Movimentos sociais questionam utilização da água como mercadoria.

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“O povo sabe que precisa de um modo de convivência que promova o Bem Viver e aponte para a Terra Sem Males. Este processo será construído democraticamente desde as comunidades autogestionárias até o nível nacional e além”.

Os participantes do seminário ”organizado pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) e pelo Movimento de Educação de Base (MEB), divulgaram carta onde questionam o atual modelo “desenvolvimentista” que privatiza a água a grandes projetos. “A água como mercadoria concentra lucros e promove carência, doença e morte”, aponta o texto. “Megaprojetos limitam o acesso das populações à água, reduzem ou eliminam os territórios pesqueiros, privatizam, poluem os lençóis freáticos e salinizam as águas”.

Na última semana, de 16 a 18, representantes de movimentos e pastorais sociais se reuniram em Brasília (DF) para socializar informações sobre os biomas e construir estratégias para construção de um projeto de Bem Viver. Entre as ações repudiadas pelo grupo está o Fórum Mundial da Água (FMA), marcado para 18 a 23 de março de 2018, em Brasília. Segundo o texto, a iniciativa não oferece soluções efetivas “nem para a crise hídrica, nem para as mudanças climáticas”. “Governantes, grandes empresários e banqueiros têm apresentado falsas soluções, que mascaram sua responsabilidade pelo problema”. Paralelo ao evento patrocinado por multinacionais, na luta contra a farsa ambiental do FMA, propõe-se o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA)

Na carta divulgada no final do encontro, 50 organizações questionam iniciativas que utilizam dos recursos hídricos para o lucro “e causam morte de habitats, o biocídio e o hidrocídio”. “A expansão monopólica dos bancos privados na financeirização e no controle de ativos das empresas, o agronegócio, a mineração, a indústria e a infraestrutura energética (hídrica, termo e nuclear), voltados para os lucros e não para o atendimento das necessidades humanas”, assinala a nota.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que 70% da utilização da água doce que circulam pelo ciclo hidrológico destina-se para a agricultura irrigada, atividades do agronegócio como monocultura e pecuária. 19% vão para indústrias hidrointensivas, como usinas nucleares, e grandes emissoras de CO2 como termelétricas, siderúrgicas e refinarias de petróleo

Há resistência!

O seminário mapeou iniciativas concretas de conservação dos biomas, de resistência a lógica de devastação imposto pelo “livre” mercado, “com sua ideologia do crescimento econômico ilimitado”. Reflorestamento, recuperação de áreas, produção de alimentos com agroflorestas, tratamento de resíduos, manejo sustentável dos mananciais foram alternativas presentes nos debates.

“São exemplos de combate heroico aos ataques do capital à biodiversidade, ao ambiente e à água, apoiado pelo Estado: os Munduruku e seus vizinhos ribeirinhos, na defesa do Tapajós; comunidades de Correntina e da Bacia do Paraguaçu (BA) contra o agro e hidronegócio; os quilombolas do Rio dos Macacos pelo acesso à água em Salvador (BA); populações do entorno do Cauipe/Pecém (CE), Porto do Suape (PE), ThyssenKrupp/Vale, Guapiaçu, Porto do Açu (RJ) e Piquiá de Baixo (MA) contra grandes complexos industriais; comunidades de Santa Quitéria (CE) e Caetité (BA) contra a expansão da mineração de urânio”.

“Essa nova visão de desenvolvimento que nos propõe o Bem Viver nos inspira a continuar atuando em defesa da democracia plena, contra a privatização da água e pela soberania territorial, alimentar, genética, hídrica e energética”, encerra o documento.

Leia aqui o documento.

Por Guilherme Cavalli, da assessoria de comunicação – Cimi (organização que compõem a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado)

A CASA DE DEUS PROFANADA.

