Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)

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XXX SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 8,18-25) Toda a criação está esperando ansiosamente
o momento de se revelarem os filhos de Deus.


Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.
Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.
Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou),
todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia.
Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo.
Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?
Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos.
Palavra do Senhor.

Salmo – 125

Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!

Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,
parecíamos sonhar;
encheu-se de sorriso nossa boca,
nossos lábios, de canções.

Entre os gentios se dizia: “Maravilhas
fez com eles o Senhor!”
Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!

Mudai a nossa sorte, ó Senhor,
como torrentes no deserto.
Os que lançam as sementes entre lágrimas
ceifarão com alegria.

Chorando de tristeza sairão,
espalhando suas sementes;
cantando de alegria voltarão,
carregando os seus feixes!

Evangelho (Lucas 13,18-21)

 

A semente cresce, torna-se uma grande árvore.

 

Naquele tempo, Jesus dizia ainda: “A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei?
É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta, e que cresceu até se fazer uma grande planta e as aves do céu vieram fazer ninhos nos seus ramos”.
Disse ainda: “A que direi que é semelhante o Reino de Deus?
É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha e toda a massa ficou levedada”.
Palavra da Salvação.

O CONTRASTE ENTRE O INÍCIO E O FIM

A caminho de Jerusalém, Jesus conta duas pequenas parábolas, para dispor os discípulos para a experiência que haveriam de fazer. Nelas se estabelece o contraste entre o início do Reino, na humildade e na perda, e seu fim grandioso. Só quem foi alertado para esta dinâmica divina será capaz de superar o desânimo e a decepção do momento.

A semente de mostarda era símbolo de pequenez. Todavia, esse grão minúsculo, lançado na terra, germina e se torna um arbusto de até três metros, permitindo às aves pousar em seus ramos.

Também a pitadinha de fermento, ao ser colocada numa quantidade excepcional de farinha (três medidas) ou seja, cerca de 50 quilos, era suficiente para fermentá-la e torná-la apta para a fabricação do pão.

Com o Reino dá-se algo semelhante. É preciso esperar com confiança. Seu projeto iniciado com um punhado de pessoas sem projeção social, tidas como estranhas para os esquemas religiosos da época, e sem muitas perspectivas, era como o grão de mostarda e o fermento. Pequenos e frágeis, mas destinados a um fim grandioso. Por trás desta dinâmica, estava o dedo de Deus. Ele é que capacitaria este grupo inexpressivo para se tornar mediação de propagação do Reino, de modo a fermentar toda a história humana.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Espírito de esperança em Deus, ensina-me a perceber a ação divina fermentando a história humana por meio de pessoas frágeis e humildes.

 

Papa: ser bom pastor é ter a capacidade de se comover.

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Em sua homilia,  Francisco comentou o episódio narrado por Lucas no Evangelho do dia, da cura da mulher encurvada.

Na sinagoga, no sábado, Jesus encontra uma mulher que não conseguia endireitar-se, “uma doença na coluna que há anos a obrigava a viver assim”, explicou o Papa. E o evangelista usa cinco verbos para descrever o que faz Jesus: a viu, a chamou, lhe falou, impôs as mãos sobre ela e a curou.

Cinco verbos de proximidade, destacou Francisco, porque “um bom pastor está próximo, sempre”. Na parábola do bom pastor, ele está próximo da ovelha perdida, deixa as outras e vai procurá-la. Não pode ficar distante do seu povo.

Ao contrário, os clérigos, doutores da Lei, fariseus,  saduceus, os ilustres viviam separados do povo, repreendendo-o continuamente. Eles não eram bons pastores, esclareceu o Papa, estavam fechados no próprio grupo e não se interessavam pelo povo. “Talvez estivessem preocupados, quando acabava o serviço religioso, em controlar quanto dinheiro havia nas ofertas”. Mas não estavam próximos às pessoas.

Jesus, ao contrário, é próximo, e a sua proximidade vem daquilo que Cristo sente no coração: “Jesus se comoveu”, diz outro trecho do Evangelho.

Por isso, Jesus sempre estava ali com as pessoas descartadas por aquele grupinho clerical: estavam ali os pobres, os doentes, os pecadores e os leprosos; estavam todos ali, porque Jesus tinha essa capacidade de se comover diante da doença, era um bom pastor. Um bom pastor que se aproxima e tem a capacidade de se comover. Eu diria que a terceira característica de um bom pastor é a de não se envergonhar da carne, tocar a carne ferida, como fez Jesus com esta mulher: tocou, impôs as mãos, tocou os leprosos, tocou os pecadores.”

