Pesquisador da Fiocruz Pernambuco fala sobre o protesto em Correntina (BA) contra o uso indiscriminado de água para irrigação

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‘Fundamentalmente, foi a omissão do Estado que levou a isso’

No dia seguinte ao feriado de Finados, em 2 de novembro, vários jornais denunciaram a “invasão” de pessoas nas Fazendas Igarashi e Curitiba, no distrito de Rosário, município de Correntina (BA), mostrando máquinas, instalações e pivôs – equipamentos que tiram a água dos mananciais – quebrados e incendiados. O que não foi evidenciando, no entanto, é que milhares de moradores da Comunidade Ribeirinha do Rio Arrojado entraram nas duas grandes fazendas para protestar contra o uso indiscriminado de água para irrigação, que causa uma crise de abastecimento na cidade e o esgotamento dos recursos hídricos da região, provenientes do rio São Francisco.

Além da exploração hídrica, a área foi completamente devastada pelo agronegócio, levando à extinção da fauna e flora, restando hoje 48% da sua mata nativa. A constatação é feita por André Monteiro, pesquisador do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz (CPqAM/Fiocruz, que foi para a cidade acompanhar outra manifestação, realizada no dia 11 de novembro, que levou cerca de 10 mil pessoas às ruas de Correntina para denunciar o baixo nível do rio Arrojado. Para ele, que gravou na ocasião o mini-documentário ‘Insurgentes’, a mobilização de grande parte da pequena cidade, que ganhou atenção nacional, é resultado da omissão do Estado, que não impõe limites à “hiperexploração hídrica”.

Qual é o panorama dos recursos hídricos na região de Correntina?

Há uma hiperexploração hídrica em decorrência de um esgotamento progressivo que vem acontecendo na região. Há tempos, vários especialistas denunciam que o desmatamento do Cerrado têm levado à perda de vazão nos rios e a um empobrecimento do aquífero da região, o Urucuia, que é o maior contribuinte do rio São Francisco. Esse é um processo antigo, mas que a partir de 2008 se acelerou por conta da exportação de commodities agrícolas, como a soja.

As tecnologias utilizadas na irrigação das fazendas, como o pivô central, são perdulárias no uso da água, de baixíssima eficiência. Além desse uso abusivo de água, o desmatamento tem consequências diretas nos volumes disponíveis porque provoca a compactação do solo, uma infiltração baixa, muito escoamento superficial. Chegou a um ponto que os rios do Cerrado começaram a secar.

E o que se vê em Correntina é exatamente isso: uso predatório dos recursos hídricos. As fazendas da região constroem piscinas imensas, de cerca de mil metros cúbicos. Em cada uma, há uma bomba associada. Há lugares com 24 piscinas e, consequentemente, 24 bombas ou pivôs [de irrigação] ligados de uma vez só. Então, quando eles ligavam as bombas, o rio não tinha vazão suficiente. Em várias situações, o rio secava completamente em um trecho por conta dessa irrigação. E depois de algumas horas, voltava a fluir.

A população da cidade protesta pelo menos desde 2015 contra esse abuso. Queriam chamar atenção dos órgãos ambientais de controle, do próprio Ministério Público. Mas, desde então, praticamente nada foi feito. E aí foi muito impactante quando eu vi aquela manifestação de mil pessoas na Fazenda Igarashi. Não é comum tanta gente, é algo muito forte do ponto de vista da indignação, quando a população se mobiliza assim.

Em sua avaliação, o que significou esse protesto?

Na manifestação que houve no sábado [11], e também conversando com pessoas na rua, o sentimento da comunidade é que que todos eles invadiram aquela fazenda. Quando eu cheguei lá, fui jantar na primeira noite e perguntei ao garçom: “E a manifestação?” E ele: “Foi a gente que fez.”; Eu disse: “Mas você foi?”; e ele: “Não fui pessoalmente, mas fui porque estava lá com todos eles, toda a população estava”.

Eu pensei como é incomum uma situação em que uma grande parte da população se reconhece, se identifica com o grupo que protesta invadindo uma fazenda. Não dá para dizer que havia um movimento, que havia um grupo. Na ocupação foram mil pessoas. E na medida em que depois do dia 2 de novembro, a mídia tradicional foi em cima, inicialmente taxando como se tivesse sido o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que negou participação no ato mas apoiou publicamente a luta dos moradores]. Foi um déjà-vu da década de 1990, no governo Fernando Henrique, essa demonização do MST… E você tem um discurso de algumas autoridades chamando a população de uma forma geral de ‘terroristas’. Isso, a meu ver, gerou uma indignação muito grande. Foi a catalisação de um processo a partir de indignação pela exaustão dos recursos hídricos, várias comunidades tradicionais e agricultores relatam que não tem mais condições de criar seu gado por conta da falta de água.

Já poderíamos dizer que na região há rios secos?

