Mudanças climáticas: bispos dos EUA desiludidos com governo Trump

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Bonn: estátua de madeira diante da sede da COP23 – AP

Washington (RV) – “O dever de cuidar do bem comum vai além de nossos confins, sobretudo quando se trata do ar e do clima compartilhados com todos os povos e criaturas que vivem no planeta”. É o que reiteram os bispos estadunidenses, que voltam a pedir com vigor o maior envolvimento das instituições nacionais no esforço da comunidade internacional para combater os danos provocados pelas mudanças climáticas.

O apelo está contido numa carta enviada ao Congresso por Dom Frank J. Dewane, Presidente da Comissão para a Justiça e o Desenvolvimento Humano, e por Dom Oscar Cantù, Presidente da Comissão Justiça e Paz.

É significativa a concomitância do apelo com a Conferência sobre Mudanças Climáticas, COP23, em andamento em Bonn, e também assume uma relevância especial, considerando a postura do Presidente Donald Trump sobre o tema.

Dois anos atrás, a Conferência de Paris COP21 produziu um acordo sobre o clima do qual os Estados Unidos anunciaram a intenção de se retirar. A decisão gerou preocupação no mundo e o episcopado demonstrou publicamente sua desilusão.

Há cerca de um mês, Dom Dewane comentou criticamente a decisão da Agência de Proteção do Ambiente de revogar o plano para a energia limpa e o programa nacional de redução das emissões de carbono nas centrais elétricas do país.

Embora reconhecendo que o Clean Power Plan (Cpp – Plano para energia limpa) não é o único mecanismo possível para enfrentar as mudanças climáticas, recordou que o governo Trump, depois de se retirar dos acordos de Paris, não propôs alguma alternativa adequada, mas simplesmente destruiu o Plano, colocando em risco milhares de pessoas, sobretudo pobres. “Nossos líderes deveriam respeitar o apelo moral do Santo Padre sobre o ambiente e propor novas leis”. 

“O reino de Deus cresce dentro de nós, não é carnaval”.

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Cidade do Vaticano (RV) – O reino de Deus não é um espetáculo nem um carnaval, “não ama a propaganda”: é o Espirito Santo que o faz crescer, não “os planos pastorais”. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de quinta-feira (16/11) na capela da Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia (Lc 17,20-25).

Francisco se deteve na pergunta que os fariseus fazem a Jesus: “quando virá o reino de Deus?”. Uma pergunta simples, que nasce de um coração bom e aparece tantas vezes no Evangelho. João Batista, por exemplo, quando estava na prisão, angustiado, pede a seus discípulos que perguntem a Jesus se é ele mesmo que deve vir ou se devem esperar outra pessoa. Outras vezes, a pergunta foi feita “sem rodeios”, “se é você, desça da cruz”. “Há sempre a dúvida”, a “curiosidade” de quando virá o Reino de Deus, disse o Papa.

 

“O reino de Deus está em meio a vós”: é a resposta de Jesus. Assim como a semente que, semeada, cresce a partir de dentro, também o reino de Deus cresce “escondido” e no meio “de nós” – reiterou o Pontífice – ou se encontra escondido como “pedra preciosa ou o tesouro”, mas “sempre na humildade”.

“Mas quem faz crescer aquela semente, quem faz germinar? Deus, o Espírito Santo que está em nós. E o Espírito Santo é espírito de mansidão, espírito de humildade, é espírito de obediência, espírito de simplicidade. É ele que faz crescer dentro o reino de Deus, não são os planos pastorais, as grandes coisas… Não, é o Espírito, escondido. Faz crescer, chega o momento e aparece o fruto”.

No caso do Bom Ladrão, o Papa se pergunta quem fez semear a semente do reino de Deus no seu coração: talvez a mãe, faz uma hipótese – ou talvez um rabino quando lhe explicava a lei. Depois, talvez, se esquece, mas a um certo momento “escondido”, o Espírito a faz crescer.

Por isso, Francisco repete que o reino de Deus é sempre “uma surpresa”, porque é “um dom que o Senhor dá”. Jesus explica também que “o reino de Deus não vem para chamar a atenção e ninguém dirá: ‘Ei-lo aqui, ei-lo lá’”. “Não é um espetáculo ou pior ainda – mas às vezes se pensa assim – “um carnaval”, reitera o Papa.

“O reino de Deus não se mostra com a soberba, com o orgulho, não ama a propaganda: é humilde, escondido e assim cresce. Penso que quando as pessoas olhavam Nossa Senhora, ali, que seguia Jesus: ‘Aquela é a mãe, ah…’. A mulher mais santa, mas escondida, ninguém conhecia o mistério do reino de Deus, a santidade do reino de Deus. E quando estava perto da cruz do filho, as pessoas diziam: ‘Mas pobre mulher com este criminoso como filho, pobre mulher …’. Nada, ninguém sabia”.

O reino de Deus, portanto, cresce sempre escondido, porque “o Espírito Santo está dentro de nós” – recordou o Papa – que “o faz germinar até dar o fruto”.

“Nós todos somos chamados a fazer esta estrada do reino de Deus: é uma vocação, é uma graça, é um dom, é gratuito, não se compra, é uma graça que Deus nos dá. E nós todos batizados temos dentro o Espírito Santo. Como é a minha relação com o Espírito Santo, que faz crescer em mim o reino de Deus? Uma bela pergunta para todos nós fazermos hoje: eu acredito, acredito realmente que o reino de Deus está no meio de nós, está escondido ou gosto mais do espetáculo?”.

Francisco conclui exortando a pedir ao Espírito Santo a graça de fazer germinar “em nós e na Igreja, com força, a semente do reino de Deus para que se torne grande, dê refúgio a tantas pessoas e dê frutos de santidade”.

O Reino de Deus está entre vós.

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XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Sabedoria 7,22-8,1)
A Sabedoria é um reflexo da luz eterna
e espelho sem mancha da atividade de Deus.


Há nela, com efeito, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo,
livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis.
Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza.
Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela.
É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade.
Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus,
porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria!
É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela se sobreleva,
porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece.
Ela estende seu vigor de uma extremidade do mundo à outra e governa todas as coisas com felicidade.
Palavra do Senhor.

Salmo -118
É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

É eterna, ó Senhor, vossa palavra,
ela é tão firme e estável como céu.

De geração em geração, vossa verdade
permanece como a terra que firmastes.

Porque mandastes, tudo existe até agora;
todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem!

Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,
ela dá sabedoria aos pequeninos.

Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo
e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

Possa eu viver e para sempre vos louvar;
e que me ajudem, ó Senhor, vossos conselhos!

Evangelho (Lucas 17,20-25)
Eu sou a videira verdadeira e vós sois os ramos; um fruto abundante vós haveis de dar (Jo 15,5).


Naquele tempo, os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: “O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo”.
Nem se dirá: “Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós”.
Mais tarde ele explicou aos discípulos: “Virão dias em que desejareis ver um só dia o Filho do Homem, e não o vereis.
Então vos dirão: ‘Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali’. Não deveis sair nem os seguir.
Pois como o relâmpago, reluzindo numa extremidade do céu, brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem no seu dia.
É necessário, porém, que primeiro ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”.
Palavra da Salvação.

O REINO ESTÁ ENTRE VÓS

No tempo de Jesus, havia uma verdadeira febre de fim de mundo. Discutia-se, com vivo interesse, a questão de quando o Reino de Deus haveria de chegar. A dominação romana, na Palestina, fazia crescer ainda mais o desejo de tempos novos, sem opressão e perseguição, onde a vida do povo fosse regida somente por Deus. A festa da Páscoa era uma ocasião excelente para fazer reacender a esperança de libertação.
Jesus recusou-se, de maneira taxativa, a deixar-se levar por estas correntes escatológicas que queriam submeter o Reino de Deus a seus programas, descurando a verdadeira ação de Deus na história humana. O apelo de Jesus orientou-se para a responsabilidade humana de preparar-se, com toda liberdade e seriedade, para o encontro com o Senhor. Isso não se faz correndo, de cá para lá, em busca de fatos extraordinários ou de figuras messiânicas, identificando-os como sinais premonitórios da consumação do Reino.
Tudo isto se tornava desnecessário, porque o Reino já tinha despontado no meio do povo, na pessoa de Jesus, o Filho do Homem. Observando as palavras e gestos de Jesus era possível confrontar-se com uma história humana onde Deus exercia o senhorio absoluto. E todo aquele que tivesse a coragem de deixá-lo ser o Senhor de sua vida, tornar-se-ia a personificação do Reino, como Jesus.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração 


Senhor Jesus, que eu seja como tu, personificação do Reino na História, deixando Deus ser o Senhor absoluto da minha vida.