Água para que te quero?

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O Cerrado é considerado o berço das águas brasileiras e ele está quase extinto. O que você está fazendo para impedir que isso aconteça?

Nesse sentido convidamos todos aqueles que para juntos unirmos forças em luta e defesa pela vida do CERRADO, ÁGUA e da HUMANIDADE. #Ninguém Morrerá de Sede…#Sem Cerrado, Sem água, Sem Vida. #Nao mecha com nossos rios, com o nosso povo. Venha para #Audiência Pública 01/12/17 às 9:00h #Correntina-Bahia 

O Brasil tem a maior reserva de água doce e potável do mundo. ela recebe o nome de Aquífero Guarani e está localizada no Centro-Leste do nosso continente. mas, não se engane: apesar de enorme (são 1,2 milhão de km2), ela não é infinita. Além de tudo, é abrigada pelo segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado, que está em vias de ser extinto.

“Cuide da água. No futuro, ela vai valer mais do que o petróleo.”

A frase pode ser batida, mas ela é tão verdadeira quanto o motivo de ser um conselho certeiro: a humanidade está consumindo toda a água potável disponível no planeta.

Olhando de longe, a ameaça não parece ser, assim, tão assustadora. Afinal moramos no Brasil, país rico em recursos naturais e hídricos, não é mesmo? Errado.

Coloque uma lupa sobre o problema e já vai ser possível entender porque tem muita gente preocupada com o futuro que se desenha: o segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado, está prestes a ser extinto. E se isso acontecer, provavelmente a humanidade toda vai sofrer as consequências.

SEM CERRADO, SEM ÁGUA, SEM VIDA

Não dá para falar de água sem falar de Cerrado. E para quem não conhece a fundo o bioma, pode até parecer estranho que um lugar composto de troncos baixos e retorcidos, que passa por incêndios naturais (provocados por queda de raios, por exemplo, que possui um impacto diferente das queimadas criminosas), seja considerado o berço das águas do Brasil.

Basicamente, esse é o Cerrado: o segundo maior bioma da América Latina (ocupa 22% do território brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente), extremamente rico em fauna e flora, capaz de abastecer 3 das maiores bacias hidrográficas da América do Sul e abrigar 3 dos maiores aquíferos do mundo, alimentando-os por meio de suas áreas de recarga, onde são reabsorvidas as águas das chuvas.

Considerada a savana mais rica em biodiversidade do mundo, ele fica no coração do Brasil e atua como elo entre quatro dos seis biomas do país: Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga e Pantanal. Sua área ocupa, além do Distrito Federal, mais 11 estados brasileiros, concentrando 5% de todas as espécies do mundo e 30% da biodiversidade do país. Muitos dos animais dessa fauna só existem no Cerrado. No caso das aves, 90% delas só se reproduzem nesse habitat.

Tanta riqueza natural pode ser explicada por meio da história. O professor Altair Sales Barbosa, um dos mais profundos conhecedores do bioma, conta que “a história recente da Terra começou há 70 milhões de anos, quando a vida foi extinta em mais de 99%. A partir de então, o planeta começou a se refazer novamente. Os primeiros sinais de vida, principalmente de vegetação, que ressurgem na Terra se deram no que hoje constitui o Cerrado”.

A FLORESTA INVERTIDA

Os vários elementos do Cerrado convivem em perfeita harmonia e vivem intimamente interligados uns aos outros. A vegetação depende do solo, que é oligotrófico (nível muito baixo de nutrientes); o solo depende do clima tropical subúmido (duas estações, uma seca e outra chuvosa); muitas sementes dependem do fogo, porque é ele quem quebra a dormência da maioria das plantas com sementes.

Duas características, no entanto, são determinantes para que o Cerrado seja um dos mais importantes biomas do Brasil: a capacidade que suas plantas têm de captar o carbono do ambiente e a capacidade das raízes de captar e reter água. E essas duas características o transformam em uma verdadeira floresta invertida.

Segundo o professor Altair, “de todas as formas de vegetação que existem, o Cerrado é a que mais limpa a atmosfera. Isso ocorre porque ele se alimenta basicamente do gás carbônico que está no ar, porque seu solo é oligotrófico”.

Dele também nascem vários rios pequenos que vão formando as bacias hidrográficas. A bacia do São Francisco, por exemplo, depende 97% das águas que nascem no Cerrado. Isso porque o solo facilita com que a água penetre profundamente nos lençóis freáticos, formando os aquíferos.

 

Os aquíferos são outro ponto de extrema importância quando se fala em Cerrado: toda a água captada e distribuída pelos aquíferos garante a sobrevivência de grande parte da população brasileira. Se o Cerrado não for preservado, a sobrevivência de nossa própria espécie estará ameaçada.