“Um bom pastor”, prosseguiu o Papa, “não diz: sim, está bom. Sim, sim estou próximo a você no Espírito. Isso é distância. Mas faz o que Deus Pai fez, aproximar-se, por compaixão, por misericórdia, à carne de seu Filho”.

O grande pastor, o Pai, nos ensinou como faz um bom pastor: abaixou-se, esvaziou-se a si mesmo, aniquilou-se e assumiu a condição de servo.

“Mas, esses outros, aqueles que seguem o caminho do clericalismo, aproximam-se de quem?” Aproximam-se sempre ao poder de turno ou ao dinheiro. São pastores maus. Eles pensam apenas como subir no poder, ser amigos do poder, negociam tudo ou pensam nos bolsos. Estes são hipócritas, capazes de tudo. O povo não tem importância para essas pessoas. Quando Jesus lhes diz aquele adjetivo que utiliza muitas vezes com eles, hipócritas, eles se ofendem: Mas nós, não, nós seguimos a lei”.

Quando o povo de Deus vê que os maus pastores são espancados, fica feliz, recorda Francisco, e isso é um pecado, sim, mas eles sofreram tanto que “gostam” um pouco disso.

Mas o bom pastor, enfatiza o Pontífice, é Jesus que vê, chama, fala, toca e cura. É o Pai que se faz no seu Filho carne, por compaixão:

“É uma graça para o povo de Deus ter bons pastores, pastores como Jesus, que não tem vergonha de tocar a carne ferida, que sabem que sobre isso – e não apenas eles, mas também todos nós – seremos julgados: estava com fome, estava na prisão, estava doente … Os critérios do protocolo final são os critérios da proximidade, os critérios dessa proximidade total, o tocar, o compartilhar a situação do povo de Deus. Não nos esqueçamos disso: o bom pastor está sempre perto das pessoas sempre, como Deus nosso Pai se aproximou de nós, em Jesus Cristo feito carne”. (BF-MJ-SP)

Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade! (Jo 17,17)

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XXX SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 8,12-17)

Recebestes um espírito de filhos adotivos,
no qual todos nós clamamos: Abá – ó Pai!


Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne.
De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis,
pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!
O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.
E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados.
Palavra do Senhor.

 

 

 

Salmo – 67

Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador! 

Eis que Deus se põe de pé, e os inimigos se dispersam!
Fogem longe de sua face os que odeiam o Senhor!
Mas os justos se alegram na presença do Senhor,
rejubilam satisfeitos e exultam de alegria!

Dos órfãos ele é pai e das viúvas protetor;
é assim o nosso Deus em sua santa habitação.
É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados,
quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura.

Bendito seja Deus, bendito seja, cada dia,
o Deus da nossa salvação, que carrega os nossos fardos!
Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador;
o Senhor, só o Senhor, nos poderá livrar da morte!

Evangelho (Lucas 13,10-17)

 
Esta filha de Abraão, não deveria ser
libertada dessa prisão, em dia de sábado?
 

Naquele tempo, estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado.
Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se.
Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: “Estás livre da tua doença”.
Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus.
Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: “São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado”.
“Hipócritas!”, disse-lhes o Senhor. “Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber?
Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?”
Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.
Palavra da Salvação.

LIVRE DA OPRESSÃO

A mulher doente, que Jesus encontrou numa sinagoga, em dia de sábado, era a imagem viva do ser humano oprimido. Ela vivia encurvada, sem poder erguer-se.

Toda doença, na mentalidade da época, era entendida como resultado da ação do Demônio sobre o ser humano. Portanto, a doença crônica desta mulher era interpretada como um enorme fardo imposto sobre ela por forças demoníacas.

A dupla opressão dessa criatura – mulher e doente – tocou a sensibilidade de Jesus, que tomou a iniciativa de curá-la, ou seja, libertá-la do poder do Demônio. Sem precisar ser  solicitado, Jesus a resgatou das garras de Satanás, assumiu suas dores e se pôs a seu lado, na luta contra o inimigo da natureza humana.

A reação espontânea da mulher mostrou como tinha entendido perfeitamente o que lhe acontecera. Dando glória a Deus pelo benefício recebido, ela reconheceu que o próprio Deus havia agido nela, por meio de Jesus. Por conseguinte, este era o Messias esperado, portador da salvação prometida. Finalmente, o ser humano via-se livre do poder do Mal.