Na manifestação, as pessoas falavam nomes de riachos que já estariam mortos. Isso é grave, o que só comprova que o uso de pivôs já devia ter sido superado há muito tempo. Além disso, a prática de construir grandes piscinas, além de levar o rio à exaustão, já chegou ao limite. Já têm até propriedades abandonadas pelo agronegócio, porque não tem água suficiente também para ele. Só para termos uma ideia, a Fazenda Igarashi, em 2015, captava 180 mil metros cúbicos de água por dia, fazendo uso de 32 bombas.

A Associação Ambientalista Corrente Verde, em Correntina, chegou a entrar com uma ação civil pública pedindo a suspensão da captação de água em uma fazenda da empresa Sudotex. A Justiça chegou a conceder uma liminar autorizando, mas logo depois o Tribunal de Justiça pronunciou-se contrário à decisão, dizendo que o empreendimento seria inviabilizado e a empresa poderia se transferir e, consequentemente, a região perderia empregos. E quem recorreu da primeira decisão foi nada mais nada menos do que o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Não foram os proprietários da fazenda…

Há uma chantagem de cunho econômico que não é de hoje. O Estado, em todos os níveis, tem uma centralidade em relação às commodities e não cede em nada do ponto de vista socioambiental, usando todo o seu aparato para dar continuidade a um modelo de desenvolvimento do agronegócio, da mineração e de outros processos produtivos como de energia e água, o que só faz aumentar os conflitos no campo relacionados a povos e comunidades tradicionais. Isso vai além da conjuntura política atual, vem já há bastante tempo…

O Brasil irá receber pela primeira vez o Fórum Mundial da Água, que acontecerá em março em Brasília, e organiza um fórum alternativo paralelo com a participação de movimentos sociais, entidades ambientais e sindicatos para debater o papel da água. O protesto em Correntina, portanto, impulsionaria um debate mais qualificado no fórum paralelo e deixaria o Fórum Mundial da Água constrangido em relação a esta correlação de forças entre os interesses do agronegócio e da população?

Eu tenho participado de alguns protestos. Além disso, estamos construindo o Dossiê das Águas, junto com os movimentos sociais. Eu acho que tem um processo que ainda não está maduro como deveria. A origem do Fama [Fórum Alternativo Mundial da Água], sua organização e peso político, está mais ligado a movimentos urbanos e sindicatos de empresas de saneamento. E esses são conflitos do campo. Parece-me necessário que haja um amadurecimento nesse sentido, para dar conta da complexidade e da urgência da questão da água, tanto os riscos de privatização dos serviços, tanto a apropriação privada do bem comum.

A água tem assumido um caráter transversal em diversos movimentos sociais e também na academia, que antes não discutiam a água. Entidades e grupos que não tinham a água como objeto de estudo, passaram a incorporá-la pela emergência da situação, pela explosão dos conflitos. Isso está relacionado ao modelo de desenvolvimento. Eu acho que precisamos para o FAMA de uma articulação mais madura desses movimentos urbanos e do campo.

Confira a manifestação realizada no dia 11 de novembro

Por Maíra Mathias – EPSJV/Fiocruz

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8).

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XXXIII SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Macabeus 2,15-29)

Continuaremos seguindo a aliança de nossos pais.


Sobrevieram enviados do rei a Modin, para impor a apostasia e obrigar a sacrificar.
Muitos dos israelitas uniram-se a eles, mas Matatias e seus filhos permaneceram firmes.
Em resposta disseram-lhe os que vinham da parte do rei: “Possuis nesta cidade notável influência e consideração, teus irmãos e teus filhos te dão autoridade.
Vem, pois, como primeiro, executar a ordem do rei, como o fizeram todas as nações, os habitantes de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Serás contado, tu e teus filhos, entre os amigos do rei; a ti e aos teus filhos o rei vos honrará, cumulando-vos de prata, de ouro e de presentes”.
Matatias respondeu-lhes: “Ainda mesmo que todas as nações que se acham no reino do rei o escutassem, de modo que todos renegassem a fé de seus pais e aquiescessem às suas ordens,
eu, meus filhos e meus irmãos, perseveraremos na Aliança concluída por nossos antepassados.
Que Deus nos preserve de abandonar a lei e os mandamentos!
Não obedeceremos a essas ordens do rei e não nos desviaremos de nossa religião, nem para a direita, nem para a esquerda”.
Mal acabara de falar, eis que um judeu se adiantou para sacrificar no altar de Modin, à vista de todos, conforme as ordens do rei.
Viu-o Matatias e, no ardor de seu zelo, sentiu estremecerem-se suas entranhas. Num ímpeto de justa cólera arrojou-se e matou o homem no altar.
Matou ao mesmo tempo o oficial incumbido da ordem de sacrificar e demoliu o altar.
Com semelhante gesto mostrou ele seu amor pela lei, como agiu Finéias a respeito de Zamri, filho de Salum.
Em altos brados Matatias elevou a voz então na cidade: “Quem for fiel à lei e permanecer firme na Aliança, saia e siga-me”.
Assim, com seus filhos, fugiu em direção às montanhas, abandonando todos os seus bens na cidade.
Então, uma grande parte dos que procuravam a lei e a justiça, encaminhou-se para o deserto.
Palavra do Senhor.