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SANTO ANDRÉ DUNG-LAG PRESBÍTERO E MÁRTIR

Oração do dia Ó Deus, fonte e origem de toda paternidade, que destes aos santos mártires André e seus companheiros serem fiéis à cruz do vosso filho até a efusão do sangue, concedei, por sua intercessão, que, propagando o vosso amor entre os irmãos, possamos ser chamados vossos filhos e filhas e realmente o sejamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Macabeus 4,36-37.52-59)
Celebraram a dedicação do altar,
oferecendo com alegria holocaustos.
Judas e seus irmãos disseram então: “Eis que nossos inimigos estão aniquilados; subamos agora a purificar e consagrar de novo os lugares santos”.
Reunido todo o exército, subiram à montanha de Sião.
No dia vinte e cinco do nono mês, isto é, do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram muito cedo,
e ofereceram um sacrifício legal sobre o novo altar dos holocautos, que haviam construído.
Foi no mesmo dia e na mesma data em que os gentios o haviam profanado, que o altar foi de novo consagrado ao som de cânticos, das harpas, das liras e dos címbalos.
Todo o povo se prostrou com o rosto em terra para adorar e bendizer no céu aquele que os havia conduzido ao triunfo.
Prolongaram por oito dias a dedicação do altar, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de ações de graças e de louvores.
Adornaram a fachada do templo com coroas de ouro e com pequenos escudos, consagraram as entradas do templo e os quartos, nos quais colocaram portas.
Reinou uma alegria imensa entre o povo e o opróbrio das nações foi afastado.
Foi estabelecido por Judas e seus irmãos, e por toda a assembléia de Israel que os dias da dedicação do altar seriam celebrados cada ano em sua data própria, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, e isto com alegria e regozijo.
Palavra do Senhor.
Salmo – 1Cr 29
Queremos celebrar o vosso nome glorioso.

Bendito sejais vós, ó Senhor Deus,
Senhor Deus de Israel, o nosso pai,
desde sempre e por toda a eternidade!

A vós pertencem a grandeza e o poder,
toda a glória, esplendor e majestade,
pois tudo é vosso: o que há no céu e sobre a terra!

A vós, Senhor, também pertence a realeza,
pois sobre a terra, como rei, vos elevais!
Toda glória e riqueza vêm de vós!

Sois o Senhor e dominais o universo,
em vossa mão se encontra a força e o poder,
em vossa mão tudo se afirma e tudo cresce!

Evangelho (Lucas 19,45-48)

 
Fizestes da casa de Deus um antro de ladrões.
Naquele tempo, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os mercadores.
Disse ele: “Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões”.
Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida.
Mas não sabiam como realizá-lo, porque todo o povo ficava suspenso de admiração, quando o ouvia falar.
Palavra da Salvação.

 

Jesus não se conteve, quando se deparou com o estado em que se encontrava o templo de Jerusalém. Na mentalidade da época, o templo era o lugar escolhido por Deus para habitar no meio de seu povo. Era o espaço do encontro do Pai com seus filhos. Portanto, lugar da comunhão fraterna, da justiça, do respeito aos pobres e aos fracos, que são os preferidos de Deus.

Este ideal grandioso, porém, chocava-se com a realidade. O templo tornara-se um amplo mercado onde se fazia câmbio de dinheiro para facilitar a vida dos peregrinos estrangeiros e se comerciava os diversos tipos de animais usados para o sacrifício. Toda esta intensa atividade visava a ganância do lucro, dificilmente obtido por motivo de pura caridade. Assim, a injustiça e a exploração eram praticadas na própria casa de Deus. Os pobres e ingênuos peregrinos eram expoliados, sob os olhos do Pai. A boa-fé do povo transformava-o em joguete nas mãos de pessoas inescrupulosas. E tudo isso com a benévola anuência da classe sacerdotal, que tirava partido da situação.

A realidade do templo estava em aberta contradição com o ideal de Reino de Deus pregado por Jesus. Daí o furor que se apossou de seu coração e o gesto profético de expulsar os profanadores da casa de Deus, que devia ser espaço do amor.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, não permita que eu permaneça insensível, vendo a casa de Deus – o coração humano – ser profanado pela injustiça.