A cura realizada por Jesus irritou o chefe da sinagoga. Esse valorizava tanto o repouso sabático a ponto de imaginar que, quem já sofria, há dezoito anos, de uma doença, podia esperar um pouco mais para ser curada. Bem outro foi o pensamento de Jesus!

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração

Senhor Jesus, liberta-me do jugo que o pecado me impôs. Desta forma, me verei livre do peso que me mantém encurvado, impedindo-me de caminhar ereto para junto de ti.

 

O DNJ não foi fundado para rezar, está claro, mas assusta; foi fundado para que os jovens de fé mostrassem aos jovens que não tiveram ainda a graça de encontrarem um sentido divino de viver, que a vida é bonita, sim. No jovem se devem encontrar Juventude e Missão, ouvindo aquele de Nazaré dizer: levante-se, seja fermento!

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CHEGANDO AOS 30, A VIDA AINDA COMEÇA

Pe. Hilário Dick, sj

– Aí cê me pede pra falar dos 30 anos do Dia Nacional da Juventude (DNJ)… Muitos anos, muitos caminhos, não acha? Quem já era nascido então? Se eu já tinha 48 anos, vocês nem na imaginação…

– Mas sim. Fale. Por quê? Quando? E outras coisas…

– Aí vamos. 1985, esta é uma data. A juventude incomodando de novo porque incomodara muito no Maio de 1968, 47 anos atrás, tempo do seu vô. O Brasil saindo da ditadura de mais de 20 anos; grandes mobilizações querendo participação do povo, juventude levantando a cabeça. E a ONU declara:

– 1985, Ano Internacional da Juventude!

A Globo (veja só quem…) investe num encontrão de milhões de jovens no Rio para cantar, dançar, fumar, ouvir estrangeiros, mas nada de discussão de jovens ou sobre juventude. Seria o Ano Internacional da Juventude… Os jovens da Pastoral da Juventude com milhares de grupos articulados (no meu Estado havia mais de 4 mil grupos articulados), olhando firme para o Brasil, decidem:

– Com todos estes grupos espalhados pelo Brasil, nós é que vamos celebrar o AIJ… E foi. E decidiram. Nas paróquias, dioceses, regionais; com cartazes, muitas camisetas, painéis de metros e mais metros (ai como me lembro!), cantos, temas, subsídios, teatros.

– Temas?

– Sociedade nova (1985), terra, índio (1988), ecologia (1992), educação (1989), trabalho, AIDS (1993), tudo na reza, tudo com as mãos na realidade e não só no peito fazendo sinais da cruz… “Quero ver o novo no poder” (1996) – “Nas asas da esperança gestamos a mudança” (1998) – “Políticas Públicas para a Juventude” (2001 a 2006) – “Contra o extermínio da juventude, na luta pela vida” (2009), tanta coisa… E não era de brincar.

– Muito jovem?

– Muito. Difícil de contar. Em São Paulo, no Maranhão, nas Amazonas, no Paraná, mais de 20 mil em Timbó, mais de 40 mil em Passo Fundo, mais de 50 mil em Santa Cruz, em tantos lugares, em tudo que é canto… Jesus! Que beleza.

– Verdade? Exagero…

– Exagero, nada. Pergunte os que estavam, antes que fiquem velhos e velhas demais, os que contavam os ônibus, os que viam a massa naqueles campos de futebol, os que estavam nas curvas desejando boas vindas, naquelas praças, naquela oktoberfest lotada, naqueles espaços enormes com bandeiras, barracas enormes. Era jovem de todo canto com suas alegrias e cantorias.

– E bispos?

Sempre alguns. Poucos, porque tinham muito trabalho. Alguns vibrando, outros meio desconfiados. Padres? Bem mais. Bonito ver as celebrações com cantorias de arrepiar, com tudo de direito. E não era só “viva Jesus” nem só “santa marias”, era isso e era grito de sonhos, de lutas, de direitos, de reclamações. Era reza com mãos na terra, olhando para os sonhos.

– E isso foi indo?

– Foi indo e mais indo e ao pé de certa figueira, aparecem algumas nuvens mais fortes. Ano muito forte foi o de 2007 onde aparece o melhor documento sobre a evangelização da juventude, mas também suas contradições. Quantos bispos leram este documento? Parece que só fala de Setor e o resto não interessa. Aí vem alguma tristura também para o que devia ser e era o DNJ porque, por vezes, as igrejas e autoridades têm medo destas coisas de juventude reclamando pelo direito de ser. E eles, com poder, sem muitas perguntas, foram proibindo, dificultando aos poucos, impondo, querendo coisas mais “piedosas”. Ainda falam de protagonismo, mas lá por trás ficam tomando conta do lugar do jovem porque é preciso ortodoxia, é preciso cuidado, não se pode incomodar os “endinheirados” e outros pensamentos que nem se dizem alto…

– Falar mais de Jesus?