 

Salmo – 49

A todos os que procedem retamente
eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

Falou o Senhor Deus, chamou a terra,
do sol nascente ao sol poente a convocou.
De Sião, beleza plena, Deus refulge.

“Reuni à minha frente os meus eleitos,
que selaram a aliança em sacrifícios!”
Testemunha o próprio céu seu julgamento,
porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

Imola a Deus um sacrifício de louvor
e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo.
Invoca-me no dia da angústia,
e então te livrarei e hás de louvar-me.

Evangelho (Lucas 19,41-44)

 

Se tu também compreendesses hoje
o que te pode trazer a paz!

Naquele tempo, aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo:
“Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isso está oculto aos teus olhos.
Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados;
destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada”.
Palavra da Salvação.

E nós hoje, que cristãos somos?

Recebemos a semente da fé em Cristo plantada, vivida e frutificada no doar-se de vida pela continuidade do Reino de Deus através do agir missionário de nossos antepassados, parentes ou não. Assim, a semente de vida em Cristo fez morada em nossos corações e honrando e guardando a aliança de amor e salvação continuamos cuidando e regando a fé em Cristo, sentido de todo nosso existir.

Nesse contexto, reafirmemos constantemente a nossa fé, reforcemos o nosso orar e vigiar pois procedendo retamente segundo os planos de Deus começaremos a viver desde já a salvação a nós prometida. Assumamos portanto nossa missão de viver nossa fé em Cristo, semeando, cuidando, regando e promovendo cada dia mais e mais frutos para o Reino de Deus. Cristo nos visita diariamente e continua a nos chamar a prosseguir  com a promoção e concretização de um mundo mais justo e fraterno onde todos tenham cada dia mais vida. Se somos cristãos honremos ainda mais essa nossa grandiosa identidade nos colocando de prontidão ainda mais à vida de oração e missão.

                                                                                               Por: Viverevangelizando…

Oração


Senhor Jesus, tira a dureza do meu coração. Ela me impede de acolher tua palavra e de deixar-me converter.

Eu vos escolhi a fim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure (Jo 15,16).

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SANTA CECÍLIA VIRGEM E MÁRTIR

Oração do dia

Ó Deus, sede favorável às nossas preces pela intercessão de santa Cecília. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (2 Macabeus 7,1.20-31)

O Criador do mundo vós dará de novo o espírito e a vida.


Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia e o suportou com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor.
Ela exortava a cada um no seu idioma materno e, cheia de nobres sentimentos, com uma coragem varonil, ela realçava seu temperamento de mulher.
“Ignoro”, dizia-lhes ela, “como crescestes em meu seio, porque não fui eu quem vos deu nem a alma, nem a vida, e nem fui eu mesma quem ajuntou vossos membros.
Mas o criador do mundo, que formou o homem na sua origem e deu existência a todas as coisas, vos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor às suas leis”.
Receando, todavia, o desprezo e temendo o insulto, Antíoco solicitou em termos insistentes o mais jovem, que ainda restava, prometendo-lhe com juramento torná-lo rico e feliz, se abandonasse as tradições de seus antepassados, tratá-lo como amigo, e confiar-lhe cargos.
Como o jovem não deu importância alguma, o rei mandou que a mãe se aproximasse e o exortasse com seus conselhos, para que o adolescente salvasse sua vida;
como ele insistiu por muito tempo, ela consentiu em persuadir o filho.
Inclinou-se sobre ele e, zombando do cruel tirano, disse-lhe na língua materna: “Meu filho, compadece-te de tua mãe, que te trouxe nove meses no seio, que te amamentou durante três anos, que te nutriu, te conduziu e te educou até esta idade.
Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra; reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada, assim como todos os homens.
Não temas, pois, este algoz, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que no dia da misericórdia eu te encontre no meio deles”.
Logo que ela acabou de falar, o jovem disse: “Que estais a esperar? Não atenderei às ordens do rei; eu obedeço àquele que deu a lei a nossos pais por intermédio de Moisés.
Mas tu, que és o inventor dessa perseguição contra os judeus, não escaparás à mão de Deus”.
Palavra do Senhor.

Salmo – 16

Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor!

Ó Senhor, ouvi a minha justa causa,
escutai-me e atende o meu clamor!
Inclinai o vosso ouvido à minha prece,
pois não este falsidade nos meus lábios!

Os meus passos eu firmei na vossa estrada,
e por isso os meus pés não vacilaram.
eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,
inclinai o vosso ouvido e escutai-me.

