos passados.
Por que, Senhor, desviar-nos para longe de vossos caminhos, por que tornar nossos corações insensíveis ao vosso temor? Voltai, por amor de vossos servos e das tribos de vossa herança!
Oh! Se rasgásseis os céus, se descêsseis para fazer desabar diante de vós as montanhas,
como o fogo faz fundir a cera, como a chama faz evaporar a água, assim faríeis conhecer a vossos adversários quem sois, e as nações tremeriam diante de vós,
vendo-vos executar prodígios inesperados dos quais nunca se tinha ouvido falar.
Nenhum ouvido ouviu, olho algum viu outro deus salvar assim aqueles que contam com ele.
Vós vindes à frente daqueles que procedem bem, e se recordam de vossas vias. Eis que vos irritastes, e nós éramos culpados; isso perdura há muito tempo: como seríamos salvos?
Todos nós nos tornamos como homens impuros, nossas boas ações são como roupa manchada; como folhas todos nós murchamos, levados por nossos pecados como folhas pelo vento.
Não há ninguém para invocar vosso nome, para recuperar-se e a vós se afeiçoar, porque nos escondeis a vossa Face, e nos deixais ir a nossos pecados.
Palavra do Senhor.

Salmo – 80

Iluminai a vossa face sobre nós,
Convertei-nos, para que sejamos salvos! 


Ó pastor de Israel, prestai ouvidos.
Vós que sobre os querubins vos assentais,
Aparecei cheio de glória e esplendor!
Despertai vosso poder, ó nosso Deus,
E vinde logo nos trazer a salvação!

Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
Foi a vossa mão direita que a plantou;
Protegei-a, e ao rebento que firmastes!

Pousai a mão por sobre o vosso protegido,
O filho do homem que escolhestes para vós!
E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!

Evangelho (Marcos 13,33-37)

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8) 

Disse Jesus a seus discípulos: “Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo.
Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie.
Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã,
para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo.
O que vos digo, digo a todos: vigiai!”
Palavra da Salvação.

SEJAM VIGILANTES!

A exortação de Jesus à vigilância visava criar, no coração de seus discípulos, a atitude correta de quem deseja acolher o Senhor que vem. A incerteza da hora poderia ter como efeito desviá-los do caminho certo, levando-os a se afastarem, perigosamente, do Reino.

Vigiar significa por em prática as palavras de Jesus, especialmente o mandamento do amor. Significa enfrentar a tentação do egoísmo, que leva o discípulo a convencer-se da inutilidade de fazer o bem. Significa acreditar que vale a pena lutar para construir o Reino, a exemplo de Jesus, num mundo onde a injustiça e a maldade parecem falar mais alto. Significa estar sempre disposto a perdoar e a se reconciliar, revertendo a espiral da violência que assume proporções sempre maiores.

A vigilância cristã é perseverante e se alimenta da esperança. A pessoa vigilante não se abate, ainda que a realidade seja desesperadora. O discípulo do Reino sabe olhar para além da História e contemplá-la na perspectiva de Deus, segundo o ensinamento de Jesus. A vigilância, portanto, faz com que ele não seja esmagado pelo peso da história humana. Pelo contrário, o permite descobrir nela uma lógica inacessível para quem não tem fé.

O discípulo esforça-se para não se deixar vencer pelo sono da infidelidade ao Senhor e ao Reino. Ser encontrado, assim, seria a sua ruína.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, que eu esteja vigilante à tua espera, para ser encontrado perseverante no amor e cheio de esperança de ser acolhido por ti.

 

Levantai vossa cabeça e olhai, pois a vossa redenção se aproxima! (Lc 21,28).

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XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

 

Oração do dia

Levantai, Ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Daniel 7,2-14)

Eis que, entre as nuvens do céu,
vinha um como filho de homem.
Eu, Daniel, via, no transcurso de minha visão noturna, os quatro ventos do céu precipitarem-se sobre o Grande Mar.
Surgiram das águas quatro grandes animais, diferentes uns dos outros.
O primeiro parecia-se com um leão, mas tinha asas de águia. Enquanto o olhava, suas asas foram-lhe arrancadas, foi levantado da terra e erguido sobre seus pés como um homem, e um coração humano lhe foi dado.
Apareceu em seguida outro animal semelhante a um urso; erguia-se sobre um lado e tinha à boca, entre seus dentes, três costelas. Diziam-lhe: “Vamos! Devora bastante carne!” Depois disso, vi um terceiro animal, idêntico a uma pantera, que tinha nas costas quatro asas de pássaro; tinha ele também quatro cabeças. O império lhe foi atribuído.
Finalmente, como eu contemplasse essas visões noturnas, vi um quarto animal, medonho, pavoroso e de uma força excepcional. Possuía enormes dentes de ferro; devorava, depois triturava e pisava aos pés o que sobrava. Ao contrário dos animais precedentes, ostentava dez chifres.
Como estivesse ocupado em observar esses chifres, eis que surgiu, entre eles outro chifre menor, e três dos primeiros foram arrancados para dar-lhe lugar. Este chifre tinha olhos idênticos aos olhos humanos e uma boca que proferia palavras arrogantes.
Continuei a olhar, até o momento em que foram colocados os tronos e um ancião chegou e se sentou. Brancas como a neve eram suas vestes, e tal como a pura lã era sua cabeleira; seu trono era feito de chamas, com rodas de fogo ardente.
Saído de diante dele, corria um rio de fogo. Milhares e milhares o serviam, dezenas de milhares o assistiam! O tribunal deu audiência e os livros foram abertos.
Olhei então, devido à balbúrdia causada pelos discursos arrogantes do chifre, olhei até o momento em que o animal foi morto, seu corpo subjugado e a fera jogada ao fogo.
Quanto aos outros animais, o domínio lhes foi igualmente retirado, mas a duração de sua vida foi fixada até um tempo e uma data.
Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do ancião, diante de quem foi conduzido.
A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.
Palavra do Senhor.

Salmo – Dn 3

Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

Montes e colinas, bendizei o Senhor!
Plantas da terra, bendizei o Senhor!
Mares e rios, bendizei o Senhor!
Fontes e nascentes, bendizei o Senhor!
Baleias e peixes, bendizei o Senhor!

Pássaros do céu, bendizei o Senhor!
Feras e rebanhos, bendizei o Senhor!