– Sim, de um jeito que não é bem o de Nazaré, mas falar de Jesus. Acham bonito que haja aleluias, choros, esquecimento das nuvens escuras do social, muita dança, muito abraço deixando para os cantos os compromissos com as raças, os exterminados, as negritudes, as pobrezas e os que se amontoam nas periferias. Na questão de gênero, nem pensar. E o ano de 1989, ano da queda do Muro de Berlim e da superação de alguns medos morais, já passara.

– Certa tristezinha, né?

– Certa, sim. A falta de profecia, de pegar os problemas sociais nas mãos, fazendo com que não se vejam as infelicidades, as violências, as corrupções não só de uns, também das igrejas, as crueldades com a mulher, os meninos e meninas em busca de sua identidade, a deixação de lado dos pobres, das roças, dos índios, dos que vivem de desejar. Dói. Dói ver que se tem raiva do pobre e de quem tem carinho com os preferidos de Deus.

– E a festa?

– Pois, pois. Aprendemos que a vida, também a vida da história dos 30 anos do DNJ, que a vida é uma sopa de misturança de alegrias, esperanças, festas e choros, gritos, e lutas. O DNJ não foi fundado para rezar, está claro, mas assusta; foi fundado para que os jovens de fé mostrassem aos jovens que não tiveram ainda a graça de encontrarem um sentido divino de viver, que a vida é bonita, sim. No jovem se devem encontrar Juventude e Missão, ouvindo aquele de Nazaré dizer: levante-se, seja fermento! Mais ainda: aprender que fomos feitos para sermos livres, não escravos, nem submissos, nem dependentes, mas protagonistas, donos e donas de nossa caminhada.

– DNJ é isso?

– DNJ é caminhada, é concentração, é romaria nalgum lugar, é deixar a internet de lado por um tanto, é olhar para os lados e não ver só celular, com muito jovem, muita bandeira, muito canto, encenações, celebrações, diversas delegações com camisetas gritando coisas, com hinos, com bonés específicos, com coisas para vender, com visitas a serem feitas nos espaços, com grupos musicais e cantores cantando não só coisas de céu; é saber ser irmão e irmã e não exploradores/as de sentimentos, é palco, é grupo que anima e é muito jovem caminhando, cantando, ouvindo, todos girando em torno de uma sociedade que deve ser festa de todos, não dos mesmos.

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23).

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XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Oração do dia Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Êxodo 22,20-26) Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão
minha cólera se inflamará contra vós.

Aquele que oferecer sacrifícios a outros deuses fora do Senhor, será votado ao interdito.
Não maltratarás o estrangeiro e não o oprimirás, porque foste estrangeiro no Egito.
Não prejudicareis a viúva e o órfão.
Se os prejudicardes, eles clamarão a mim e eu os ouvirei;
minha cólera se inflamará e vos farei perecer pela espada; vossas mulheres ficarão viúvas e vossos filhos, órfãos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que está contigo, não lhe serás como um credor: não lhe exigirás juros.
Se tomares como penhor o manto de teu próximo, devolver-lho-ás antes do pôr-do-sol.
Palavra do Senhor.

Salmo-17
Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação. 

Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, 
Minha rocha, meu refúgio e salvador! 
Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, 
Minha força e poderosa salvação. 

Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, 
meu escudo e proteção: em vós espero! 
Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! 
E dos meus perseguidores serei salvo! 

Viva o Senhor! Bendito seja o meu rochedo! 
E louvado seja Deus, meu salvador! 
Concedeis ao vosso rei grandes vitórias 
E mostrais misericórdia ao vosso ungido.

Leitura (1 Tessalonicenses 1,5-10) Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses,
para servir a Deus esperando o seu Filho.


O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação.
E vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo,
de sorte que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.
Em verdade, partindo de vós, não só ressoou a palavra do Senhor pela Macedônia e Acaia, mas também se propagou a fama de vossa fé em Deus por toda parte, de maneira que não temos necessidade de dizer coisa alguma.
De fato, a nosso respeito, conta-se por toda parte qual foi o acolhimento que da vossa parte tivemos, e como abandonastes os ídolos e vos convertestes a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro,
e aguardardes dos céus seu Filho que Deus ressuscitou dos mortos, Jesus, que nos livra da ira iminente.
Palavra do Senhor.