Protegei-me qual dos olhos a pupila
e guardai-me á proteção de vossas asas.
E verei, justificado, a vossa face,
e, ao despertar, me saciará vossa presença.

Evangelho (Lucas 19,11-28)

Porque tu não depositaste meu dinheiro no banco?

Como Jesus estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola:
Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.
Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.
Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós.
Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.
Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas.
Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades.
Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas.
Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades.
Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei…
Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros.
E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.
Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!…
Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.
Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.
Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
Palavra da Salvação.

 

A ENTRONIZAÇÃO REAL

A parábola evangélica tem como pano de fundo um fato histórico. Arquelau, um dos filhos de Herodes, tinha viajado para Roma com o intuito de pedir ao imperador César Augusto para confirmá-lo no trono, com o título de rei. Arquelau era perverso como seu pai, por isso o povo judeu o odiava. Foi por esta razão que uma delegação judia seguiu também para Roma para se opor, diante do imperador, contra a nomeação. A questão foi contornada pela autoridade romana que concedeu a Arquelau apenas o título de tetrarca. Desconhece-se qual terá sido sua reação ao voltar. Contudo, a ordem do rei mandando trucidar seus inimigos na presença dele, pode revelar a ira contra seus opositores. Pouco tempo depois, foi destituído do cargo.

A parábola oferece pistas para compreender o que está para acontecer com Jesus. Ele é quem está para ser investido rei pelo Pai. Isto exigirá dele passar, antes, pela morte e, depois, ressuscitar. O tempo de sua ausência é oferecido aos discípulos como oportunidade para fazerem frutificar os donos recebidos de Deus. Os sensatos e responsáveis irão, logo, fazê-los multiplicar. Os medrosos permanecerão bloqueados, e seus dons estarão fadados à esterilidade. Além disso, os inimigos de Jesus, contrários à sua condição de Messias, iriam perseguir a comunidade dos discípulos.

Todavia, ao voltar, revestido do poder real para realizar o juízo, o Mestre retribuirá a cada um conforme se tiver comportado. A prudência aconselha, pois, o caminho da fidelidade ao Messias Jesus.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Pai, faze de mim um discípulo fiel de Jesus a quem deverei prestar contas do bom uso dos dons que me concedeu. Que eu seja prudente no meu agir.

 

Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)

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APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA

Oração do dia

Ao celebrarmos, ó Deus, a gloriosa memória da santa virgem Maria, concedei-nos, por sua intercessão, participar da plenitude da vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Zacarias 2,14-17)

Leitura da profecia de Zacarias
Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti – oráculo do Senhor.
Naquele dia se achegarão muitas nações ao Senhor, e se tornarão o meu povo: habitarei no meio de ti, e saberás que fui enviado a ti pelo Senhor dos exércitos.
O Senhor possuirá Judá como seu domínio, e Jerusalém será de novo (sua cidade) escolhida.
Toda criatura esteja em silêncio diante do Senhor: ei-lo que surge de sua santa morada.
Palavra do Senhor.

Salmo – Lc 1

O Poderoso fez por mim maravilhas
e santo é o seu nome.

A minha alma engrandece o Senhor,
e se alegrou o meu espírito em Deus, meu salvador.

Pois ele viu a pequenez de sua serva,
desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
O Poderoso fez por mim maravilhas
e santo é o seu nome!

Seu amor, de geração em geração,
chega a todos os que o respeitam.
Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.

Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
De bens saciou os famintos
e despediu, em nada, os ricos.

Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
como havia prometido aos nossos pais
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.

Evangelho (Mateus 12,46-50)

E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse:
‘Eis minha mãe e meus irmãos.

Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.
Disse-lhe alguém: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te”.
Jesus respondeu-lhe: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”
E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
Palavra da Salvação.

A FAMÍLIA DE JESUS
O Reino de Deus, anunciado por Jesus, estabelece laços profundos entre aqueles que assumem seu projeto de vida. Estes laços fazem dos discípulos do Reino uma grande família, não unida pelos vínculos do sangue e, sim, pela submissão à vontade de Deus. A identidade dessa família se configura por um idêntico modo de proceder, fundado no amor e na prática da justiça. Por esse caminho, os discípulos se reconhecem como irmãos e irmãs, unidos para além de qualquer divergência, cultura ou raça. Essa fraternidade não é mera formalidade. Existe entre eles uma efetiva comunhão de vida. Onde as relações interpessoais não chegam a se expressar desta forma, é sinal de que aí o Reino ainda não aconteceu.
Esta dimensão do Reino foi expressa pelo próprio Jesus. Ele se recusou a privilegiar os laços sangüineos que o uniam à sua mãe e demais parentes. Esses laços pouco contavam. Doravante, o parentesco com Jesus haveria de se concretizar no cumprimento da vontade do Pai. Quem a cumpre, faz parte da família do Mestre. Quem prefere pautar sua vida por outros parâmetros, não tem parte com ele.
O critério estabelecido por Jesus possibilita a todo discípulo do Reino, em qualquer tempo e lugar, saber-se unido a ele como a um ser querido muito próximo. Por conseguinte, é sempre possível estabelecer laços com ele pela via da afetividade.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração
Senhor Jesus, que jamais eu perca de vista os laços profundos de afeto que me unem a ti.