 

Evangelho (Lucas 21, 29-33)

Quando virdes acontecer essas coisas,
ficai sabendo que o Reino de Deus está perto.


Jesus acrescentou ainda esta comparação: “Olhai para a figueira e para as demais árvores.
Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão.
Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus.
Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra.
Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”.
Palavra da Salvação.

O REINO DE DEUS ESTÁ PERTO

As comunidades primitivas viviam preocupadas com o dia do fim do mundo. Jesus, porém, não lhes ofereceu um calendário com indicações precisas, mas exortou-as a estarem constantemente preparadas para o encontro com o Senhor.

O discípulo deve discernir a História, para poder captar, aí, os sinais da vinda do Filho do Homem. Trata-se de um expediente possível. Assim como o agricultor detecta a proximidade do verão, quando as árvores começam a frutificar, também o discípulo perceberá a aproximação do Reino, observando os sinais históricos indicados por Jesus.

Por outro lado, o discípulo está absolutamente certo de que a humanidade caminha para o encontro com o Senhor, pois nisso está empenhada sua palavra que jamais passará, ou seja, não ficará sem se cumprir.

Encarando o futuro com confiança, o discípulo não tem por que ter medo do presente, nem se acomodar. A exortação de Jesus supunha uma espera ativa, já que não queria encontrar os discípulos na ociosidade. A comunidade cristã, por sua vez, não deveria fechar-se em si mesma, formando um gueto de fanáticos destacados do mundo. A espera cristã dar-se-ia na vivência empenhada da missão e no esforço de preparar toda a humanidade para o encontro com o Senhor.

Será reconhecido por ele quem luta para transformar o mundo pelo amor, e não quem se fecha egoisticamente em si mesmo.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, dá-me discernimento para perceber os sinais de tua vinda, e disposição para esperar-te, lutando para transformar o mundo pelo amor.

 

Em Quito, “Discípulos missionários, guardiões da Criação”

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Quito (RV) – Contaminação, crises decorrentes das mudanças climáticas, desastres ambientais, biodiversidade, baixa qualidade de vida e pobreza; consumismo desenfreado e carência alimentar: são apenas alguns dos temas em debate em Quito, no Equador, no encontro “Ecologia integral: discípulos, missionários guardiões da criação”.

Estão participando do encontro 120 pessoas de todo o continente latino-americano, ocupadas na reflexão sobre a Encíclica do Papa Francisco “Laudato si’” de 2015. Segundo Mauricio Lopez, secretário executivo da Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam), que promove o evento com o Celam, a Caritas Equador, a Clar e a associação Igrejas e Mineração, “é urgente reencontrarmo-nos com a espiritualidade de nossos povos originários”, pois as culturas indígenas que conseguiram sobreviver podem hoje nos iluminar”.

A profunda espiritualidade indígena em sua relação harmônica com toda a Criação nos recorda que já o teólogo Tehilard de Chardin nos dizia em 1955: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual; somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”.

A questão minerária é um dos eixos centrais deste debate: “É preciso aliar-se contra as agressões da exploração minerária desenfreada”, disse Mauricio, acrescentando que os bispos locais estão preparando uma Exortação pastoral sobre o tema.

Sobre a importância da “Laudato si’”, o arcebispo de Huaancayo-Perù e vice-presidente da Repam, Dom Pedro Barreto, a definiu como “um chamado urgente para cristãos e não cristãos, para todas as pessoas que habitam este planeta; um apelo urgente para a conversão ecológica que envolve todos os aspectos da vida dos seres humanos, para viver em harmonia com os outros seres do planeta”.

O encontro prossegue nos próximos dias com o seminário “Uma Igreja de rosto amazônico”.

Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente (Mt 4,19). 

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SANTO ANDRÉ APÓSTOLO 

Oração do dia

Nós vos suplicamos, ó Deus onipotente, que o apóstolo santo André, pregador do Evangelho e pastor da vossa Igreja, não cesse no céu de interceder por nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 10,9-18)

A fé vem da pregação
e a pregação se faz pela palavra de Cristo.
Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação.
A Escritura diz: “Todo o que nele crer não será confundido”.
Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm um mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam,
porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados, como está escrito: “Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas?”
Mas não são todos que prestaram ouvido à boa nova. É o que exclama Isaías: “Senhor, quem acreditou na nossa pregação”?
Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo.
Pergunto, agora: “Acaso não ouviram? Claro que sim! Por toda a terra correu a sua voz, e até os confins do mundo foram as suas palavras”.
Palavra do Senhor.

Salmo – 18

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

Os céus proclamam a glória do Senhor,
e o firmamento, a obra de suas mãos;
o dia ao dia transmite essa mensagem,
a noite à noite publica essa notícia.

Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possa ser ouvidas;
seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz.

Evangelho (Mateus 4,18-22)

Imediatamente deixaram as redes e o seguiram.

Jesus, caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
E disse-lhes: “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens”.
Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.
Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,
e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.
Palavra da Salvação.

COMPANHEIROS NA MISSÃO

O chamado de Jesus deu uma guinada vida de um grupo de pescadores do Mar da Galiléia. O Mestre os queria como companheiros na missão, para fazer deles pescadores de homens. O seguimento exigia várias rupturas. A mais imediata consistiu em “deixar as redes e o barco”, seus instrumentos de trabalho, para assumir um tipo novo de atividade. A segunda diz respeito ao mundo familiar: os filhos “deixam o seu pai”. Como conseqüência, devem deixar sua terra e suas tradições para se colocar a serviço de um projeto de alcance universal.

            A metáfora da pescaria sublinha aspectos importantes do exercício da missão. Enquanto pescadores de homens, deverão ser pacientes e perseverantes, quando os resultado do trabalho não corresponder ao esforço empregado. Deverão enfrentar, sem medo, as tempestades e as adversidades, quando no horizonte da missão despontar perseguição e morte. Deverão estar sempre dispostos para o trabalho, alimentados por uma forte dose de otimismo e de alegria. Sobretudo, deverão ser movidos pela esperança de, apesar das adversidades, ver seu trabalho reconhecido pelo Pai.

            A decisão de deixar tudo associava, definitivamente, os discípulos ao Mestre Jesus. Como o Mestre, estariam a serviço da implantação do Reino de Deus na história, esperando contemplar a vitória do bem, da verdade, da justiça, do perdão, da igualdade e do respeito por todos, sem distinção. Este foi o projeto de vida levado a cabo por Jesus, embora sua caminhada se concluísse com a morte de cruz. Por esse caminho, seguem também seus companheiros.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Pai, dá-me forças para ser verdadeiro companheiro na missão de seu Filho Jesus, mesmo devendo sofrer perseguições e contrariedades.

Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça.

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XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílio. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Daniel 5,1-6.13-14.16-17.23-28) Apareceram dedos de mão humana que iam escrevendo.
O rei Baltazar deu uma festa para seus mil nobres, em presença dos quais pôs-se a beber vinho.
Excitado pela bebida, mandou trazer os vasos de ouro e de prata que seu pai Nabucodonosor tinha arrebatado ao templo de Jerusalém, a fim de que o rei, seus nobres, suas mulheres e suas concubinas deles se servissem para beber.
Trouxeram então os vasos de ouro que tinham sido arrebatados ao templo de Deus em Jerusalém. O rei, seus nobres, suas mulheres e suas concubinas beberam neles
e, depois de terem bebido vinho, entoaram o louvor aos deuses de ouro e prata, bronze, ferro, madeira e pedra.
Ora, nesse momento, eis que surgiram dedos de mão humana a escrever, defronte do candelabro, no revestimento da parede do palácio real. O rei, à vista dessa mão que escrevia,
mudou de cor; pensamentos tétricos assaltaram-no; os músculos de seus rins relaxaram-se e seus joelhos entrechocaram-se.
Daniel foi então introduzido diante do rei, o qual lhe disse: “és realmente Daniel, o deportado de Judá, que meu pai trouxe aqui da Judéia?
Ouvi dizer a teu respeito que o espírito dos deuses habita em ti e que se encontram em ti uma luz, uma inteligência e uma sabedoria singulares.
Ora, asseguraram-me que tu és mestre na arte das interpretações e das soluções de enigmas. Portanto, se puderes ler esse texto e me dar o seu significado, serás revestido de púrpura, usarás ao pescoço um colar de ouro e ocuparás o terceiro lugar no governo do reino”.
Respondeu Daniel ao rei: “Guarda teus presentes; concede-os a outros! Lerei, todavia, este texto ao rei e dar-lhe-ei o significado.
Tu te ergueste contra o Senhor do céu. Trouxeram-te os vasos de seu templo, nos quais bebestes o vinho, tu, teus nobres, tuas mulheres e tuas concubinas. Deste louvor aos deuses de prata e ouro, bronze, ferro, madeira e pedra, cegos, surdos e impassíveis, em lugar de dar glória ao Deus de quem depende o teu sopro (vital) e todo teu destino.
Assim, por ordem sua, essa mão foi enviada e essas palavras foram traçadas.
O texto aqui escrito (se lê): MENÊ, TEQUEL e PERÊS.
Eis o significado dessas palavras: MENÊ – Deus contou (os anos) de teu reinado e nele põe um fim;
TEQUEL – foste pesado na balança e considerado leve demais;
PERÊS – teu reino vai ser dividido e entregue aos medos e persas.
Palavra do Senhor.

Salmo – Dn 3
Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

Lua e sol, bendizei o Senhor!
Astros e estrelas, bendizei o Senhor!

Chuvas e orvalhos bendizei o Senhor!
Brisas e ventos, bendizei o Senhor!

Fogo e calor, bendizei o Senhor!
Frio e ardor, bendizei o Senhor!

Evangelho (Lucas 21,12-19)

 
Permanece fiel até a morte e a coroa da vida eu te darei! (Ap 2,10)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim.
Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho.
Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa,
porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários.
Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós.
Sereis odiados por todos por causa do meu nome.
Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação”.
Palavra da Salvação.

A PERSEVERANÇA QUE SALVA

O futuro dos discípulos do Reino descortina-se num horizonte de perseguições, falsos testemunhos, prisões e até de morte. Essa seria a sorte de Jesus. Não poderia ser diferente a de quem, como ele, assumiu idêntico projeto de fidelidade ao Reino.

Exige-se, do discípulo, coragem e perseverança. O discípulo corajoso não teme diante da perspectiva de ser levado perante reis e governadores, por causa de sua fé. E saberá desempenhar sua missão de servidor do Reino até as últimas consequências. O discípulo perseverante não fica a meio caminho, nem se deixa vencer pelo desânimo ou cansaço. Sua fé está tão solidamente fundada, que arrisca tudo para atingir sua meta: a comunhão definitiva com o Pai.

Fator de segurança é a promessa de Jesus: colocar na boca do discípulo corajoso e perseverante as palavras necessárias para se defender diante das calúnias e dos falsos testemunhos. Ele pode se despreocupar, porque lhe será dada uma sabedoria, de origem divina, a qual ninguém será capaz de contradizer.

Portanto, o discípulo goza da contínua assistência do Espírito Santo, do qual lhe vem a força para resistir, mesmo à pressão de seus entes queridos. Desta forma, dará testemunho do senhorio de Deus em sua vida e será sinal do Reino para seus próprios perseguidores.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, faze-me perseverar na fé e no serviço aos irmãos, mesmo em meio a tribulações, de modo que eu seja uma testemunha autêntica do Reino.

 

Água para que te quero?

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O Cerrado é considerado o berço das águas brasileiras e ele está quase extinto. O que você está fazendo para impedir que isso aconteça?

Nesse sentido convidamos todos aqueles que para juntos unirmos forças em luta e defesa pela vida do CERRADO, ÁGUA e da HUMANIDADE. #Ninguém Morrerá de Sede…#Sem Cerrado, Sem água, Sem Vida. #Nao mecha com nossos rios, com o nosso povo. Venha para #Audiência Pública 01/12/17 às 9:00h #Correntina-Bahia 

O Brasil tem a maior reserva de água doce e potável do mundo. ela recebe o nome de Aquífero Guarani e está localizada no Centro-Leste do nosso continente. mas, não se engane: apesar de enorme (são 1,2 milhão de km2), ela não é infinita. Além de tudo, é abrigada pelo segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado, que está em vias de ser extinto.

“Cuide da água. No futuro, ela vai valer mais do que o petróleo.”

A frase pode ser batida, mas ela é tão verdadeira quanto o motivo de ser um conselho certeiro: a humanidade está consumindo toda a água potável disponível no planeta.

Olhando de longe, a ameaça não parece ser, assim, tão assustadora. Afinal moramos no Brasil, país rico em recursos naturais e hídricos, não é mesmo? Errado.