 

INVISIBILIDADE OU DESCONHECIMENTO?

Durante quatro décadas, o Cerrado perdeu metade de sua vegetação nativa. Apesar de ser considerado o celeiro do mundo, ações governamentais de ocupação e incentivo à agropecuária iniciadas ainda durante a ditadura militar permitiram que o Cerrado fosse desmatado sem grandes implicações.

A invisibilidade do bioma aliada ao desconhecimento de grande parte da população permitiu que projetos como o Matopiba (Plano de Desenvolvimento Agropecuário) levasse para o Cerrado grandes empresas e indústrias do agronegócio.

O resultado agora é bem visível: 50% da área do Cerrado já foi transformada em “área convertida”, ou seja: no lugar da vegetação nativa, pasto para gado e plantações. A colcha de retalhos que se formou, ora com mata nativa, ora com pastos, faz com que o bioma não consiga se manter ou reestabelecer sua biodiversidade depois de ter sido desmatado.

Outro grande problema que o Cerrado enfrenta com o agressivo aumento do agronegócio é a poluição das águas, do ar e dos solos. Os agrotóxicos utilizados nos monocultivos penetram e degradam o solo, além de contaminarem as nossas águas.

SIDROLÂNDIA/MT: AVIÃO FAZENDO PULVERIZAÇÃO DE AGROTÓXICOS SOBRE OS CAMPOS DE SOJA. FOTO: THOMAS BAUER

Esses produtos químicos poluem o ar e matam diversas das formas de vida que ali vivem. As abelhas nativas do Cerrado, que são as únicas que conseguem fazer a polinização das plantas nativas, já estão quase extintas. Isso significa que daqui a algum tempo novas plantas não vão mais nascer simplesmente porque não existirá abelhas para fazer a polinização das espécies.

As matas ciliares, que deveriam servir como corredores ecológicos de migração das espécies, têm sido degradadas. As margens dos rios foram ocupadas por ambientes urbanos. Assim, os sistemas agrícolas implantados pelo ser humano chegam até à margem de córregos e rios, degradando ainda mais o leito dos rios e provocando o assoreamento.

Ao observar as nascentes dos grandes rios, é possível ver que elas ou estão secando ou estão migrando cada vez mais para áreas mais baixas. Quando isso ocorre, é sinal de que o lençol que abastece essa nascente está rebaixando.

Sobre esse assunto, o professor Altair faz um alerta: “Observe, por exemplo, o caso das nascentes do Rio São Francisco, na Serra da Canastra; o caso das nascentes do Rio Araguaia ou do Rio Tocantins, que tem o Rio Uru em sua cabeceira mais alta. A cada dia que passa as nascentes vão descendo mais. Vai ocorrer o dia em que chegarão ao nível de base do lençol que as abastece e desaparecerão.”

 

A DESTERRITORIALIZAÇÃO E OS POVOS DO CERRADO

Com o incentivo governamental para que as grandes empresas cada vez mais utilizem o Cerrado para a produção de soja, cana, eucalipto, algodão e criação de gado, o interesse corporativo tomou conta do bioma.

E quando essas empresas chegam às áreas do Cerrado, o que acontece é a expulsão dos povos que lá vivem, por meio da falsificação de documentos, da negociata com cartórios e com políticos. Com a grilagem de terras, as empresas e latifundiários adquirem milhares de hectares e expulsam os moradores tradicionais. Esse processo desestrutura comunidades inteiras.

Diferentemente do agronegócio, os povos e comunidades tradicionais do Cerrado utilizam a terra de forma a respeitar seus ciclos naturais. Os extrativistas (que vivem da terra) e as comunidades indígenas e quilombolas são os grandes defensores do bioma.

Cerca de 12,5 milhões de brasileiros que vivem no Cerrado, parte deles lutando diariamente para preservar e defender o bioma. Eles se consideram parte integrante da natureza e têm a consciência de que suas ações de preservação são fundamentais para que o Cerrado continue vivo.

 

PORTO ALEGRE DO NORTE (MT) – SR. ALCIDES APRESENTANDO PRODUTOS CULTIVADOS EM SUA COMUNIDADE. FOTO: THOMAS BAUER

 As comunidades praticam uma agricultura agroecológica, que utiliza os bens naturais para sua própria subsistência. Essas comunidades cultivam uma relação de respeito com a natureza. Quanto mais famílias e comunidades estiverem praticando esse tipo de agricultura, menor será o espaço ocupado pelas grandes empresas.

Os povos do Cerrado também lutam para manter viva sua cultura e tradição. É por meio delas que as novas gerações descobrem a importância do Cerrado para a preservação da vida no planeta e aprendem a se defender das grandes empresas e a lutar pelo bem comum de todos, que é a água.

 

AS CRISES HÍDRICAS SÃO O PRENÚNCIO DO FIM DA ÁGUA

Se você vive em alguma grande cidade brasileira, é possível que já tenha enfrentado algum problema de falta d’água.

As recentes crises hídricas, que assolaram o estado de São Paulo e agora o Distrito Federal, têm relação direta com o Cerrado. Segundo Marzeni Pereira, tecnólogo em saneamento da Sabesp, “a estiagem em São Paulo, com certeza, tem relação com o desmatamento da Amazônia e do Cerrado. Obviamente, sempre que há desmatamento se reduz a evaporação de água pela evapotranspiração das árvores. O Cerrado brasileiro sofreu muito com a devastação promovida pelo agronegócio.

Para se ter ideia, no ano passado, em torno somente de quatro produtos (soja, carne, milho e café), o Brasil exportou cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de água. Não produziu, apenas exportou, ‘água virtual’, como se diz. Tal número significa abastecer São Paulo por quase 100 anos, apenas com a quantidade de água gasta por esses quatro produtos.”.

Além disso, a irrigação intensiva de larga escala provocada pelo agronegócio no Cerrado reduz os afluentes dos grandes rios, que sofrem ainda mais com a redução da água. Como o Cerrado faz a ligação entre quatro biomas brasileiros e abastece 8 das 12 grandes regiões hidrográficas do Brasil, o resultado só pode ser um: a falta de água até para consumo humano.

 

ÁGUA: DE DIREITO HUMANO A COMMODITY

A receita para equilibrar a demanda versus a conservação é cuidar dos mananciais. Não basta apenas que a população faça um controle de seus gastos de água, evitando o desperdício: é preciso que o agronegócio e as empresas também sejam responsabilizados por seus atos.

Isso implica em adotar medidas mais sérias de proteção aos mananciais e aquíferos, a inclusão das grandes empresas em cotas de racionamento (atualmente, as empresas não entram nos racionamentos propostos pelo governo), impedir que o agronegócio e as empresas utilizem a água dos grandes rios para irrigação e frear o desmatamento para criação de grandes áreas de cultivo. A própria legislação ambiental vigente abre precedentes para a contínua degradação do Cerrado.

ÁGUA BOA (MT) – GRANDES ÁREAS DEVASMATADAS PARA O CULTIVO DE SOJA. FOTO: THOMAS BAUER

Por mais incrível que possa parecer, o bioma mais degradado e que mais precisa de proteção ainda não é Patrimônio Nacional. Isso significa que políticas como o Matopiba, que é um plano de desenvolvimento que coloca o Cerrado como área de expansão da fronteira agrícola, vão continuar existindo enquanto nada for feito para proteger o bioma.

Em 50 anos, isso pode significar o desaparecimento não só do Cerrado como bioma, mas também da água e da vida. Sobre essa questão, o professor Altair é taxativo: “A extinção do Cerrado envolve também a extinção dos grandes mananciais de água do Brasil, porque as grandes bacias hidrográficas ‘brotam’ do Cerrado. O Rio São Francisco é uma consequência do Cerrado: ele nasce em área de Cerrado e é alimentado, em sua margem esquerda, por afluentes do Cerrado: Rio Preto, que nasce em Formosa (GO); Rio Paracatu (MG); Rio Carinhanha, no Oeste da Bahia; Rio Formoso, que nasce no Jalapão (TO) e corre para o São Francisco. Se há a degradação do Cerrado, não há rios para alimentar o São Francisco. Você pode contar no mínimo dez afluentes por ano desses grandes rios que estão desaparecendo”.

 

CERRADO: PATRIMÔNIO NACIONAL

Por incrível que pareça, apesar da importância do Cerrado para o Brasil e para o mundo, o bioma ainda não foi transformado em Patrimônio Nacional.

E enquanto isso não acontece, as grandes empresas podem continuar desmatando o Cerrado sem maiores implicações legais e jurídicas.

No vídeo ao lado, você vai poder ver como a degradação e o desmatamento desenfreados afetam um dos mais ricos e importantes biomas brasileiros e como a abundância de água e a riqueza genética do Brasil Central podem contribuir para mudar a maneira de explorar a região, assegurando a sobrevivência do Cerrado.

 

CRÉDITOS:

Coordenação: Coletivo de Comunicadores 

Texto: Bruna Toscano/Estúdio Massa

Ilustração: Mauro LTJr/Estúdio Massa

Design: Letícia Luppi/Estúdio Massa

Permanece fiel até a morte, e a coroa da vida eu te darei! (ap 2,10).