 

“Omissão e indiferença, o grande pecado contra os pobres”.

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Cidade do Vaticano (RV) – A omissão é também o grande pecado contra os pobres. Esta assume um nome preciso: indiferença. É dizer: “Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade”. É também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Foi o que disse, incisivo, o Santo Padre na missa deste Domingo, 1º Dia Mundial dos Pobres, celebrada na Basílica de São Pedro com a participação de 4 mil pessoas entre pobres e necessitados, acompanhados por associações de voluntários provenientes não somente de Roma e da região do Lácio, mas também de várias dioceses do mundo.

Dia Mundial dos Pobres, sinal concreto do Ano Jubilar dedicado à misericórdia

Instituído pelo Papa Francisco na conclusão do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, este Dia quer ser sinal concreto do Ano Jubilar, que se celebra no XXXIII Domingo do Tempo Comum.

Tendo partido do Evangelho dominical, que nos traz a parábola dos talentos, o Pontífice afirmou-nos que somos destinatários dos talentos de Deus, “cada qual conforme a sua capacidade”. E Deus, aos olhos de Quem nenhum filho pode ser descartado, confia uma missão a cada um.

“Vemos, na parábola, que a cada servo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenas o que recebera”, recordou o Papa ilustrando a parábola contida na página do Evangelho pouco antes proclamado.

Em que o terceiro servo desagradou ao Senhor? – perguntou Francisco. “Diria, numa palavra (talvez caída um pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer o bem,” disse o Papa ressaltando que “muitas vezes também nos parece não ter feito nada de mal e com isso nos contentamos, presumindo que somos bons e justos”.

Não fazer nada de mal, não basta

“Assim, porém – continuou – corremos o risco de nos comportar como o servo mau: também ele não fez nada de mal, não estragou o talento, aliás, guardou-o bem na terra. Mas, não fazer nada de mal, não basta.”

“O servo mau, uma vez recebido o talento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora, não é fiel a Deus quem se preocupa apenas em conservar, em manter os tesouros do passado, mas, como diz a parábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente ‘fiel’, porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa”, explicou Francisco.

“E a omissão é também o grande pecado contra os pobres. Aqui assume um nome preciso: indiferença. Esta é dizer: ‘Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade’. É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo que um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem.”

Como podemos então, concretamente, agradar a Deus? – perguntou novamente Francisco.

Quando se quer agradar a uma pessoa querida, por exemplo dando-lhe uma prenda, lembrou o Papa, “é preciso primeiro conhecer os seus gostos, para evitar que a prenda seja mais do agrado de quem a dá do que da pessoa que a recebe”.

Os gostos do Senhor encontramo-los no Evangelho

Quando queremos oferecer algo ao Senhor, os seus gostos encontramo-los no Evangelho. Logo a seguir ao texto que ouvimos, Ele diz: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40), prosseguiu.

“Estes irmãos mais pequeninos, seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’ (Mt 26, 26).”

“No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar”, acrescentou.

Verdadeira fortaleza: mãos operosas e estendidas aos pobres

“Deus tem em grande apreço, Ele aprecia o comportamento que ouvimos na primeira Leitura: o da ‘mulher forte’ que ‘estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente’. Esta é a verdadeira fortaleza: não punhos cerrados e braços cruzados, mas mãos operosas e estendidas aos pobres, à carne ferida do Senhor”, disse ainda.

Nos pobres manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre, lembrou o Santo Padre.

“Por isso neles, na sua fragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaporte para o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.”

O que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo

E isso nos fará bem: aproximar-nos de quem é mais pobre do que nós, tocará a nossa vida. Lembrar-nos-á aquilo que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo. Só isto dura para sempre, tudo o resto passa; por isso, o que investimos em amor permanece, o resto desaparece.

“Hoje podemos perguntar-nos: ‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoa para si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”, concluiu o Pontífice.

Ao término da missa, 1.500 pobres e necessitados foram acolhidos na Sala Paulo VI, no Vaticano, para almoçar com o Papa Francisco. (RL)

 

O que queres que eu faça por ti? Senhor, eu quero enxergar de novo.