Coloque uma lupa sobre o problema e já vai ser possível entender porque tem muita gente preocupada com o futuro que se desenha: o segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado, está prestes a ser extinto. E se isso acontecer, provavelmente a humanidade toda vai sofrer as consequências.

SEM CERRADO, SEM ÁGUA, SEM VIDA

Não dá para falar de água sem falar de Cerrado. E para quem não conhece a fundo o bioma, pode até parecer estranho que um lugar composto de troncos baixos e retorcidos, que passa por incêndios naturais (provocados por queda de raios, por exemplo, que possui um impacto diferente das queimadas criminosas), seja considerado o berço das águas do Brasil.

Basicamente, esse é o Cerrado: o segundo maior bioma da América Latina (ocupa 22% do território brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente), extremamente rico em fauna e flora, capaz de abastecer 3 das maiores bacias hidrográficas da América do Sul e abrigar 3 dos maiores aquíferos do mundo, alimentando-os por meio de suas áreas de recarga, onde são reabsorvidas as águas das chuvas.

Considerada a savana mais rica em biodiversidade do mundo, ele fica no coração do Brasil e atua como elo entre quatro dos seis biomas do país: Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga e Pantanal. Sua área ocupa, além do Distrito Federal, mais 11 estados brasileiros, concentrando 5% de todas as espécies do mundo e 30% da biodiversidade do país. Muitos dos animais dessa fauna só existem no Cerrado. No caso das aves, 90% delas só se reproduzem nesse habitat.

Tanta riqueza natural pode ser explicada por meio da história. O professor Altair Sales Barbosa, um dos mais profundos conhecedores do bioma, conta que “a história recente da Terra começou há 70 milhões de anos, quando a vida foi extinta em mais de 99%. A partir de então, o planeta começou a se refazer novamente. Os primeiros sinais de vida, principalmente de vegetação, que ressurgem na Terra se deram no que hoje constitui o Cerrado”.

A FLORESTA INVERTIDA

Os vários elementos do Cerrado convivem em perfeita harmonia e vivem intimamente interligados uns aos outros. A vegetação depende do solo, que é oligotrófico (nível muito baixo de nutrientes); o solo depende do clima tropical subúmido (duas estações, uma seca e outra chuvosa); muitas sementes dependem do fogo, porque é ele quem quebra a dormência da maioria das plantas com sementes.

Duas características, no entanto, são determinantes para que o Cerrado seja um dos mais importantes biomas do Brasil: a capacidade que suas plantas têm de captar o carbono do ambiente e a capacidade das raízes de captar e reter água. E essas duas características o transformam em uma verdadeira floresta invertida.

Segundo o professor Altair, “de todas as formas de vegetação que existem, o Cerrado é a que mais limpa a atmosfera. Isso ocorre porque ele se alimenta basicamente do gás carbônico que está no ar, porque seu solo é oligotrófico”.

Dele também nascem vários rios pequenos que vão formando as bacias hidrográficas. A bacia do São Francisco, por exemplo, depende 97% das águas que nascem no Cerrado. Isso porque o solo facilita com que a água penetre profundamente nos lençóis freáticos, formando os aquíferos.

 

Os aquíferos são outro ponto de extrema importância quando se fala em Cerrado: toda a água captada e distribuída pelos aquíferos garante a sobrevivência de grande parte da população brasileira. Se o Cerrado não for preservado, a sobrevivência de nossa própria espécie estará ameaçada.

 

INVISIBILIDADE OU DESCONHECIMENTO?

Durante quatro décadas, o Cerrado perdeu metade de sua vegetação nativa. Apesar de ser considerado o celeiro do mundo, ações governamentais de ocupação e incentivo à agropecuária iniciadas ainda durante a ditadura militar permitiram que o Cerrado fosse desmatado sem grandes implicações.

A invisibilidade do bioma aliada ao desconhecimento de grande parte da população permitiu que projetos como o Matopiba (Plano de Desenvolvimento Agropecuário) levasse para o Cerrado grandes empresas e indústrias do agronegócio.

O resultado agora é bem visível: 50% da área do Cerrado já foi transformada em “área convertida”, ou seja: no lugar da vegetação nativa, pasto para gado e plantações. A colcha de retalhos que se formou, ora com mata nativa, ora com pastos, faz com que o bioma não consiga se manter ou reestabelecer sua biodiversidade depois de ter sido desmatado.

Outro grande problema que o Cerrado enfrenta com o agressivo aumento do agronegócio é a poluição das águas, do ar e dos solos. Os agrotóxicos utilizados nos monocultivos penetram e degradam o solo, além de contaminarem as nossas águas.

SIDROLÂNDIA/MT: AVIÃO FAZENDO PULVERIZAÇÃO DE AGROTÓXICOS SOBRE OS CAMPOS DE SOJA. FOTO: THOMAS BAUER

Esses produtos químicos poluem o ar e matam diversas das formas de vida que ali vivem. As abelhas nativas do Cerrado, que são as únicas que conseguem fazer a polinização das plantas nativas, já estão quase extintas. Isso significa que daqui a algum tempo novas plantas não vão mais nascer simplesmente porque não existirá abelhas para fazer a polinização das espécies.

As matas ciliares, que deveriam servir como corredores ecológicos de migração das espécies, têm sido degradadas. As margens dos rios foram ocupadas por ambientes urbanos. Assim, os sistemas agrícolas implantados pelo ser humano chegam até à margem de córregos e rios, degradando ainda mais o leito dos rios e provocando o assoreamento.

Ao observar as nascentes dos grandes rios, é possível ver que elas ou estão secando ou estão migrando cada vez mais para áreas mais baixas. Quando isso ocorre, é sinal de que o lençol que abastece essa nascente está rebaixando.

Sobre esse assunto, o professor Altair faz um alerta: “Observe, por exemplo, o caso das nascentes do Rio São Francisco, na Serra da Canastra; o caso das nascentes do Rio Araguaia ou do Rio Tocantins, que tem o Rio Uru em sua cabeceira mais alta. A cada dia que passa as nascentes vão descendo mais. Vai ocorrer o dia em que chegarão ao nível de base do lençol que as abastece e desaparecerão.”

 

A DESTERRITORIALIZAÇÃO E OS POVOS DO CERRADO

Com o incentivo governamental para que as grandes empresas cada vez mais utilizem o Cerrado para a produção de soja, cana, eucalipto, algodão e criação de gado, o interesse corporativo tomou conta do bioma.

