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“Jovens, a fé e o discernimento vocacional”

Sínodo dos jovens, as novas linhas. Rumo a uma virada sobre sexo e casais homossexuais. A sigla LGBT (lésbica, gay, bissexual e transexual) atuou no esboço do trabalho de outubro. Muitos episcopados pedem uma abordagem mais aberta, sem preconceitos sobre a sexualidade.

Tema do Sínodo 2018 é

Tema do Sínodo 2018 é “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” (Lapresse)

Será lembrado como o primeiro documento do Vaticano que traz a sigla LGBT(lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), cunhada nos anos 1980, e encoraja a Igreja a enfrentar o tema da sexualidade “mais abertamente e sem preconceitos”. Estamos falando sobre o Instrumentum laboris do próximo Sínodo dos jovens, agendado para o período de 3 a 28 de outubro, publicado nesta quarta-feira. Mais de setenta páginas elaboradas pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que orientarão o confronto entre os delegados das diversas conferências episcopais em todo o mundo. Não se trata de um texto definitivo, mas de um esboço de trabalho que deixa perceber uma mudança na abordagem pastoral de questões delicadas e significativas para os jovens de hoje.

O comentário é de Giovanni Panettiere, jornalista italiano, laureado em Direito pela Alma Mater Studiorum com uma tese em Direito Canônico sobre homossexualidade e Igreja Católica, publicado por www.quotidiano.net , 19-06-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Instrumentum laboris, com seu viés fortemente sociológico e ao mesmo tempo realista, é articulado em três partes: a primeira ligada ao verbo ‘reconhecer’ apresenta uma fotografia do variegado mundo juvenil: a segunda (cujo fio comum é a palavra ‘interpretar’) oferece algumas chaves de leitura para orientar-se no contexto atual das novas gerações; a terceira tem o objetivo de chegar a ‘escolher’, isto é, colocar os padres sinodais nas condições de tomar posição em relação aos desafios cruciais para os jovens. O esboço é o resultado de um processo complexo lançado em janeiro de 2017, com a publicação do Documento Preparatório do Sínodo ao qual estava anexado um questionário dedicado às conferências episcopais nacionais. O novo texto também leva em consideração as reflexões surgidas no curso do seminário internacional sobre a condição juvenil, realizado em setembro passado, as respostas de um segundo questionário (esse endereçado aos jovens e difundido online) e, finalmente, o que emergiu da reunião pré-sinodal em março, que contou com a participação de 300 jovens de representações dos cinco continentes.

Estes são os temas de destaque apresentados no Instrumentum laboris:

O desafio da globalização (números 8-9)

O documento, dirigido principalmente a 1,8 bilhão de pessoas entre os 16 e 29 anos (cerca de um quarto da população mundial), ressalta, apesar das óbvias diferenças regionais, “a influência do processo de globalização sobre os jovens de todo o planeta”. Isso determina “uma demanda por espaços crescentes de liberdade, autonomia e expressão a partir do compartilhamento de experiências do mundo ocidental, talvez emprestadas da mídia social. “Uma situação que muitas conferências episcopais não ocidentais consideram um aviso de alarme, a ponto de se perguntar como conseguir acompanhar os jovens nessa “mudança cultural que desarticula as culturas tradicionais, ricas do ponto de vista da solidariedade, dos laços comunitários e da espiritualidade”. São os mesmos episcopados que” sentem não ter as ferramentas adequadas” para acolher o desafio e que, em alguns casos, insistem em falar expressamente de uma “decadência dos costumes” em ato.

A crise do pai (número 12)

A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, contando com as respostas do questionário online, ressalta como “a figura materna seja a referência privilegiada dos jovens”. Mais problemático é o discurso sobre o papel do pai. Nesse ponto, torna-se necessária uma reflexão precisa, porque “a ausência” na família do pai (“evanescência em alguns contextos, especialmente aqueles ocidentais”) produz “ambiguidade e vazios” que investem também o exercício da paternidade espiritual.

Procuram-se adultos (número 14)

“Não faltam apenas adultos na fé. Faltam adultos, pura e simplesmente”: é o que pode ser lido em uma das passagens mais sinceras do Instrumentum. Muitas vezes, hoje, são os adultos “que tomam os jovens como referência para o próprio estilo de vida”. Disso decorre que, de acordo com alguns episcopados, entre jovens e adultos “não existe um verdadeiro conflito de gerações”, mas sim uma “estranheza recíproca”: os adultos não têm mais interesse em transmitir valores para as novas gerações que acabam por senti-los “mais como competidores do que como potenciais aliados”.

As armadilhas da Web (números 34 a 35)

A relação entre as novas gerações e o mundo digital está entre os primeiros desafios indicados pelo documento do Vaticano. Os próprios jovens denunciam “a presença invasiva” das novas mídias e ressaltam como a Rede também representa “um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até o caso extremo da ‘dark web'”. No entanto, não deve ser esquecido que “o acesso a ferramentas de formação on-line abriu oportunidades educacionais para os jovens que vivem em áreas remotas e tornou o acesso ao conhecimento a um clique de distância”. Dito isso, na Internet e arredores, na Igreja as sombras superam as luzes. “Também por ignorância e falta de formação – admite-se – os pastores e os adultos em geral têm dificuldade em compreender essa nova linguagem”. Eles tendem a ter medo “sentindo-se diante de um ‘inimigo invisível e onipresente’ que às vezes demonizam”.

Sexo sem preconceitos (número 53)

Sobre o recebimento entre as novas gerações da doutrina católica sobre o tema do sexo, a Santa Sé colide com a realidade. Cada vez mais estudos sociológicos mostram como “muitos jovens católicos não seguem as orientações da moral sexual da Igreja”. Nenhuma conferência episcopal oferece soluções ou receitas, mas muitos consideram que “a questão da sexualidade deve ser discutida mais abertamente e sem preconceitos”. A posição da Igreja sobre “contracepção, aborto, homossexualidade, coabitação, casamento” tornou-se uma fonte de debate entre os jovens. Dentro da Igreja como na sociedade. A partir da reunião pré-sinodal, chega o convite, totalmente retomado no esboço de trabalho publicado agora “para enfrentar de maneira concreta temas controversos como a homossexualidade e as temáticas de gênero, sobre que os jovens já discutem livremente e sem tabus”.