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XXXIII SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (1 Macabeus 1,10-15.41-43.54-57.62-64)

Uma cólera terrível se abateu sobre Israel.
Puseram todos o diadema depois de sua morte, e, após eles, seus filhos durante muitos anos; e males em quantidade multiplicaram-se sobre a terra.
Desses reis originou-se uma raiz de pecado: Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que havia estado em Roma, como refém, e que reinou no ano cento e trinta e sete do reino dos gregos.
Nessa época saíram também de Israel uns filhos perversos que seduziram a muitos outros, dizendo: “Vamos e façamos alianças com os povos que nos cercam, porque, desde que nós nos separamos deles, caímos em infortúnios sem conta”.
Semelhante linguagem pareceu-lhes boa,
e houve entre o povo quem se apressasse a ir ter com o rei, o qual concedeu a licença de adotarem os costumes pagãos.
Edificaram em Jerusalém um ginásio como os gentios, dissimularam os sinais da circuncisão, afastaram-se da aliança com Deus, para se unirem aos estrangeiros e venderam-se ao pecado.
Então o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único povo e
que abandonassem suas leis particulares. Todos os gentios se conformaram com essa ordem do rei, e
muitos de Israel adotaram a sua religião, sacrificando aos ídolos e violando o sábado.
No dia quinze do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e cinco, edificaram a abominação da desolação por sobre o altar e construíram altares em todas as cidades circunvizinhas de Judá.
Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas,
rasgavam e queimavam todos os livros da lei que achavam;
em toda parte, todo aquele em poder do qual se achava um livro do testamento, ou todo aquele que mostrasse gosto pela lei, morreria por ordem do rei.
Numerosos foram os israelitas que tomaram a firme resolução de não comer nada que fosse impuro, e preferiram a morte antes que se manchar com alimentos;
não quiseram violar a santa lei e foram trucidados.
Caiu assim sobre Israel uma imensa cólera.
Palavra do Senhor.

Salmo – 118

Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!


Apodera-se de mim a indignação,
vendo que os ímpios abandonam vossa lei.

Mesmo que os ímpios me amarem com seus laços,
nem assim hei de esquecer a vossa lei.

Libertai-me da opressão e da calúnia,
para que eu possa observar vossos preceitos!

Meus opressores se aproximam com maldade;
como estão longe, ó Senhor, de vossa lei!

como estão longe de salvar-se os pecadores,
pois não procuram, ó Senhor, vossa vontade!

Quando vejo os renegados, sinto nojo,
porque foram infiéis à vossa lei.

Evangelho (Lucas 18,35-43)

 
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).
 
Ao aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmolas.
Ouvindo o ruído da multidão que passava, perguntou o que havia.
Responderam-lhe: “É Jesus de Nazaré, que passa”.
Ele então exclamou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”
Os que vinham na frente repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava ainda mais forte: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”
Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe:
“Que queres que te faça?” Respondeu ele: “Senhor, que eu veja”.
Jesus lhe disse: “Vê! Tua fé te salvou”.
E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus.
Palavra da Salvação.

O CEGO DE JERICÓ

O homem cego, sentado à beira do caminho para Jericó, padecia de cegueira física, não, porém, de cegueira espiritual. Seu interesse em saber quem estava passando era mais que simples curiosidade. Deu mostras de intuir estar passando exatamente a pessoa com quem queria se encontrar: Jesus de Nazaré.
Por isso, quando lhe deram a notícia desejada, pôs-se a gritar freneticamente, sem se importar com quem o intimava a se calar. Quanto mais se esforçavam para reduzi-lo ao silêncio, tanto mais alto gritava. Afinal, não podia deixar escapar a chance, há tanto tempo esperada.
Mais uma vez, Jesus mostrou-se solidário com os pobres e os marginalizados dos quais o cego era um bom exemplo. Os gritos lancinantes chegaram não só aos seus ouvidos, mas principalmente ao seu coração. E se fez todo ouvido aos apelos do homem desejoso de cura.
O desejo do cego – ver – recebeu dupla resposta. Por um lado, o homem viu-se curado da deficiência física, tendo recuperado a visão. Por outro, abriram-se-lhe também os olhos da fé. Daí a constatação de Jesus: “A tua fé te salvou!” E como manifestação disto, o ex-cego tornou-se seguidor de Jesus, louvando a Deus pelas maravilhas operadas em seu favor. Levou, igualmente, a multidão a dar glória a Deus.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Pai, infunde em mim uma fé profunda como a do pobre cego, cujo desejo de ser curado por Jesus levou-o a se abrir para a verdadeira visão que leva à salvação.

 

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor; quem em mim permanece, esse dá muito fruto (Jo 15,4s).

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XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Provérbios 31,10-13.19-20.30-31) Com habilidade trabalham as suas mãos.

Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor.
Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma.
Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida.
Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre.
Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso.
Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente.
A graça é falaz e a beleza é vã; a mulher inteligente é a que se deve louvar.
Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.
Palavra do Senhor.

 

Feliz és tu se temes o Senhor
E trilhas seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
Serás feliz, tudo irá bem!

A tua esposa é uma videira bem fecunda
No coração da tua casa;
Os teus filhos são rebentos de oliveira
Ao redor de tua mesa.