Evangelho (Mateus 22,34-40)

Amarás o Senhor teu Deus, e ao
teu próximo como a ti mesmo.

Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se
e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”
Respondeu Jesus: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito’.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’.
Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas”.
Palavra da Salvação.

AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO


Jesus simplificou ao máximo as práticas religiosas, resumindo tudo no amor a Deus e ao próximo. Existe, porém, uma estreita correlação entre estes dois mandamentos do amor.

Amar a Deus consiste em deixá-lo ser o senhor absoluto de nossa existência, sem jamais subjugá-la ao capricho de nenhuma criatura. Este amor coloca o centro da vida humana fora dela mesma, de modo a manter a pessoa sempre aberta para a comunhão e a partilha. Aí não haverá lugar para o egoísmo, para a dominação do próximo, nem para o espírito de competição. O amor a Deus manterá a pessoa em estado contínuo de alerta diante dos apelos mundanos de busca desenfreada de prazer. Ela não se deixará enganar pela efemeridade das propostas do mundo.

O amor ao próximo decorre deste amor fundamental. A abertura amorosa para Deus leva a pessoa a defrontar-se com o próximo, a quem se sente impelida a amar com o mesmo empenho e interesse como ama a si mesma. Haverá, entretanto, uma sensibilidade particular em relação aos mais pobres e excluídos, por serem estes objeto de especial predileção por parte de Deus.

O amor a Deus purifica e prepara o coração humano para o amor ao próximo. Por sua vez, o verdadeiro amor ao próximo deveria  preparar o coração humano para o encontro com Deus. Esta é a religião querida por Jesus.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração


Senhor Jesus, faze-me compreender profundamente as exigências do amor a Deus e ao próximo, de modo a centrar minha vida no que é essencial.

 

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)

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XXIX SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 7,18-25)

Quem me libertará deste corpo de morte?


Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo.
Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero.
Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita.
Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal.
Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser.
Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros.
Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?…
Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!
Palavra do Senhor.

Salmo – 118

Ensinai-me a fazer vossa vontade!

Dai-me bom senso, retidão, sabedoria,
pois tenho fé nos vossos santos mandamentos!

Porque sois bom e realizais somente o bem,
ensinai-me a fazer vossa vontade!

Vosso amor seja m consolo para mim,
conforme a vosso servo prometestes.

Venha a mim o vosso amor e viverei,
porque tenho em vossa lei o meu prazer!

Eu jamais esquecerei vossos preceitos,
por meio deles conservais a minha vida.

Vinde salvar-me, ó Senhor, eu vos pertenço!
Porque sempre procurei vossa vontade.

Evangelho (Lucas 12,54-59)

Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu.
Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?

Naquele tempo, Jesus ainda dizia ao povo: “Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Aí vem chuva’. E assim sucede.
Quando vedes soprar o vento do sul, dizeis: ‘Haverá calor’. E assim acontece.
Hipócritas! Sabeis distinguir os aspectos do céu e da terra; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente?
Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo?
Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão.
Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”.
Palavra da Salvação.

O DISCERNIMENTO URGENTE

A sabedoria cristã aconselha os discípulos do Reino a se colocarem numa situação de discernimento urgente e contínuo. E mais: a tirar dele conseqüências práticas.

Certo de que o Senhor vem, o cristão jamais se deixará levar pela loucura de entregar-se a um projeto de vida mundano, que lhe oferece prazeres efêmeros. Antes, será perseverante no caminho do amor, seguro do fim que lhe espera.

A exigência de discernimento indica que o Senhor não aceitará falsas desculpas de quem for excluído do Reino. Quem não se decide seriamente, não terá como se justificar diante do Senhor. É sempre possível saber o que é justo e corresponde ao projeto do Reino. Basta que o cristão, com a graça de Deus, se empenhe.

A parábola da reconciliação, antes do processo, alude à urgência do discernimento e da decisão. Se não se chega a um acordo, enquanto os adversários estão a caminho do tribunal, o culpado será punido na certa. O bom senso recomenda não perder a chance.O discípulo de Jesus vê-se como se estivesse sempre diante da última oportunidade de aderir integralmente ao Reino e conformar sua vida com ele. Adiar esta decisão pode ser fatal. O tempo urge e o cristão não pode se dar ao luxo de agir como se tivesse um longo tempo pela frente. A prudência recomenda decidir-se já.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração 

Senhor Jesus, faze-me viver consciente de que urge entregar-me integralmente ao Reino e conformar minha vida com ele.