E quando essas empresas chegam às áreas do Cerrado, o que acontece é a expulsão dos povos que lá vivem, por meio da falsificação de documentos, da negociata com cartórios e com políticos. Com a grilagem de terras, as empresas e latifundiários adquirem milhares de hectares e expulsam os moradores tradicionais. Esse processo desestrutura comunidades inteiras.

Diferentemente do agronegócio, os povos e comunidades tradicionais do Cerrado utilizam a terra de forma a respeitar seus ciclos naturais. Os extrativistas (que vivem da terra) e as comunidades indígenas e quilombolas são os grandes defensores do bioma.

Cerca de 12,5 milhões de brasileiros que vivem no Cerrado, parte deles lutando diariamente para preservar e defender o bioma. Eles se consideram parte integrante da natureza e têm a consciência de que suas ações de preservação são fundamentais para que o Cerrado continue vivo.

 

PORTO ALEGRE DO NORTE (MT) – SR. ALCIDES APRESENTANDO PRODUTOS CULTIVADOS EM SUA COMUNIDADE. FOTO: THOMAS BAUER

 As comunidades praticam uma agricultura agroecológica, que utiliza os bens naturais para sua própria subsistência. Essas comunidades cultivam uma relação de respeito com a natureza. Quanto mais famílias e comunidades estiverem praticando esse tipo de agricultura, menor será o espaço ocupado pelas grandes empresas.

Os povos do Cerrado também lutam para manter viva sua cultura e tradição. É por meio delas que as novas gerações descobrem a importância do Cerrado para a preservação da vida no planeta e aprendem a se defender das grandes empresas e a lutar pelo bem comum de todos, que é a água.

 

AS CRISES HÍDRICAS SÃO O PRENÚNCIO DO FIM DA ÁGUA

Se você vive em alguma grande cidade brasileira, é possível que já tenha enfrentado algum problema de falta d’água.

As recentes crises hídricas, que assolaram o estado de São Paulo e agora o Distrito Federal, têm relação direta com o Cerrado. Segundo Marzeni Pereira, tecnólogo em saneamento da Sabesp, “a estiagem em São Paulo, com certeza, tem relação com o desmatamento da Amazônia e do Cerrado. Obviamente, sempre que há desmatamento se reduz a evaporação de água pela evapotranspiração das árvores. O Cerrado brasileiro sofreu muito com a devastação promovida pelo agronegócio.

Para se ter ideia, no ano passado, em torno somente de quatro produtos (soja, carne, milho e café), o Brasil exportou cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de água. Não produziu, apenas exportou, ‘água virtual’, como se diz. Tal número significa abastecer São Paulo por quase 100 anos, apenas com a quantidade de água gasta por esses quatro produtos.”.

Além disso, a irrigação intensiva de larga escala provocada pelo agronegócio no Cerrado reduz os afluentes dos grandes rios, que sofrem ainda mais com a redução da água. Como o Cerrado faz a ligação entre quatro biomas brasileiros e abastece 8 das 12 grandes regiões hidrográficas do Brasil, o resultado só pode ser um: a falta de água até para consumo humano.

 

ÁGUA: DE DIREITO HUMANO A COMMODITY

A receita para equilibrar a demanda versus a conservação é cuidar dos mananciais. Não basta apenas que a população faça um controle de seus gastos de água, evitando o desperdício: é preciso que o agronegócio e as empresas também sejam responsabilizados por seus atos.

Isso implica em adotar medidas mais sérias de proteção aos mananciais e aquíferos, a inclusão das grandes empresas em cotas de racionamento (atualmente, as empresas não entram nos racionamentos propostos pelo governo), impedir que o agronegócio e as empresas utilizem a água dos grandes rios para irrigação e frear o desmatamento para criação de grandes áreas de cultivo. A própria legislação ambiental vigente abre precedentes para a contínua degradação do Cerrado.

ÁGUA BOA (MT) – GRANDES ÁREAS DEVASMATADAS PARA O CULTIVO DE SOJA. FOTO: THOMAS BAUER

Por mais incrível que possa parecer, o bioma mais degradado e que mais precisa de proteção ainda não é Patrimônio Nacional. Isso significa que políticas como o Matopiba, que é um plano de desenvolvimento que coloca o Cerrado como área de expansão da fronteira agrícola, vão continuar existindo enquanto nada for feito para proteger o bioma.

Em 50 anos, isso pode significar o desaparecimento não só do Cerrado como bioma, mas também da água e da vida. Sobre essa questão, o professor Altair é taxativo: “A extinção do Cerrado envolve também a extinção dos grandes mananciais de água do Brasil, porque as grandes bacias hidrográficas ‘brotam’ do Cerrado. O Rio São Francisco é uma consequência do Cerrado: ele nasce em área de Cerrado e é alimentado, em sua margem esquerda, por afluentes do Cerrado: Rio Preto, que nasce em Formosa (GO); Rio Paracatu (MG); Rio Carinhanha, no Oeste da Bahia; Rio Formoso, que nasce no Jalapão (TO) e corre para o São Francisco. Se há a degradação do Cerrado, não há rios para alimentar o São Francisco. Você pode contar no mínimo dez afluentes por ano desses grandes rios que estão desaparecendo”.

 

CERRADO: PATRIMÔNIO NACIONAL

Por incrível que pareça, apesar da importância do Cerrado para o Brasil e para o mundo, o bioma ainda não foi transformado em Patrimônio Nacional.

E enquanto isso não acontece, as grandes empresas podem continuar desmatando o Cerrado sem maiores implicações legais e jurídicas.

No vídeo ao lado, você vai poder ver como a degradação e o desmatamento desenfreados afetam um dos mais ricos e importantes biomas brasileiros e como a abundância de água e a riqueza genética do Brasil Central podem contribuir para mudar a maneira de explorar a região, assegurando a sobrevivência do Cerrado.

 

CRÉDITOS:

Coordenação: Coletivo de Comunicadores 

Texto: Bruna Toscano/Estúdio Massa

Ilustração: Mauro LTJr/Estúdio Massa

Design: Letícia Luppi/Estúdio Massa

Permanece fiel até a morte, e a coroa da vida eu te darei! (ap 2,10).