Será assim abençoado todo homem
Que teme o Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião,
Cada dia de tua vida.

Leitura (1 Tessalonicenses 5,1-6) Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos.
Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite.
Quando os homens disserem: “Paz e segurança!”, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão.
Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão.
Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.
Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios.
Palavra do Senhor.

Evangelho (Mateus 25,14-30 ou 14-15.19-21)

Como foste fiel na administração de tão
pouco, vem participar de minha alegria.

Jesus contou esta parábola: “será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.
A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.
Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco.
Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.
Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.
Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.
O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: ‘Senhor’, disse-lhe, ‘confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.’
Disse-lhe seu senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor’.
O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei’.
Disse-lhe seu senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor’.
Veio, por fim, o que recebeu só um talento: ‘Senhor’, disse-lhe, ‘sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence’.
Respondeu-lhe seu senhor: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.
Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.
Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.
Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.
E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”.
Palavra da Salvação.

O DISCÍPULO RESPONSÁVEL

A vida cristã exige do discípulo responsabilidade quanto aos dons recebidos de Deus. No fim da vida, ninguém escapará de prestar contas a ele que é a fonte de toda dádiva. A vida eterna dependerá do bom uso destes dons, frutos do amor misericordioso do Pai.

Os talentos não podem ficar ociosos, correndo o risco de se perderem. O discípulo responsável saberá como fazê-los frutificar o máximo possível. Já o irresponsável e pusilânime fica bloqueado pelo medo. Resultado: por ocasião do encontro com Deus, apresentar-se-á de mãos vazias.

Em termos do Reino, só existe uma maneira de fazer multiplicar os dons: colocá-los, generosa e gratuitamente, a serviço do próximo. Quanto mais o discípulo, movido pelo espírito de serviço, empregar seus talentos para ajudar o próximo em necessidade, tanto mais estará atraindo sobre si as bênçãos divinas. O desprendimento de si mesmo, em benefício do outro, é sinal de que o amor do Pai está fecundando o seu coração, de modo a fazê-lo ter sempre mais amor para dar.

A atitude medrosa de quem conserva para si os talentos recebidos, quiçá desfrutando deles apenas para proveito próprio, revelar-se-á desastrosa, quando do encontro definitivo com o Pai. Fechado para o amor, o medroso põe a perder as chances que lhe são oferecidas para multiplicar seus talentos. Dai merecer uma terrível censura por parte de Deus.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Pai, transforma-me em discípulo responsável que sabe aproveitar cada circunstância para fazer frutificar os dons que me concedes, colocando-os a serviço do meu próximo.

 

ORAR SEM DESANIMAR.

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XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Sabedoria 18,14-16; 19,6-9)

O mar Vermelho tornou-se caminho desimpedido
por onde passaram como cordeiros saltando de alegria.

Porque, quando um profundo silêncio envolvia todas as coisas, e a noite chegava ao meio de seu curso,
vossa palavra todo-poderosa desceu dos céus e do trono real, e, qual um implacável guerreiro, arremessou-se sobre a terra condenada à ruína.
De pé, ela tudo encheu de morte, e, pisando a terra, tocava os céus.
É que toda a criação, obedecendo às vossas ordens, foi remodelada em sua natureza, para que vossos filhos fossem conservados ilesos.
Foi vista uma nuvem cobrir o acampamento, e a terra seca surgir do que tinha sido água, um caminho viável formar-se no mar Vermelho, e um campo verdejante emergir das ondas impetuosas.
Por aí passou toda ela, a nação dos que vossa mão protegia, e que viram singulares prodígios.
Iam como cavalos conduzidos à pastagem, e saltavam como cordeiros, glorificando-vos a vós, Senhor, seu libertador.
Palavra do Senhor.

Salmo – 104

Lembrai-vos sempre as maravilhas do Senhor!

Cantai, entoai salmos para ele,
publicai todas as suas maravilhas!
Gloriai-vos em seu nome que é santo,
exulte o coração que busca a Deus!

Matou na própria terra os primogênitos,
a fina flor de sua força varonil.
Fez sair com ouro e prato o povo eleito,
nenhum doente se encontrava em suas tribos.

Ele lembrou-se de seu santo juramento,
que fizera a Abraão, seu servidor.
Fez sair com grande júbilo o seu povo,
e seus eleitos, entre gritos de alegria.

Evangelho (Lucas 18,1-8)

 
Pelo evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,14).
 
Naquele tempo, Jesus propôs aos seus discípulos uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.
“Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma.
Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’.
Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: ‘Eu não temo a Deus nem respeito os homens;
todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar’”.
Prosseguiu o Senhor: “Ouvis o que diz este juiz injusto?
Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?
Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?”
Palavra da Salvação.