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XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Levantai, Ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Daniel 2,31-45) O Deus do céu suscitará um reino
que nunca será destruído;
antes, esmagará e aniquilará todos esses reinos.

Naqueles dias, Disse Daniel a Nabucodonosor: “Senhor: contemplavas, e eis que uma grande, uma enorme estátua erguia-se diante de ti; era de um magnífico esplendor, mas de aspecto aterrador.
Sua cabeça era de fino ouro, seu peito e braços de prata, seu ventre e quadris de bronze,
suas pernas de ferro, seus pés metade de ferro e metade de barro.
Contemplavas (essa estátua) quando uma pedra se descolou da montanha, sem intervenção de mão alguma, veio bater nos pés, que eram de ferro e barro, e os triturou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram com a mesma pancada reduzidos a migalhas, e, como a palha que voa da eira durante o verão, foram levados pelo vento sem deixar traço algum, enquanto que a pedra que havia batido na estátua tornou-se uma alta montanha, ocupando toda a região.
Eis o sonho. Agora vamos dar ao rei a interpretação.
Senhor: tu que és o rei dos reis, a quem o Deus dos céus deu realeza, poder, força e glória;
a quem ele deu o domínio, onde quer que habitem, sobre os homens, os animais terrestres e os pássaros do céu, tu és a cabeça de ouro.
Depois de ti surgirá um outro reino menor que o teu, depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará toda a terra.
Um quarto reino será forte como o ferro: do mesmo modo que o ferro esmaga e tritura tudo, da mesma maneira ele esmagará e pulverizará todos os outros.
Os pés e os dedos, parte de terra argilosa de modelar, parte de ferro, indicam que esse reino será dividido: haverá nele algo da solidez do ferro, já que viste ferro misturado ao barro.
Mas os dedos, metade de ferro e metade de barro, mostram que esse reino será ao mesmo tempo sólido e frágil.
Se viste o ferro misturado ao barro, é que as duas partes se aliarão por casamentos, sem porém se fundirem inteiramente, tal como o ferro que não se amalgama com o barro.
No tempo desses reis, o Deus dos céus suscitará um reino que jamais será destruído e cuja soberania jamais passará a outro povo: destruirá e aniquilará todos os outros, enquanto que ele subsistirá eternamente.
Foi o que pudeste ver na pedra deslocando-se da montanha sem a intervenção de mão alguma, e reduzindo a migalhas o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. Deus, que é grande, dá a conhecer ao rei a sucessão dos acontecimentos. O sonho é bem exato, e sua interpretação é digna de fé”.
Palavra do Senhor.

Salmo – Dn 3
Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

Obras do Senhor, bendizei o Senhor!
Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!
Céus do Senhor, bendizei o Senhor!
Anjos do Senhor, bendizei o Senhor!

Águas do alto céu, bendizei o Senhor!
Potências do Senhor, bendizei o Senhor!

Evangelho (Lucas 21,5-11)

 
Não ficará pedra sobre pedra.
Naquele tempo, como chamassem a atenção de Jesus para a construção do templo feito de belas pedras e reclamado de ricos donativos, Jesus disse:
“Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído”.
Então o interrogaram: “Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?”
Jesus respondeu: “Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais após eles.
Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim”.
Disse-lhes também: “Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu”.
Palavra da Salvação.

NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA

A imponência do templo de Jerusalém não impressionava Jesus. As belas pedras e os ex-votos (presente dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa) que o adornavam, não passavam de exterioridade. Seu fim se aproximava.
A pregação de Jesus contra o templo situava-se na tradição dos antigos profetas de Israel, que o desmitificaram, anunciando-lhe a destruição. O templo podia vir a baixo, pois havia perdido sua finalidade, passando a acobertar as injustiças cometidas contra o povo. O Deus de Israel fora substituído pelos ídolos. Não tinha sentido acobertar com a capa da fé uma idolatria desenfreada, com sérias consequências para a vida do povo pobre.
A situação não era muito diferente no tempo de Jesus. O templo e o sacerdócio estavam sob o domínio de uma aristocracia pouco preocupada com os pobres do País. O templo não era mais a casa do Deus verdadeiro, e sim, de falsos deuses que não questionavam a injustiça cometida contra os indefesos, nem a marginalização em que se encontrava grande parte da população. Eram os deuses dos privilegiados e beneficiados pelo sistema. Portanto, não era o Deus do Reino anunciado por Jesus.
A destruição do templo eliminaria a falsa segurança religiosa de muita gente. E evitaria que se servissem do nome de Deus para acobertar maldades cometidas em nome da fé. É blasfêmia fazer o Deus verdadeiro compactuar com a injustiça.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, destrói todas as falsas seguranças religiosas às quais, porventura, eu esteja apegado, e faze-me acolher as exigências do Deus verdadeiro.