O drama dos hikikomori (número 58)

Um uso superficial da mídia digital, pode ser lido no Instrumentum, “expõe ao risco de isolamento, inclusive extremo: o fenômeno é conhecido pelo termo japonês Hikikomori, que afeta um número crescente de jovens em muitos países, especialmente na Ásia”. A Internet ainda assume para muitos jovens os contornos de “um refúgio em uma felicidade ilusória e inconsistente que gera formas de dependência”. Não faltam nem mesmo aqueles que “tendem a separar seu comportamento on-line daquele off-line”. Há o suficiente para sugerir “uma formação sobre como viver a própria vida digital” ideal para as novas gerações. Cientes de que “as relações on-line podem se tornar desumanas”.

A escuta dos casais homossexuais (número 197)

Pela primeira vez em um documento do Vaticano aparece a sigla LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). Por uma curiosa brincadeira do calendário, a reviravolta linguística ocorre no mesmo dia em que a OMS (Organização Mundial de Saúde) retira a transexualidade das doenças mentais. No Instrumentum da Secretaria Geral do Sínodo acena-se para “alguns jovens LGBT”, que, através de várias contribuições enviadas para o mesmo ponto de coleta da assembleia, manifestaram o desejo de “beneficiar-se de uma maior proximidade e experienciar um maior cuidado por parte da Igreja”. Aparece também o tema das relações entre pessoas do mesmo sexo: “Algumas Conferências episcopais questionam-se sobre o que sugerir aos jovens que, em vez de formar casais heterossexuais decidem constituir casais homossexuais e, especialmente, querem estar próximos da Igreja”. Historicamente data de 1975, a primeira providência da Santa Sé centrada no cuidado pastoral dos homossexuais. O título era ‘Persona humana’, redigida pelo ex Santo Ofício. Quanto aos casais do mesmo sexo merece ser lembrado o Relatório intermediário do Sínodo extraordinário sobre a família (2014), que em uma passagem, julgada pela assembleia dos bispos demasiadamente avançada e, como tal, acabou sendo retirada, reconhecia-se o valor positivo de uma relação afetiva para a pessoa homossexual.

Quotidiano/ IHU – Tradução: Luisa Rabolini

Domtotal

*Giovanni Panettiere é jornalista italiano, laureado em Direito pela Alma Mater Studiorum com uma tese em Direito Canônico sobre homossexualidade e Igreja Católica

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A alegria cristã é um modo de ser.

Alegria no cristianismo

A alegria cristã é um modo de ser no mundo pelo qual se fez a experiência do amor de Deus.
A alegria cristã faz manter viva a esperança que será orientação para a superação das dificuldades.

A alegria cristã faz manter viva a esperança que será orientação para a superação das dificuldades. (Reprodução/ Pixabay)

A alegria é uma marca cristã. Ela tem sua fundamentação nas Escrituras. Percorrendo o itinerário bíblico, desde o Antigo Testamento, pode-se constatar a sua presença. Os livros do Antigo Testamento preanunciaram a alegria da salvação, que havia de tornar-se superabundante nos tempos messiânicos. O profeta Isaías dirige-se ao Messias esperado, saudando-O com regozijo: “Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo” (9, 2). E anima os habitantes de Sião a recebê-Lo com cânticos: “Exultai de alegria!” (12, 6). A quem já O avistara no horizonte, o profeta convida-o a tornar-se mensageiro para os outros: “Sobe a um alto monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém” (40, 9). A criação inteira participa nesta alegria da salvação: “Cantai, ó céus! Exulta de alegria, ó terra! Rompei em exclamações, ó montes! Na verdade, o Senhor consola o seu povo e se compadece dos desamparados” (49, 13). Zacarias, vendo o dia do Senhor, convida a vitoriar o Rei que chega “humilde, montado num jumento: ‘Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti. Ele é justo e vitorioso’” (9, 9). Mas o convite mais tocante talvez seja o do profeta Sofonias, que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa” (3, 17). É a alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai: “Meu filho, se tens com quê, trata-te bem (…). Não te prives da felicidade presente” (Sir 14, 11.14).

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Na literatura neotestamentária também se pode constatar a presença da alegria nos textos sagrados. O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: “Alegra-te” é a saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu cântico, Maria proclama: “O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47). E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: “Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!” (Jo 3, 29). O próprio Jesus “estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo” (Lc 10, 21). A sua mensagem é fonte de alegria: “Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15, 11). A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: “Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria” (Jo 16, 20). E insiste: “Eu hei de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16, 22). Depois, ao verem no ressuscitado, “encheram-se de alegria” (Jo 20, 20). O livro dos Atos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, “tomavam o alimento com alegria” (2, 46). Por onde passaram os discípulos, “houve grande alegria” (8, 8); e eles, no meio da perseguição, “estavam cheios de alegria” (13, 52). Um eunuco, recém-batizado, “seguiu o seu caminho cheio de alegria” (8, 39); e o carcereiro “entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus” (16, 34).

É tendo no horizonte a alegria como marca caraterística presente nos textos sagrados que o Papa Paulo VI, na exortação apostólica Gaudete in Domino, de 09 de maio de 1975, afirmava que “da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído”. Essa alegria é para todos indistintamente. O Papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium, de 24 de novembro de 2013, refletindo sobre a alegria cristã diz que

Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias (n.6).

Com esse pensamento do Papa Francisco fica evidenciado que a alegria cristã é um modo de ser no mundo. Um modo pelo qual se fez a experiência do amor de Deus. Ela não exclui as possibilidades de tristezas. No entanto, a alegria cristã faz manter viva a esperança que será orientação para a superação das dificuldades. Sua presença nos povos é notória. No continente latino-americano ela se mostra bastante presente. Num continente assolado por tantas desigualdades sociais, por tantos discursos fascistas que ultimamente tem-se ouvido, diante de tantas posturas de conservadorismos do ponto de vista da fé que não está em consonância com o Evangelho, mesmo assim pode-se observar pessoas nas diversas comunidades eclesiais que nutrem uma esperança, pois sabem que o tempo messiânico já fora inaugurado de forma definitiva em Jesus Cristo, razão da nossa alegria. Alegria e esperança constituem, nesse sentido, num binômio que nutre a vida cristã. Tal binômio conduz à festa. Desse modo, a liturgia ocupa um lugar central. É como afirmou o Concílio Vaticano II (1962-1965), fonte e cume da vida cristã. É nela que a alegria e a esperança se fazem celebração.

Partindo da Palavra de Deus, do encontro pessoal com Jesus e das relações humanas é que a alegria cristã se consolida. O abandonar-se no Deus da alegria constitui condição de possibilidade para vivenciá-la, pois é no próprio Senhor que se encontra o seu referencial. Abandono e confiança movem o coração de quem espera de forma perene no Senhor. A alegria cristã pessoal influencia na vida da comunidade. Colabora para que seja uma comunidade alegre. A alegria cristã vivida de maneira comunitária impulsiona a mesma comunidade para ir ao encontro dos que mais sofrem, levando acalento. Fazendo com que as pessoas sofredoras possam participar dessa mesma alegria. Nesse sentido, se constitui numa Igreja em saída, em busca de uma alegria cristã que seja plena, haja vista que essa plenitude é uma tarefa a ser cumprida, pois enquanto houver uma pessoa que sofre, a alegria cristã não se plenificará.

*César Thiago do Carmo Alves pertence à Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada (Pavonianos). É doutorando e mestre em Teologia Sistemática pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). É graduado em Filosofia pelo ISTA e Teologia pela FAJE. Possui especialização em Psicologia da Educação pela PUC Minas.

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Confiança em Jesus/pessoas de esperança

A missão do Filho de Deus passa de geração em geração e é ininterrupta.
A missão do Filho de Deus passa de geração em geração e é ininterrupta. (Divulgação)

A confiança em Jesus, ao lançar na terra a semente do reino de Deus, faz-nos pessoas da esperança cristã, encontrando, desse modo, o sentido último do homem individual em Cristo, na História e em todo o Universo, inserido no futuro de Deus. Convidados sempre mais a pensar no acabamento do Universo, na Jerusalém celeste, que tem sua origem em Deus agindo na História de homens e mulheres de boa vontade, somos levados a abandonar-nos em Deus, entregando nosso destino ao seu destino, colocando nossa fé, na proporção mais elevada possível, em uma vida integrada e com verdadeiro encanto.

Confiança no homem e no mundo

O Deus que se revela na História, a partir do íntimo do coração humano, requer mudança e postura, tanto no modo de ser quanto no relacionamento com Deus salvador.

Pensar na vinda definitiva de Deus significa ter diante dos olhos a revelação do Seu senhorio, que se traduz em paz, luminosidade, justiça e reconciliação entre as pessoas, na conquista da salvação eterna, com Jesus Cristo sendo, evidentemente, o sentido verdadeiro e definitivo. Que fique claro que não é outro mundo, mas o nosso mundo transfigurado e restaurado no amor, no mesmo rigor: o de que o homem não será outro homem, mas um homem novo. É a esperança cristã no homem e no mundo dizendo-nos que, em Cristo Jesus, o futuro proclamado como absoluto tornou-se presente.

A missão do Filho de Deus passa de geração em geração e é ininterrupta, propondo, aos seus seguidores, uma distinção na revelação dos mistérios do reino, na comparação com a pequena, porém, misteriosa semente, a qual germina, cresce e se torna uma grande árvore, na metáfora de Ezequiel, o “Cedro majestoso” (Ez 17, 23), faz-nos antever a imagem celestial, no potencial sobre-humano e fantástico. Pensemos no nosso benevolente Deus, que deseja de nós distinção no nosso modo de proceder, mesmo que seja pequeno, mas verdadeiramente diferenciado e transformador.

O Deus que se revela na História, a partir do íntimo do coração humano, requer mudança e postura, tanto no modo de ser quanto no relacionamento com Deus salvador. Urge uma fé sólida, que nos faz compreender a graça da revelação como confiança absoluta no Deus da vida, na sua morte e ressurreição, como nos assegura o apóstolo Paulo: “Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor” (2 Cor 5, 6). Por isso mesmo não nos esqueçamos a estreita relação que torna a pessoa livre diante de Deus, concreta, no serviço e na caridade para com o próximo. Amém!

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza geovanesaraiva@gmail.com

(Domtotal)

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Copa do Mundo:Igreja e futebol

Copa do Mundo: as igrejas da Rússia usam o futebol para escapar das rígidas leis antievangélicas

Centenas de igrejas na Rússia estão usando a Copa do Mundo de futebol para evitar as leis hostis ao evangelismo do país.

Copa do Mundo da FIFA 2018 acontece na Rússia, país acusado de não respeitar Direitos Humanos.

Copa do Mundo da FIFA 2018 acontece na Rússia, país acusado de não respeitar Direitos Humanos. (REUTERS/Stringer/Files)

A Rússia é agora listada como um dos piores países do mundo em liberdade religiosa por causa de sua repressão contra minorias religiosas, missionários estrangeiros, evangelistas e Testemunhas de Jeová.

A chamada “Lei Yarovaya”, introduzida em 2016, proíbe qualquer evangelismo ou compartilhamento de fé fora das igrejas sancionadas pelo governo. A repressão à “atividade missionária” faz parte das leis antiterroristas de Moscou, mas tem como alvo qualquer coisa, desde reuniões de oração em casas e postagens de adoração em um site religioso, até a oração em público.

Então, ao invés disso, centenas de igrejas em Moscou usarão a Copa do Mundo para sediar eventos para se mostrarem ao público durante o mês do futebol mundial. Perdendo apenas o hóquei no gelo em popularidade, a Copa do Mundo de Futebol criou um frenesi em todo o antigo Estado Soviético. A vitória da Rússia por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita no jogo de abertura do torneio apenas aumentou a empolgação.

“Esta é uma oportunidade sem precedentes, especialmente em uma época em que a Cortina de Ferro que reprimiu o cristianismo durante a era soviética tem limitado estritamente a atividade missionária pública e o evangelismo sob o pretexto do antiterrorismo”, disse Sergey Rakhuba, presidente da Missão Eurasia dos EUA., que coordena a campanha na Rússia.

“Essa nova abordagem estratégica, que na verdade é uma demonstração do poder do ‘dom da hospitalidade’, é necessária no atual clima político e social”.

Pequenas igrejas evangélicas esperam escapar da atenção do Kremlin, que quer evitar publicidade negativa sobre seu histórico de direitos humanos durante a Copa do Mundo.

Enquanto as minorias religiosas, incluindo os evangélicos, que compõem cerca do um por cento da população, sofreram sob as leis da Rússia, a Igreja Ortodoxa Russa (ROC) tem crescido.

Após uma pesada perseguição sob a era soviética, cerca de 70 por cento da população é agora membro do ROC e tornou-se a maior e mais poderosa das 14 Igrejas Ortodoxas, com 144 milhões de membros, 368 bispos e cerca de 40.000 sacerdotes e diáconos.

O presidente Vladimir Putin tornou a igreja nacional emblema de seus valores socialmente conservadores, incluindo sua oposição ao casamento gay e ao aborto.

Entretanto, uma das vítimas da Lei Yarovaya de Putin é o missionário americano Donald Ossewaarde, um pregador batista que vive em Oryol, expulso por sediar uma reunião da igreja em sua casa. Ele diz que a ROC é usada “como uma ferramenta política” por Putin.

Don e Ruth Ossewaarde. Um pregador batista, Ossewaarde, foi multado em 40.000 rublos por realizar serviços religiosos em sua casa.

“Com sua experiência comunista na KGB, não posso acreditar que Putin realmente seja um verdadeiro cristão, mas acha muito útil apresentar-se dessa maneira”, disse Ossewaarde em entrevista ao Christian Today no ano passado.

Putin frequentemente participa publicamente de serviços religiosos nos feriados santos. Ele e o Patriarca costumam ser fotografados juntos. São obviamente colegas e se apoiam um ao outro.

“Eles [líderes ortodoxos russos] estão obviamente felizes por ele ser o presidente e ele mesmo [Putin] frequentemente falar da Igreja Ortodoxa como garantidora dos valores russos”.

Mas com cerca de 90% de todos os ingressos vendidos nos 64 jogos da competição, de acordo com o Moscow Times, os torcedores que assistem às partidas nas igrejas dão aos evangélicos sitiados da Rússia uma oportunidade.

Eles receberão um Novo Testamento russo especialmente planejado ao lado de sementes de pipoca e girassol.

Os livretos também contêm um código QR que se liga a um aplicativo evangélico e 70 páginas de materiais de discipulado.

Walter Kulakoff, o vice-presidente do ministério de culto e relações com a igreja, disse que: “A chave estratégica para a distribuição e o acompanhamento das Escrituras é que ela seja tratada exclusivamente por russos e igrejas locais registradas na Rússia”.

Rakhuba acrescentou: “Estamos vendo agora como a lei está sendo aplicada pelo governo e estamos nos preocupando cada vez mais. As restrições tiveram um impacto desestimulante nas missões, no evangelismo e no crescimento da igreja na Rússia. Eles forçaram as igrejas e nossos jovens líderes a serem muito criativos sobre como compartilham o evangelho”.

Christian Today – Tradução: Ramón Lara

{Domtotal}

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Fazer a vontade do Pai

Em sintonia com a vontade do Pai

Ensina-nos Senhor, Deus Pai a fazermos hoje e sempre vossa vontade.
Leitura (Eclesiástico 48,1-15)Suas palavras queimavam como uma tocha ardente. Elias, o profeta, levantou-se em breve como um fogo.
Ele fez vir a fome sobre o povo (de Israel): foram reduzidos a um punhado por tê-lo irritado com sua inveja, pois não podiam suportar os preceitos do Senhor.
Com a palavra do Senhor ele fechou o céu, e dele fez cair fogo por três vezes.
Quão glorioso te tornaste, Elias, por teus prodígios! Quem pode gloriar-se de ser como tu?
Tu que fizeste sair um morto do seio da morte, e o arrancaste da região dos mortos pela palavra do Senhor; tu que lançaste os reis na ruína, que desfizeste sem dificuldade o seu poder, que fizeste cair de seu leito homens gloriosos.
Tu que ouviste no Sinai o julgamento do Senhor, e no monte Horeb os decretos de sua vingança.
Tu que sagraste reis para a penitência, e estabeleceste profetas para te sucederem.
Tu que foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro puxado por cavalos ardentes.
Tu que foste escolhido pelos decretos dos tempos para amenizar a cólera do Senhor, reconciliar os corações dos pais com os filhos, e restabelecer as tribos de Jacó.
Bem-aventurados os que te conheceram, e foram honrados com a tua amizade!
Pois, quanto a nós, só vivemos durante esta vida, e depois da morte, nem mesmo nosso nome nos sobreviverá.
Elias foi então arrebatado em um turbilhão, mas seu espírito permaneceu em Eliseu. Nunca em sua vida teve Eliseu medo de um príncipe; ninguém o dominou pelo poder.
Nada houve que o pudesse vencer: seu corpo, mesmo depois da morte, fez profecias. Durante a vida fez prodígios, depois da morte fez milagres.
Palavra do Senhor.

Salmo – 96/97
Ó justos, alegrai-vos no Senhor!

Deus é rei! Exulte a terra de alegria,
e as ilhas numerosas rejubilem!
Treva e nuvem o rodeiam no seu trono,
que se apóia na justiça e no direito.

Vai um fogo caminhando à sua frente
e devora ao redor seus inimigos.
Seus relâmpagos clareiam toda a terra;
toda a terra, ao contempla-los, estremece.

As montanhas se derretem como cera
ante a face do Senhor de toda a terra;
e assim proclama o céu sua justiça,
todos os povos podem ver a sua glória.

“Os que adoram as estátuas se envergonham
e os que põem a sua glória nos seus ídolos;
aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!”

Evangelho (Mateus 6,7-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:  “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
Eis como deveis rezar: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.
Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”.
Palavra da Salvação.

A VONTADE DO PAI

Ao ensinar aos discípulos o modo conveniente de rezar, Jesus os exortava a se colocarem numa contínua busca de sintonia com a vontade do Pai. Os sete pedidos do Pai-Nosso constituem a síntese dessa vontade do Pai, para os discípulos.
Santificar o nome de Deus significa romper com a idolatria, para radicar em Deus as suas vidas. Fora de Deus, para quem santifica o nome divino, nada tem valor absoluto.
A coisa que o Pai mais deseja é ver seu Reino acontecendo na vida de todos os seres humanos, como Reino de verdade e justiça. Fora dele só existe injustiça e maldade.
A obtenção do pão cotidiano, na perspectiva da vontade do Pai, nada tem de posse egoísta. O pão “nosso” é para ser partilhado, para que não haja mais fome nem indigência. Assim, o Reino se concretiza, em forma de solidariedade e partilha.
O pedido de perdão dos pecados, mais que um desejo dos discípulos, é o grande anseio de Deus. Desejar o perdão consiste em querer recentrar-se no amor de Deus.
Cair na tentação é abandonar os caminhos de Deus para trilhar desvios que levam à condenação. Quem, mais do que Deus, deseja que o discípulo não se desvie?
A libertação do mal consiste em criar mecanismos de defesa para que o inimigo não tome conta do coração do discípulo. Isto se dá num processo de enraizamento em Deus. E com isto ele se dá por satisfeito.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica…Domtotal)

Oração
Espírito de submissão à vontade do Pai, prepara meu coração para rezar a oração ensinada por Jesus, de modo que eu possa vivenciar o que meus lábios pronunciam.

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Quando, dás esmola, não toques trombeta

Esmola é misericórdia

Esmola é relação com Deus, para com o nosso próximo.  Ensina-nos, pois Senhor,  a viver melhor a prática da esmola.

Leitura (2 Reis 2,1.6-14)
Eis o que se passou no dia em que o Senhor arrebatou Elias ao céu num turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Gálgala,
Elias disse-lhe: “Fica aqui, porque o Senhor manda-me ao Jordão”. Por Deus e pela tua vida, respondeu Eliseu, não te deixarei. E partiram juntos.
Seguiram-nos cinqüenta filhos de profetas os quais pararam ao longe, diante deles, enquanto Elias e Eliseu se detinham à beira do Jordão.
Elias tomou o seu manto, dobrou-o e feriu com ele as águas, que se separaram para as duas bandas, de modo que atravessaram ambos a pé enxuto.
Tendo passado, Elias disse a Eliseu: “Pede-me algo antes que eu seja arrebatado de ti: que posso eu fazer por ti?” Eliseu respondeu: “Seja-me concedida uma porção dobrada do teu espírito”.
“Pedes uma coisa difícil”, replicou Elias. “Entretanto, se me vires quando eu for arrebatado de ti, isso te será dado: mas se não me vires, não te será dado”.
Continuando o seu caminho, entretidos a conversar, eis que de repente um carro de fogo com cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão.
Vendo isso, Eliseu exclamou: “Meu pai, meu pai! Carro e cavalaria de Israel!” E não o viu mais. Tomando então as suas vestes, rasgou-as em duas partes.
Apanhou o manto que Elias deixara cair, e voltando até o Jordão, parou à beira do rio.
Tomou o manto que Elias deixara cair, feriu com ele as águas, dizendo: “Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está ele?” Tendo ferido as águas, estas separaram-se para um e outro lado, e Eliseu passou.
Palavra do Senhor.

 

 

Salmo – 30/31
Fortalecei os corações,
vós que ao Senhor vos confiais!


Como é grande, ó Senhor, vossa bondade,
que reservastes para aqueles que vos temem!
Para aqueles que em vós se refugiam,
mostrando, assim, o vosso amor perante os homens.Na proteção de vossa face os defendeis,
bem longe das intrigas dos mortais.
No interior de vossa tenda os escondeis,
protegendo-os contra as línguas maldizentes.Amai o Senhor Deus, seus santos todos,
ele guarda com carinho seus fiéis,
mas pune os orgulhosos com rigor. 

 

 

Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.
Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.
Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”.
Palavra da Salvação.
A PIEDADE DISCRETA
A piedade judaica valorizava, de maneira especial, três práticas: a esmola, a oração e o jejum. Cada uma apontava para um tipo diferente de relação. A esmola indicava a relação de misericórdia com o próximo, cujas necessidades se tentava remediar. A oração expressava a relação amorosa com Deus, com quem se procurava estar em contínuo diálogo. O jejum se colocava no nível da relação do indivíduo consigo mesmo e consistia na busca do domínio dos instintos e das paixões, de modo a preparar para uma relação cada vez mais correta com Deus e com o próximo.
O discípulo de Jesus não estava dispensado destas práticas tradicionais de piedade. Elas se mantinham válidas quando sua finalidade era garantida. Entretanto, havia no tempo de Jesus quem desvirtuasse seu sentido e se servisse delas para alimentar seu espírito de vanglória. Jesus tentou precaver seus discípulos desta deturpação da piedade, ensinado-lhes a discrição. Mostrar-se piedoso só para ser visto e louvado pelas pessoas, era inútil e revelava uma motivação hipócrita. A inutilidade resultava da obtenção de louvores por parte dos admiradores, dispensando assim a recompensa divina. A piedade, neste caso, não atingia seu objetivo. Pelo contrário, quando praticada no escondimento e de maneira discreta, a piedade era observada apenas pelo Pai, de quem proviria a verdadeira recompensa.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica) –{Domtotal}

Oração
Senhor Jesus, livra-me de praticar a piedade buscando fazer-me admirado pelas pessoas e ensina-me a praticá-la de maneira discreta, para obter a recompensa do Pai.
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Movimento liderado por mulheres e homens

Jesus fundou um movimento liderado por mulheres e homens. Declarações do Vaticano sobre mulheres sacerdotisas são invariavelmente a-históricas e biblicamente ingênuas.

Uma mulher é representada em oração em um antigo mosaico cristão visto no Museu Pio Cristiano do Vaticano.

Uma mulher é representada em oração em um antigo mosaico cristão visto no Museu Pio Cristiano do Vaticano. (Wikimedia Commons/ Miguel Hermoso Cuesta)

Às vezes é muito difícil ser mulher e católica.

Por um lado, eu não poderia estar mais orgulhosa da liderança criativa tomada pela Universidade de Notre Dame e pelo Papa Francisco ao trabalhar com executivos do setor de petróleo para tratar de enfrentar a crise da mudança climática. É surpreendente que dezenas de instituições católicas, incluindo a Caritas International, tenham se livrado dos combustíveis fósseis.

Por outro lado, estou consternada por mais uma declaração do Vaticano, desta vez do cardeal Luis Ladaria – prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé -, sobre a não-ordenação de mulheres ao sacerdócio.

Tenho acompanhado as declarações do Vaticano sobre mulheres sacerdotisas desde os anos 70. Elas são invariavelmente a-históricas e biblicamente ingênuas. É constrangedor. Pior, elas dão falso testemunho do Jesus histórico e são, em última instância, destrutivas para o corpo de Cristo, especialmente do lado feminino.

Como uma contribuição para a conversa em curso sobre os papéis das mulheres em nossa igreja, apresento aqui alguns exemplos da erudição dominante sobre Jesus e o exercício feminino da autoridade no cristianismo primitivo.

Consideremos isto a partir da afirmação de Ladaria: “Cristo quis conferir este sacramento aos 12 apóstolos – todos homens – que, por sua vez, comunicaram isso a outros homens. A igreja sempre se viu vinculada a esta decisão do Senhor, que exclui a possibilidade do sacerdócio ministerial poder ser conferido validamente às mulheres”.

Os estudiosos da Bíblia há muito sabem que Jesus não pretendia fundar uma nova igreja liderada por 12 homens, mas sim reformar sua própria tradição judaica. Como tal, os Doze deveriam representar as novas 12 tribos de Israel. Eles não foram chamados para oferecer sacrifício de animais no Templo de Jerusalém, como era compreendido o sacerdócio nos dias de Jesus.

Que Jesus incluiu mulheres em seu discipulado galileu itinerante é indiscutível. Lucas 8, 1-3 nos diz que Maria, chamada de Madalena, Joana, Susana “e muitas outras mulheres” o acompanharam pela Galileia. Com Maria e Isabel, as mulheres estavam presentes e ativas na vida e ministério de Jesus desde o ventre até o túmulo vazio. Com Maria Madalena, elas foram as primeiras a proclamar a boa nova da vitória da ressurreição de Jesus sobre os poderes da morte.

Desde o primeiro século, vemos um padrão repetitivo de mulheres exercendo autoridade eclesial no crescimento do cristianismo primitivo:

  • Mulheres fundaram e lideraram comunidades de igrejas domésticas (Lídia, Prisca, Ninfa, Maria de Jerusalém, Talita);
  • Profetizas (filhas de Filipe, mulheres coríntias);
  • Ensinaram evangelistas do sexo masculino (Prisca);
  • Agiam como apóstolas (Júnia, Maria Madalena), benfeitoras e enviadas (Febe);
    Provavelmente liderando comunidades em Filipos como episcopoi e diaconoi (Evodia e Síntique). (Deve-se notar aqui que episcopoi e diakonoi não podem simplesmente ser traduzidos como “bispos” e “diáconos”, como entendemos hoje esses ofícios na igreja. Os títulos, no entanto, indicam uma importante função de liderança.)
  • As cartas de Paulo são os primeiros documentos históricos que temos. Dele, aprendemos mais sobre o título “apóstolo”. Escrevendo entre os anos 40 e 60 dC, Paulo usa a palavra “apóstolo” inclusive para descrever sua própria missão com os gentios, bem como a dos outros missionários. Em Romanos 16,7, ele chama Andronicus e Junia (um casal de missionários casados) “destacados entre os apóstolos”.

Vinte anos depois, após a queda de Jerusalém (80-85 dC), o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos refletem uma crescente luta sobre quem pode exercer autoridade na igreja primitiva. Lucas nomeia três requisitos para substituir o apóstolo Judas:

“É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição” (Atos 1, 21-22).

Os novos critérios de Lucas estipulam que os apóstolos devem ser homens, parte do discipulado original de Jesus e testemunhas oculares da ressurreição. Eles garantem que o título individual do apóstolo morrerá quando as testemunhas originais morrerem.

Além disso, líderes destacados como Paulo, Maria Madalena, Tiago de Jerusalém, Júnia e Andronicus não mais se qualificam como “apóstolos”. Ironicamente, os clérigos do terceiro e quarto séculos reivindicam a autoridade dos apóstolos na imposição de novas ordens da igreja que excluem as mulheres da liderança. Infelizmente, a prática continua até os dias atuais.

No entanto, arqueólogos e historiadores da igreja apontam para o equilíbrio de gêneros no exercício da autoridade nas primeiras comunidades. Por exemplo, “ordenação” como “presbítero” (como os sacerdotes eram chamados na época) não tomou forma até muito depois da morte e ressurreição de Jesus. E há evidências literárias e inscrições convincentes de que, nos séculos IV e V, as mulheres possuíam títulos de presbíteras. Esses primeiros presbíteros foram os precursores dos sacerdotes de hoje, e as evidências sugerem que, em algumas comunidades primitivas, tanto mulheres como homens atuaram nesses papéis.

A alegação de Ladaria de que um sacerdócio só para homens pertence à “substância do sacramento” e não pode ser mudado porque Cristo instituiu o sacramento é outro exemplo da natureza a-histórica das atuais formulações do Vaticano.

A compreensão cristã do sacramento não se tornou parte do ensino da igreja até a Idade Média. É o produto da reflexão posterior de membros exclusivamente masculinos do corpo de Cristo. Isso não quer dizer que os sacramentos não são uma parte central do ensino católico, bem como uma bela maneira de descrever a ação de Deus em nossas vidas. É para dizer que essa construção teológica não teve o benefício das percepções guiadas pelo Espírito dos membros femininos do corpo de Cristo.

É talvez por esta razão que o cardeal Christoph Schönborn, em uma entrevista de Páscoa com a publicação austríaca Die Presse, pediu um novo conselho para discutir o assunto:

Uma das principais questões é o papel das mulheres na igreja. Neste contexto, as organizações religiosas como um todo precisam de desenvolvimento… A questão da ordenação é uma questão que certamente só pode ser resolvida por um conselho. Um Papa não pode decidir isso sozinho. Esta é uma questão muito grande para ser resolvida apenas no escritório de um Papa.

Se o Papa Francisco pode convocar uma reunião internacional de líderes para combater o aquecimento global, certamente ele pode convocar um conselho internacional equilibrado em gênero para abordar o sexismo e a misoginia que atormentam nossa igreja há milênios.

National Catholic Reporter – Tradução: Ramón Lara

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O amor humano de Deus

Coragem de se apaixonar. Quando o amor é confundido com o uso da outra pessoa, a vida se torna medíocre e sem horizontes.

Conforme a Bíblia, toda pessoa que ama vive uma experiência divina porque Deus é fonte de todo e qualquer amor humano.

Conforme a Bíblia, toda pessoa que ama vive uma experiência divina porque Deus é fonte de todo e qualquer amor humano. (Reprodução/ Pixabay)

Por Marcelo Barros

A cada ano, no Brasil, o comércio e a sociedade festejam o “dia dos namorados”. Mesmo em tempos de crise, os meios de comunicação divulgam promoções especiais e os casais se trocam presentes. No entanto, uma sociedade que reduz as pessoas a peças de produção e de consumo não pode compreender a linguagem do amor. Ela leva as pessoas a sobreviverem na competitividade e na luta meramente egoística.

Por outro lado, quanto mais uma realidade como a vida centrada na amorosidade é preciosa e rara, mais são frágeis as palavras para expressá-la. Hoje em dia, o próprio termo “amor” parece reduzido a emoções rápidas e a experiências passageiras. Poucos creem no amor como princípio e luz de toda a vida. E quando o amor é confundido com o uso da outra pessoa, a vida se torna medíocre e sem horizontes. Uns buscam acima de tudo o dinheiro. Outros lutam ansiosamente pelo poder, ou se fecham no culto de si mesmos. Camus dizia: “Não ser amado é uma falta de sorte, mas não amar chega a ser uma tragédia imensa”. Martin Buber, grande espiritual judeu, dizia: “Os sentimentos moram no ser humano, mas é a pessoa que mora no seu amor”. Quando se descobre e se vive isso, aí sim o amor é casa e estrada de vida, enraizamento e transcendência. É a única energia que conduz a vida à sua plenitude. O psicólogo Eric From dizia que amar não é algo instintivo e natural como muita gente pensa. Amar é uma arte e se aprende.

Há pessoas que se apaixonam de um modo egocêntrico e possessivo que as fecham a todos os demais. O amor romântico parece fadado a ser exclusivo e exclusivista. Ao amar alguém, se ignora e, de certo modo, se rechaça todos os demais. A espiritualidade nos ensina outro modo de amar. Como no Chile revolucionário do começo dos anos 70, cantava Violeta Parra mais ou menos assim: “Graças à Vida que tanto me deu. Deu-me teus olhos que me iluminam, e me fazem descobrir a luz, nos olhos de todos. Como te amo, acolho a tua voz e ouço teus passos. Isso me faz descobrir alegria na voz de toda pessoa humana e sentir que os passos de todos me aproximam de ti”.

De fato, só se nos mantemos apaixonados/as pela vida, pelas pessoas e pela beleza da natureza, seremos capazes de testemunhar  uns aos outros a bênção original do amor divino que fecunda o universo.

Conforme a Bíblia, toda pessoa que ama vive uma experiência divina porque Deus é fonte de todo e qualquer amor humano. Mesmo no meio das imperfeições e buscas afetivas, o Amor divino conduz a pessoa a formas de amar mais profundas e generosas. Desde o começo da Bíblia, Deus prometeu estabelecer uma presença no mundo e guiar as pessoas que se abrissem à sua inspiração. Revelou-se presente na criação fazendo de cada criatura viva um sinal do seu amor e de sua bênção para o universo. Manifestou-se como fonte de bênção no canto dos pássaros, no vento que faz sussurrar as palmeiras, no riso das crianças, mas principalmente em cada pessoa humana, aberta ao Espírito. Em tempos mais antigos, deu vários sinais de que queria fazer uma aliança de amor com a humanidade e com todos os seres vivos do universo. Revelou-se plenamente presente na pessoa de Jesus de Nazaré, testemunha da ternura divina para com toda a humanidade. De acordo com a fé cristã, a partir da ressurreição de Jesus, o Espírito Divino foi dado a todas as criaturas. Quem aceita acolher, na intimidade do seu ser mais íntimo, o Espírito Divino, se torna testemunha de que o Amor vale a pena e é o único caminho que nos faz feliz. E o amor é um só, mesmo se toma expressões diversas, como amor de mãe, amor de irmãos, amor de amigos e amor de namorados.

Atualmente, a espiritualidade mais profunda nos propõe que deixemos nossa afetividade aflorar (geralmente, as pessoas a reprimem achando que isso é sinal de maturidade humana). De fato, para que sejamos testemunhas fieis do Espírito que é Amor e se manifesta em nós, é bom que aprendamos a nos apaixonar sempre e cada vez de novo.

Marcelo Barros
Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: “O Evangelho e a Instituição”, Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad).
(Reprodução/ Domtotal.com)
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O AMOR AOS INIMIGOS

Os inimigos nos motivam a viver um amor diferente, um amor divino.