 

ORAR SEM DESANIMAR

Jesus serviu-se de um fato da vida cotidiana para recomendar aos discípulos a rezar sem desanimar, e manter firme a esperança de serem atendidos por Deus.
Uma pobre viúva, não tendo como fazer valer seus direitos, recorreu a um juiz, cuja fama era de não ser temente a Deus, nem ter respeito pelas pessoas. Por ser mulher, pobre e viúva, ela estava em total desvantagem. Sendo mulher, não tinha nenhum prestígio, numa sociedade onde só o homem tinha valor. Sendo pobre, carecia de recursos materiais para se confrontar com o explorador. Sendo viúva, não tinha amparo social. Sem dinheiro, só podia contar com a honestidade dos juízes. Ela, porém, não se deu por vencida. Enfrentou a situação, com garra e determinação, até que o juiz fizesse valer o seu direito. Sua vitória foi fruto da perseverança.
Diante disso, os discípulos foram instados a recorrer, com perseverança a Deus, justo juiz, na certeza de serem atendidos. Se um juiz iníquo, sem fé e sem lei, foi demovido de sua insensibilidade por causa da insistência de uma pobre viúva, de quanto mais será capaz o discípulo que pede, sem desfalecer, ao Pai de misericórdia!
Todavia, é preciso ter uma fé inabalável. Existia, realmente, no coração dos discípulos, uma fé assim?

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, dá-me uma fé firme, que me leve a rezar sempre, na certeza de ser atendido pela misericórdia do Pai.

 

“Pensar na morte faz bem, será o encontro com o Senhor”

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Cidade do Vaticano (RV) – Refletir sobre o fim do mundo e também sobre o fim de cada um de nós: é o convite que a Igreja nos faz através do trecho evangélico de Lucas, comentado pelo Papa na homilia da missa matutina, na Casa Santa Marta.

O trecho narra a vida normal dos homens e mulheres antes do dilúvio universal e nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, se casavam… mas depois, como um trovão, chega o dia da manifestação do Filho do homem… e as coisas mudam.

A Igreja, que é mãe – diz o Papa na homilia – quer que cada um de nós pense em sua própria morte. Todos nós estamos acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos de descanso… e pensamos que será sempre assim. Mas um dia, prossegue Francisco, Jesus chamará e nos dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamado será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença; não sabemos.

No entanto, repete o Papa, “O chamado virá!”. E será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, “a Igreja nestes dias nos diz: pare um pouco, pare e pense na morte”. O Papa Francisco descreve o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério se torna um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explica o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, podemos pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando vamos ao médico.

Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: “Vem, vem, abençoado do meu Pai, vem comigo”.

E ao chamado do Senhor não haverá mais tempo para resolver nossas coisas. Francisco relata o que um sacerdote lhe disse recentemente:

“Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem … Ele foi ao médico que lhe disse: “Mas olhe – isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim”. “Muito bom aquele médico”.

Assim também nós, exorta o Papa, vamos nos fazer acompanhar nesta estrada, façamos de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”. (CM-SP)

Seminário ‘Laudato si’ reúne Igreja da Amazônia em Brasília.

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Brasília (RV) – A Rede Eclesial Pan-Amazônica realiza entre os dias 17 e 19 de novembro o Seminário Geral Laudato Si. Representantes dos 16 Seminários realizados em todos os Regionais da CNBB da Amazônia Legal desde 2016 e convidados farão uma síntese dos trabalhos e será prospectado a caminho a seguir.

Dirigidos a estudantes, universitários/as, agentes de pastorais, autoridades e toda a sociedade civil, a intenção da REPAM foi despertar a responsabilidade em relação às atividades econômicas e sociais da região e às grandes questões ambientais da nossa Casa Comum.

Depois de tecer redes e estabelecer intercâmbios, este é o momento de um balanço, nos três dias de Seminário Geral.

A Irmã Irene Lopes é a assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia e da REPAM, e a principal articuladora dos Seminários, tendo participado de todos.  Ouça-a:

“O objetivo específico dos Seminários era tornar a REPAM conhecida para que em conjunto ela pudesse fortalecer as iniciativas socioambientais da Igreja e da sociedade civil na Amazônia, possibilitando um intercâmbio de saberes e caracterizando o trabalho em rede. Nós percebemos que ao longo destes dois anos em que nós fizemos estes Seminários isto aconteceu de fato. Percebemos também que com o fortalecimento da Rede na região, muitas situações foram sendo modificadas. Em vários Seminários, os participantes diziam: ‘A REPAM veio para unir as nossas pastorais, nossos movimentos, aquilo que já existe de vida na Amazônia’. Temos que agradecer a Deus pela oportunidade que tivemos neste tempo de estar presente na Amazônia de uma forma diferente. Pudemos estar frente a frente com as lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhos, quebradeiras de coco…. Temos muito o que oferecer com a Rede e muito também o que agradecer.

O Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da REPAM, está em Brasília participando do Seminário geral Laudato si. Confira aqui o seu convite: