INDEPENDÊNCIA DE QUE MESMO? – 07 DE SETEMBRO, MAIS UMA MENTIRA BRASILEIRA.

07 DE SETEMBRO se foi e depois disso nos sentimos verdadeiramente independentes?

Sábado, 7 de setembro de 2013

Independência? Uma palavra muito dita em nosso país, mas sem nenhum significado. Como tradição, comemoramos o sem sentido, e alimentamos o discurso de pátria. Não somos uma pátria, nem independentes. A nossa história nos ensina que não há nada a ser comemorado no dia 07 de setembro. Mentiras e mais mentiras que são usadas para tentarem moldar nosso futuro.

 

Até o quadro pintado por Pedro Américo é mentiroso. Ficou melhor assim. Tem mais sentido,

É inacreditável a nossa capacidade de adorar um feriado, porém não entendê-lo. No dia 7 de setembro de 1822 o Brasil teve sua Independência declarada, mas foi isso mesmo que ocorreu ? Somos livres ? Não somos e nem nunca fomos, e o ocorrido às margens do Ipiranga não foi um grito de liberdade, mas sim uma jogada política, onde D.Pedro I tenta se esquivar de uma possível volta para Portugal e conseqüentemente ter seu próprio reino. Não quero contar a história de como as coisas estavam antes de 7 de setembro, mas falar um pouco de como elas ficaram, e exemplificar, que se tivesse ocorrido uma independência, as atitudes posteriores seriam outras.

Para começar, nos tornamos independente pelas mãos do filho do rei, o que não mudou nada, pois o tratamento permaneceu o mesmo. Tivemos que pagar uma boa quantia de indenização a Portugal, para que eles nos reconhecessem como um país independente. Uma nação que diz “Independência ou Morte”, não paga pelo seu reconhecimento. Após a declaração da independência, as ações de D.Pedro I não foram diferentes do que já existia antes. As elites ficavam cada vez mais ricas e os pobres vocês já sabem. O Brasil vive mentiras históricas inventadas para homenagear mitos e lendas que é claro beneficiaram, ou beneficiam alguém. A Independência do Brasil não veio ainda, e muito menos chegou em 1822 as margens do Ipiranga. A escravidão continuou, e ainda se intensificou, já que as elites necessitavam desta mão de obra, e automaticamente apoiavam o novo sistema. A sociedade brasileira não tinha uma unidade e ainda era diferenciada por vários fatores, muitos deles regionais. Uma independência de uma colônia sobre sua metrópole para existir de verdade, precisa no mínimo de uma luta organizada, que automaticamente gera um sentimento de unidade nacional e um entendimento dos motivos do processo, no Brasil isso não ocorreu, e ainda continuou sob o julgo explorador de um português. Apesar de ter vivido mais tempo no Brasil do que em Portugal, D.Pedro I era português, e sempre defendeu os interesses de Portugal e de sua elite corrupta que vivia no Brasil através da exploração. Sua ligação com Portugal é tão grande, que ele abdica do trono para voltar a sua terra em 1831. A perda de prestígio somado com a briga pelo trono português, fizeram D.Pedro ir embora e deixar o Império nas mãos de uma criança de 5 anos de idade. O seu amor pelo Brasil não pesou nesta hora. Portanto vale a pena dizer que D.Pedro I, o “pai da pátria”, não foi um herói, e apenas fez seu papel de explorador, em um país fadado a ser subjugado.

O modo como fomos colonizados, e a maneira que fomos “libertos” de Portugal, determinou nosso futuro, e através do estudo deste processo histórico, podemos entender porque somos este país de formas injustas.

Deixando de lado a análise histórica de nossos períodos, passo-me a olhar para agora, verificando o que somos. Somo um eterno país com potencial de 1º mundo; somo um país grandioso em dimensões, mas sem terra para o seu povo; somos um país de contrastes sociais sérios e sofremos do mal de sermos um país onde os ricos e os poderosos estão acima da lei. Posso ter a audácia de dizer que isso tudo que vemos é resultado de uma colonização exploradora e um independência falsa, que formou um povo pacífico demais para fazer suas próprias transformações. Está certo que injustiças; corrupções; e outros males acontecem pelo mundo a fora, mas não podemos nos furtar ao interpretar que não temos motivos para comemorar.

O que mais me revolta é ver este sentimento cívico mentiroso, onde o hino é cantado todos os dias da semana da pátria nas escolas, enquanto em outros dias ele não é nem lembrado. Me revolta ver desfiles, com aglomerações imensas para contemplarmos os militares passando, enquanto o professor que protesta é chamado de baderneiro. Me revolta o povo não entender o real significado do hino nacional, e não sentir revolta ao ouvi-lo e pensar que a letra apesar de linda, é contraditória com a realidade do seu povo. Sou patriótico, e respeito os símbolos nacionais, mas para mim tem que haver sentido. Portanto ao meu entender, não existe motivos para que nada seja comemorado. No nosso país comemoramos essa data vazia, com o falso discurso de pátria, e com desfiles cívicos, não existe nada mais típico de uma colônia. Passo o feriado, então, aproveitando a benção de estar com a Beatriz, e aproveito, olhando para os seus olhinhos inocentes de dois anos, para ensinar a ela mesma, a importância de entendermos a nossa história, e mudarmos o nosso futuro.

Mas está tudo bem, dia 15 de novembro nós comemoramos mais um feriado, a República e o primeiro golpe militar no Brasil

Sou Samuel Marques. Sou Professor de História e Geografia, apaixonado por livros, filmes, futebol e por debates. No campo da política, não trato como paixão, e sim como obrigação, a participação na mesma precisa ser constante. Mas na verdade quem sou eu? Estou tentando descobrir.

http://bnmdigital.mpf.mp.br/pt-br/

“Eu era fisicamente muito fraco em relação aos torturadores e me perguntava: ‘por que usam tanta violência para me dominar’? Essa pergunta não saía da minha mente até que tudo começou a clarear. Eu tinha algo mais forte dentro de mim: o amor à Verdade, à Justiça, à Ética, e o compromisso com o povo… Os torturadores eram fisicamente fortes, mas moralmente eu era mais forte e tinha condições de resistir.”

Anivaldo PadilhaDepoimento. Reflexões sobre Medidas de Verdade: do Brasil: Nunca Mais a uma Comissão da Verdade. Ato Público de Repatriação de documentos do acervo do Brasil: Nunca Mais, ocorrido em 14 de junho de 2011 no Ministério Público Federal em São Paulo.

Diante disso e de tanta realidade cruel e desumana que vive a nação brasileira continuo me questionando:

O que comemorar mesmo?

Qual independência?

Onde ela está?

Foi verdadeiramente gestada ou vomitada?

Moralmente somos verdadeiramente mais fortes do que toda estrutura política e social que rege o nosso país?

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