Oração do dia
Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Reis 21,17-29)
Então a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita:
“Vai; desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que mora em Samaria, ei-lo que desce a tomar posse da vinha de Nabot.
Dir-lhe-ás: ‘Isto diz o Senhor: Mataste, e agora usurpas!’ – E ajuntarás: ‘Eis o que diz o Senhor: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu’”.
Acab exclamou: “Encontraste-me de novo, ó meu inimigo?” “Sim!”, respondeu Elias. “Porque te vendeste para fazer o mal aos olhos do Senhor.
Farei cair o mal sobre ti, varrer-te-ei, exterminarei da família de Acab em Israel todo varão, seja escravo ou livre.
Farei de tua casa o que fiz da de Jeroboão, filho de Nabat, e da de Baasa, filho de Aías, porque me provocaste à ira e arrastaste Israel ao pecado.
E eis agora o que diz o Senhor contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel na terra de Jezrael.
Todo membro da família de Acab que morrer na cidade será devorado pelos cães, e o que morrer no campo será comido pelas aves do céu.
Com efeito, não houve ninguém que praticasse tanto o mal aos olhos do Senhor como Acab, excitado como era por sua mulher Jezabel.
Levou a abominação ao extremo, seguindo os ídolos dos amorreus, que o Senhor tinha expulsado de diante dos israelitas”.
Ouvindo estas palavras, Acab rasgou suas vestes, cobriu-se com um saco e jejuou; dormia, envolto no saco e andava a passos lentos.
Então a Palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos:
“Viste como Acab se humilhou diante de mim? Pois que ele assim procedeu, não mandarei o castigo durante a sua vida, mas nos dias de seu filho farei vir a catástrofe sobre a sua casa”.
Palavra do Senhor.

 

 

 

Salmo – 50/51
Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
Lavai-me todo inteiro do pecado
e apagai completamente minha culpa!

Eu reconheço toda a minha iniqüidade,
o meu pecado está sempre à minha frente.
Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

Desviai o vosso olhar dos meus pecados
e apagai todas as minhas transgressões!
Da morte como pena, libertai-me,
e minha língua exaltará vossa justiça!

 

 

 

Evangelho (Mateus 5,43-48)
Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado (Jo 13,34).

Disse Jesus: “Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem.
Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.
Palavra da Salvação.

 

 

O AMOR AOS INIMIGOS

Jesus apelou para o modo de proceder do Pai para ensinar o amor aos inimigos. O Pai não faz distinção das pessoas entre boas e más, quando concede seus benefícios à humanidade. O sol e a chuva derramam-se abundantes sobre todos e lhes são benéficos, independentemente, de sua conduta.
O discípulo do Reino, do mesmo modo, não divide as pessoas em boas e más, santas e pecadoras, amigas e inimigas, sendo atencioso e serviçal para umas e repelindo as outras. Porém, a atitude do discípulo pode não encontrar correspondência por parte de outras pessoas e, eventualmente, ser hostilizado por elas. Pois bem, embora tenha que sofrer, o discípulo não retribui com a mesma moeda. Ele bendiz, quando lhe maldizem. Dispõe-se a fazer o bem a quem lhe nutre ódio. Intercede por seus perseguidores e caluniadores. Esta é a marca registrada do discípulo.
Se agisse de outra forma, o discípulo não se distinguiria de um não-discípulo. Revidar ódio com ódio e maldição com maldição não é novidade. O discípulo, inspirado no agir do Pai, vai na contramão da cultura reinante. Aí, sim, ele mostra ser o Pai o modelo e o motivo de sua ação. Aliás, o Pai se torna para ele modelo de perfeição. Quando mais o discípulo é capaz de agir sem fazer acepção de pessoas, tanto mais próximo da perfeição estará.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica…http://domtotal.com/religiao-liturgia-diaria.php)

 

Oração
Pai, faze-me teu imitador, e não me deixes cair na tentação de fazer acepção de pessoas. Que eu ame a todos, sem qualquer distinção.

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Com humildade e confiança do evangelho

Reflexão sobre o evangelho do 11º Domingo do Tempo Comum – Mc 4,26-34

O Evangelho só se pode semear com fé.O Evangelho só se pode semear com fé.  (Reprodução/ Pixabay)

A Jesus preocupava-o que os seus seguidores terminassem um dia desalentados ao ver que os seus esforços por um mundo mais humano e ditoso não obtinham o êxito esperado. Esqueceriam o reino de Deus? Manteriam a sua confiança no Pai? O mais importante é que não esqueçam nunca como hão de trabalhar.

Com exemplos tomados da experiência dos camponeses da Galileia anima-os a trabalhar sempre com realismo, com paciência e com uma confiança grande. Não é possível abrir caminhos para o reino de Deus de qualquer forma. Têm de ver como Ele trabalha.

O primeiro que têm de saber é que a sua tarefa é semear, e não colher. Não viverão pendentes dos resultados. Não lhes há de preocupar a eficácia nem o êxito imediato. A sua atenção deverá centrar-se em semear bem o Evangelho. Os colaboradores de Jesus devem ser semeadores. Nada mais.

Depois de séculos de expansão religiosa e grande poder social, os cristãos temos de recuperar na Igreja o gesto humilde do semeador. Esquecer a lógica do colhedor, que sai sempre a recolher frutos, e entrar na lógica paciente do que semeia um futuro melhor.

O início de todo o semear é sempre humilde. Mais ainda, trata-se de semear o projeto de Deus no ser humano. A força do Evangelho não é nunca algo espetacular ou clamoroso. Segundo Jesus, é como semear algo tão pequeno e insignificante como «um grão de mostarda», que germina secretamente no coração das pessoas.

Por isso o Evangelho só se pode semear com fé. É o que Jesus quer lhes fazer ver com as suas pequenas parábolas. O projeto de Deus de fazer um mundo mais humano leva dentro uma força salvadora e transformadora que já não depende do semeador. Quando a Boa Nova desse Deus penetra numa pessoa ou num grupo humano, ali começa a crescer algo que a nós nos transborda.

Na Igreja não sabemos nestes momentos como atuar nesta situação nova e inédita, no meio de uma sociedade cada vez mais indiferente e niilista. Ninguém tem a receita. Ninguém sabe exatamente o que deve fazer. O que necessitamos é procurar caminhos novos com a humildade e a confiança de Jesus.

Tarde ou cedo, os cristãos, sentiremos a necessidade de voltar ao essencial. Descobriremos que só a força de Jesus pode regenerar a fé na sociedade descristianizada dos nossos dias. Então aprenderemos a semear com humildade o Evangelho como início de uma fé renovada, não transmitida pelos nossos esforços pastorais, mas sim gerada por Ele.

IHU…http://domtotal.com

Por José Antonio Pagola*