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XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Levantai, Ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Daniel 2,31-45) O Deus do céu suscitará um reino
que nunca será destruído;
antes, esmagará e aniquilará todos esses reinos.

Naqueles dias, Disse Daniel a Nabucodonosor: “Senhor: contemplavas, e eis que uma grande, uma enorme estátua erguia-se diante de ti; era de um magnífico esplendor, mas de aspecto aterrador.
Sua cabeça era de fino ouro, seu peito e braços de prata, seu ventre e quadris de bronze,
suas pernas de ferro, seus pés metade de ferro e metade de barro.
Contemplavas (essa estátua) quando uma pedra se descolou da montanha, sem intervenção de mão alguma, veio bater nos pés, que eram de ferro e barro, e os triturou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram com a mesma pancada reduzidos a migalhas, e, como a palha que voa da eira durante o verão, foram levados pelo vento sem deixar traço algum, enquanto que a pedra que havia batido na estátua tornou-se uma alta montanha, ocupando toda a região.
Eis o sonho. Agora vamos dar ao rei a interpretação.
Senhor: tu que és o rei dos reis, a quem o Deus dos céus deu realeza, poder, força e glória;
a quem ele deu o domínio, onde quer que habitem, sobre os homens, os animais terrestres e os pássaros do céu, tu és a cabeça de ouro.
Depois de ti surgirá um outro reino menor que o teu, depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará toda a terra.
Um quarto reino será forte como o ferro: do mesmo modo que o ferro esmaga e tritura tudo, da mesma maneira ele esmagará e pulverizará todos os outros.
Os pés e os dedos, parte de terra argilosa de modelar, parte de ferro, indicam que esse reino será dividido: haverá nele algo da solidez do ferro, já que viste ferro misturado ao barro.
Mas os dedos, metade de ferro e metade de barro, mostram que esse reino será ao mesmo tempo sólido e frágil.
Se viste o ferro misturado ao barro, é que as duas partes se aliarão por casamentos, sem porém se fundirem inteiramente, tal como o ferro que não se amalgama com o barro.
No tempo desses reis, o Deus dos céus suscitará um reino que jamais será destruído e cuja soberania jamais passará a outro povo: destruirá e aniquilará todos os outros, enquanto que ele subsistirá eternamente.
Foi o que pudeste ver na pedra deslocando-se da montanha sem a intervenção de mão alguma, e reduzindo a migalhas o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. Deus, que é grande, dá a conhecer ao rei a sucessão dos acontecimentos. O sonho é bem exato, e sua interpretação é digna de fé”.
Palavra do Senhor.

Salmo – Dn 3
Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

Obras do Senhor, bendizei o Senhor!
Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!
Céus do Senhor, bendizei o Senhor!
Anjos do Senhor, bendizei o Senhor!

Águas do alto céu, bendizei o Senhor!
Potências do Senhor, bendizei o Senhor!

Evangelho (Lucas 21,5-11)

 
Não ficará pedra sobre pedra.
Naquele tempo, como chamassem a atenção de Jesus para a construção do templo feito de belas pedras e reclamado de ricos donativos, Jesus disse:
“Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído”.
Então o interrogaram: “Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?”
Jesus respondeu: “Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais após eles.
Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim”.
Disse-lhes também: “Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu”.
Palavra da Salvação.

NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA

A imponência do templo de Jerusalém não impressionava Jesus. As belas pedras e os ex-votos (presente dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa) que o adornavam, não passavam de exterioridade. Seu fim se aproximava.
A pregação de Jesus contra o templo situava-se na tradição dos antigos profetas de Israel, que o desmitificaram, anunciando-lhe a destruição. O templo podia vir a baixo, pois havia perdido sua finalidade, passando a acobertar as injustiças cometidas contra o povo. O Deus de Israel fora substituído pelos ídolos. Não tinha sentido acobertar com a capa da fé uma idolatria desenfreada, com sérias consequências para a vida do povo pobre.
A situação não era muito diferente no tempo de Jesus. O templo e o sacerdócio estavam sob o domínio de uma aristocracia pouco preocupada com os pobres do País. O templo não era mais a casa do Deus verdadeiro, e sim, de falsos deuses que não questionavam a injustiça cometida contra os indefesos, nem a marginalização em que se encontrava grande parte da população. Eram os deuses dos privilegiados e beneficiados pelo sistema. Portanto, não era o Deus do Reino anunciado por Jesus.
A destruição do templo eliminaria a falsa segurança religiosa de muita gente. E evitaria que se servissem do nome de Deus para acobertar maldades cometidas em nome da fé. É blasfêmia fazer o Deus verdadeiro compactuar com a injustiça.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, destrói todas as falsas seguranças religiosas às quais, porventura, eu esteja apegado, e faze-me acolher as exigências do Deus verdadeiro.

 

Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir (Mt 24,42.44)

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XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílio. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Daniel 1,1-6.8-20)

Não se achou ninguém, dentre todos os presentes,
que se igualasse a Daniel, Ananias, Misael e Azarias.
No terceiro ano do reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio sitiar Jerusalém.
O Senhor entregou-lhe Joaquim, rei de Judá, bem como parte dos objetos do templo, que Nabucodonosor transportou para a terra de Senaar, para o templo de seu deus: foi na sala do tesouro do templo de seu deus que ele os colocou.
O rei deu ordem ao chefe de seus eunucos, Asfenez, para trazer-lhe jovens israelitas, oriundos de raça real ou de família nobre,
isentos de qualquer tara corporal, bem proporcionados, dotados de toda espécie de boas qualidades, instruídos, inteligentes, aptos a ingressarem (nos serviços do) palácio real; ser-lhes-ia ensinado a escrever e a falar a língua dos caldeus.
O rei destinou-lhes uma provisão cotidiana, retirada das iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. A formação deles devia durar três anos, após o que entrariam a serviço do rei.
Entre eles encontravam-se alguns judeus: Daniel, Ananias, Misael e Azarias.
Daniel tomou a resolução de não se contaminar com os alimentos do rei e com seu vinho. Pediu ao chefe dos eunucos para deles se abster.
Este, graças a Deus, tomado de benevolência para com Daniel, atendeu-o de boa vontade,
mas disse-lhe: “Temo que o rei, meu senhor, que estabeleceu vossa alimentação e vossa bebida, venha a notar vossas fisionomias mais abatidas do que as dos outros jovens de vossa idade, e que por vossa causa eu me exponha a uma repreensão da parte do rei”.
Mas Daniel disse ao dispenseiro a quem o chefe dos eunucos havia confiado o cuidado de Daniel, Ananias, Misael e Azarias:
“Rogo-te, faze uma experiência de dez dias com teus servos: que só nos sejam dados legumes a comer e água a beber.
Depois então compararás nossos semblantes com os dos jovens que se alimentam com as iguarias da mesa real, e farás com teus servos segundo o que terás observado”.
O dispenseiro concordou com essa proposta e os submeteu à prova durante dez dias. No final deste prazo, averiguou-se que tinham melhor aparência e estavam mais gordos do que todos os jovens que comiam das iguarias da mesa real.
Em consequência disso o dispenseiro retirava os alimentos e o vinho que lhes eram destinados, e mandava servir-lhes legumes.
A esses quatro jovens, Deus concedeu talento e saber no domínio das letras e das ciências. Daniel era particularmente entendido na interpretação de visões e sonhos.
Ao fim do prazo fixado pelo rei para a apresentação, o chefe dos eunucos introduziu-os na presença de Nabucodonosor,
o qual palestrou com eles. Entre todos os jovens nenhum houve que se comparasse a Daniel, Ananias, Misael e Azarias. Por isso entraram eles a serviço do rei.
Em qualquer negócio que necessitasse de sabedoria e sutileza, e que o rei os consultasse, este achava-os dez vezes superiores a todos os escribas e mágicos do reino.

Palavra do Senhor.

Salmo – Dn 3

A vós louvor, honra e glória eternamente!

Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.
A vós louvor, honra e glória eternamente!
Sede bendito, nome santo e glorioso.
A vós louvor, honra e glória eternamente!

No templo santo onde refulge a vossa glória.
A vós louvor, honra e glória eternamente!
E em vosso trono de poder vitorioso.
A vós louvor, honra e glória eternamente!

Sede bendito, que sondais as profundezas.
A vós louvor, honra e glória eternamente!
E superior aos querubins vos assentais.
A vós louvor, honra e glória eternamente!

Sede bendito no celeste firmamento.
A vós louvor, honra e glória eternamente!
Obras todas do Senhor, glorificai-o.
A ele louvor, honra e glória eternamente!

Evangelho (Lucas 21,1-4)

Viu também uma pobre viúva
que depositou duas pequenas moedas.

Levantando os olhos, viu Jesus os ricos que deitavam as suas ofertas no cofre do templo.
Viu também uma viúva pobrezinha deitar duas pequeninas moedas,
e disse: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros.
Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento”.
Palavra da Salvação.

UM MODO DIFERENTE DE AVALIAR

O templo de Jerusalém tornara-se lugar de altas transações econômicas, tendo-se transformado numa espécie de banco central do país. Os ricos tornaram-no lugar de exibição de poder, competindo entre si e pensando valer mais que os pobres. Na prática, comportavam-se como ateus, sob capa de piedosos, pois o deus deles nada tinha a ver com o verdadeiro Deus de Israel.

A observação de Jesus, contemplando as atividades em torno da caixa de ofertas do templo, corresponde ao modo divino de considerar aquela situação. Enganava-se quem pensava poder “comprar” o beneplácito divino, fazendo ofertas vultosas. Deus considera a qualidade da oferta e não sua quantidade; a disposição do coração, não o exibicionismo exterior; o grau de desapego dos bens deste mundo, não a busca inútil de aplausos.

Por isso, a oferta da pobre viúva – duas moedinhas sem muito valor –, aos olhos de Deus valeu mais que as grandes quantias depositadas pelos ricos. Enquanto estes ofereciam de seu supérfluo, a viúva partilhava com Deus, o pouco de sua indigência, o que lhe restava para viver. Seu coração desapegado e sua total confiança na providência divina deram à sua oferta uma consistência tal que a fez superar a esmola dos ricos. Diferentemente destes,  entregara tudo o que tinha a Deus, pois dele esperava tudo. Os bens deste mundo não eram suficientes para oferecer-lhe segurança. Sabia existir alguém maior em quem se apegar!

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração


Pai, dá-me um coração de pobre, capaz de partilhar até do que me é necessário, porque confio totalmente no teu amor providente.

 

É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor; e o reino que vem, seja bendito; ao que vem e a seu reino, o louvor! (Mc 11,10)26/11/17

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“Leigos não são membros de segunda categoria”. Papa Francisco

Assumamos o nosso “Ser” igreja viva hoje e sempre tornando Cristo Rei sempre vivo em nós e no mundo.

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

Oração do dia

Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Ezequiel 34,11-12.15-17)

Quanto a vós minhas ovelhas: farei
justiça entre uma ovelha e outra.

Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.
Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas.
Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar – oráculo do Senhor Javé.
A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.
Quanto a vós, minhas ovelhas, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha e ovelha, vou julgar os carneiros e os bodes.
Palavra do Senhor.

Salmo – 22

O Senhor é o pastor que me conduz;
Não me falta coisa alguma.

 

Pelos prados e campinas verdejantes 
Ele me leva a descansar. 
Para as águas repousantes me encaminha 
E restaura as minhas forças. 

Preparais à minha frente uma mesa, 
Bem à vista do inimigo, 
E com óleo vós ungis minha cabeça; 
O meu cálice transborda. 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me 
Por toda a minha vida; 
E, na casa do Senhor, habitarei 
Pelos tempos infinitos.

Leitura (1 Coríntios 15,20-26.28)

Entregará a realeza a Deus-Pai,
para que Deus seja tudo em todos.

Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram!
Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos.
Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão.
Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda.
Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação.
Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés.
O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés.
E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos.
Palavra do Senhor.

Evangelho (Mateus 25,31-46)

Assentar-se-á em seu trono glorioso
e separará uns dos outros.

Disse Jesus a seus discípulos: “Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim’.
Perguntar-lhe-ão os justos: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’
Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’.
Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes’.
Também estes lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?’
E ele responderá: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer’.
E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”.
Palavra da Salvação.

BÊNÇÃO E MALDIÇÃO

A cena do juízo final comporta vários elementos novos, em relação à mentalidade judaica, em voga entre os discípulos de Jesus.Diante do Messias-juiz, revestido de glória e majestade, deverão comparecer todos os povos, independentemente de sua origem étnica ou tradição religiosa. O crivo do juízo será aplicado a todos, sem distinção.A bênção reservada para os eleitos é obra divina, “desde a criação do mundo”. Já a maldição, reservada aos condenados, foi preparada “pelo diabo e por seus anjos”. Portanto, quando alguém é votado à sorte dos malditos, frustra-se nele o projeto de Deus.O critério usado no julgamento é o amor ao próximo, de modo especial o pobre e marginalizado. Julga-se a capacidade humana de sair do próprio egoísmo e ir ao encontro das carências do semelhante. O rei Jesus sente-se pessoalmente tocado com cada gesto de amor ou de egoísmo em relação ao necessitado: “a mim o fizeste”, “não fizeste a mim”.As observâncias religiosas ficam em segundo plano. A santidade obtida por meio delas, mas sem o amor essencial, mostar-se-á inútil no encontro derradeiro com o Senhor.O juízo final, ao revelar quem é quem, provocará inúmeras surpresas. Muitos que não contavam com a salvação serão salvos por terem vivido o mandamento do amor. Muitos que se tinham como santos serão condenados, pois, no fundo, foram egoístas empedernidos.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese BíblicaOraçãoPai, reforça minha disposição para amar e servir meus semelhantes, sobretudo, os mais pobres e marginalizados. Esta será a única forma de me preparar para o encontro com Jesus.

 

Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo evangelho a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).

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XXXIII SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Macabeus 6,1-13)

Pelas iniquidades que pratiquei em Jerusalém,
com profunda angústia, vou morrer em terra estrangeira.

Enquanto percorria as províncias superiores, soube o rei Antíoco que na Pérsia, em Elimaida, havia uma cidade famosa por suas riquezas, sua prata e ouro.
Seu templo, extremamente rico, possuía véus de ouro, escudos, couraças e armas, abandonados ali por Alexandre, filho de Filipe, rei da Macedônia, que foi o primeiro a reinar sobre a Grécia.
Dirigiu-se ele para essa cidade, com a finalidade de tomá-la e pilhá-la, mas foi em vão, porque os habitantes haviam sido prevenidos.
Eles se aprontaram para lhe resistir e ele teve que voltar de lá, para alcançar Babilônia com grande humilhação.
E eis que, na Pérsia, um mensageiro veio dizer-lhe que as tropas enviadas à Judéia tinham sido derrotadas,
e que Lísias, tendo partido a princípio com um poderoso exército, havia fugido na presença dos judeus, os quais haviam aumentado ainda suas forças com armas e tropas e se tinham enriquecido com todo o material raptado de seus campos devastados.
Eles tinham também destruído a abominação edificada por ele sobre o altar, em Jerusalém, e haviam cercado o templo com altas muralhas, como outrora, assim como a cidade de Betsur.
Ouvindo essas novas, o rei ficou irado e profundamente perturbado. Atirou-se à cama e caiu doente de tristeza, porque os acontecimentos não tinham correspondido à sua expectativa.
Passou assim muitos dias, porque sua mágoa se renovava sem cessar, e pensava na morte.
Mandou chamar todos os seus amigos e lhes disse: “O sono fugiu dos meus olhos e meu coração desfalece de tristeza.
Eu repito para mim mesmo: Em que aflição fui eu cair e a que desolação fui eu reduzido até o presente, eu que era bom e querido no tempo de meu poder?
Mas agora eu me lembro dos males que causei em Jerusalém, de todos os objetos de ouro e de prata que saqueei, e de todos os habitantes da Judéia que exterminei sem motivo.
Reconheço que foi por causa disso que todos esses males me fulminaram, e agora morro de tristeza numa terra estrangeira”.
Palavra do Senhor.

Salmo – 9A/9

Cantarei de alegria, ó Senhor, pois me livrastes!
Senhor, de coração vos darei graças,
as vossas maravilhas cantarei!
Em vós exultarei de alegria,
cantarei ao vosso nome, Deus altíssimo!

Voltaram para trás meus inimigos,
perante a vossa face pereceram.
Repreendestes as nações e os maus perdestes,
apagastes o seu nome para sempre.

Os maus caíram no buraco que cavaram,
nos próprios laços foram presos os seus pés.
Mas o pobre não será sempre esquecido,
nem é vã a esperança dos humildes.

 

Evangelho (Lucas 20,27-40)

 

Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.

Naquele tempo, alguns saduceus – que negam a ressurreição – aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe:
“Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
Ora, havia sete irmãos, o primeiro dos quais tomou uma mulher, mas morreu sem filhos.
Casou-se com ela o segundo, mas também ele morreu sem filhos.
Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
Por fim, morreu também a mulher.
Na ressurreição, de qual deles será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher”.
Jesus respondeu: “Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento,
mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente, chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele”.
Alguns dos escribas disseram, então: “Mestre, falaste bem”.
E já não se atreviam a fazer-lhe pergunta alguma.
Palavra da Salvação.

O SENHOR DOS VIVOS

O tema da ressurreição opunha os fariseus aos saduceus. Os primeiros afirmavam que haveria a ressurreição, enquanto que os outros a negavam. Quando os saduceus interrogaram Jesus a respeito desta questão, tinham em mente colocá-lo em apuros, além de ridicularizar o partido rival. Por isso, bolaram uma situação grotesca, partindo da Lei do levirato que obrigava o irmão desposar a cunhada viúva, caso não tivesse gerado filhos com seu marido.

Jesus não caiu na armadilha dos saduceus. O fato aludido comportava duas sérias lacunas. A primeira consistia em imaginar que a vida eterna seria uma continuação pura e simples da vida terrena, de forma que, na ressurreição, persistiriam as encrencas da vida presente. A vida eterna, na verdade, consiste na participação da vida divina, longe da ameaça da morte.

Aí, os esquemas terrenos não têm validade. O segundo pressuposto falso consistia em considerar Deus como Senhor dos mortos e não como Senhor dos vivos. Na verdade, para ele, todos estão vivos, até mesmo os patriarcas do povo. Ele se mantém em comunhão com os justos, mesmo além da morte, quando são estabelecidos relacionamentos duradouros, numa explosão de vida, sem a menor influência da morte. Por conseguinte, a ressurreição deve ser pensada a partir do amor misericordioso de Deus, que partilha vida abundante com a humanidade, e não a partir dos esquemas mesquinhos do pecado e da morte.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, ilumina minha mente e meu coração, para que eu possa compreender a ressurreição como manifestação do amor misericordioso do Pai pela humanidade.