 

Eu tudo considero como perda e como lixo a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8s)

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XXIX SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 6,19-23) Agora libertados do pecado, sois como escravos de Deus.


Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade.
Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça.
Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos envergonhais. O fim deles é a morte.
Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna.
Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo – 1
É feliz quem a Deus se confia!

Feliz é todo aquele que não anda
conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
mas encontra seu prazer na lei de Deus
e medita, dia e noite, sem cessar.

Eis que ele é semelhante a uma árvore
que à beira da torrente está plantada;
ela sempre dá seus frutos a seu tempo
e jamais as suas folhas vão murchar.
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

Mas bem outra é a sorte dos perversos.
Ao contrário, são iguais à palha seca
espalhada e dispersada pelo vento.

Evangelho (Lucas 12,49-53)

 
Não vim trazer a paz mas a divisão.
Naquele tempo, disse Jesus: “Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?
Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra!
Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação.
Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três;
estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”.
Palavra da Salvação.

 

 

A CISÃO DO REINO

O Reino anunciado por Jesus criou rupturas no seio da humanidade. Pode parecer estranho, considerando que pretendia ser um Reino de paz. Entretanto, Jesus afirmou não ter vindo trazer paz à Terra, e sim,  a divisão.

Como se explica a ruptura causada pelo Reino? Ele consiste numa proposta de Jesus  à humanidade. Sendo proposta, pode ser acolhido ou rejeitado. Rejeitar o Reino significa optar pelos valores que lhe são contrários.

Assim se estabelece uma dupla polaridade de ação. De um lado, coloca-se quem acredita no amor, na justiça e no perdão. De outro, posiciona-se quem se entrega ao egoísmo, à injustiça e à violência. Não existe conciliação possível entre estes dois projetos de vida. É ingênuo e inútil pretender juntá-los a qualquer custo, pois são inconciliáveis.Pode acontecer que, numa mesma família, o pai faça sua opção pelo Reino e o filho não, a mãe sim e a filha não, a sogra sim e a nora não, ou vice-versa. Assim, se estabelece uma divisão irremediável dentro da família, por causa do Reino. Este não une, ao contrário, desune. Não pode acontecer, porém, que o pai pactue com a maldade do filho, ou a mãe ceda ao egoísmo da filha e, ainda, a sogra concorde com a injustiça da nora, ou vice-versa, só para não desagradar. As exigências do Reino colocam-se acima dos laços familiares.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração 

Senhor Jesus, que eu saiba colocar o Reino e suas exigências acima do afeto familiar, de modo a não pactuar com nada que se lhe oponha.

 

 

Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir (Mt 24,42.44).

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SANTO ANTÔNIO GALVÃO PRESBÍTERO

Oração do dia Ó Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do santo Antônio de Santana Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, pó sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia.

Leitura (Romanos 6,12-18) Oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida.


Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites.
Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço.
O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça.
Então? Havemos de pecar, pelo fato de não estarmos sob a lei, mas sob a graça? De modo algum.
Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?
Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos.
E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça.
Palavra do Senhor.

Salmo – 123

Nosso auxílio está no nome do Senhor.

Se o Senhor não estivesse ao nosso lado,
que o diga Israel neste momento;
se o Senhor não estivesse ao nosso lado
quando os homens investiram contra nós,
com certeza nos teriam devorado
no furor de sua ira contra nós.

Então as águas nos teriam submergido,
a correnteza nos teria arrastado
e, então, por sobre nós teriam passado
essas águas sempre mais impetuosas.
Bendito seja o Senhor, que não deixou
cairmos como presa de seus dentes!

Nossa alma como um pássaro escapou
do laço que lhe armara o caçador;
o laço arrebentou-se de repente,
e assim nós conseguimos libertar-nos.
O nosso auxílio está no nome do Senhor,
do Senhor que fez o céu e fez a terra!

 

Evangelho (Lucas 12,39-48)

 
A quem muito foi dado, muito será pedido.
Naquele tempo, disse Jesus: “Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa.
Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem”.
Disse-lhe Pedro: “Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?”
O Senhor replicou: “Qual é o administrador sábio e fiel que o senhor estabelecerá sobre os seus operários para lhes dar a seu tempo a sua medida de trigo?
Feliz daquele servo que o senhor achar procedendo assim, quando vier!
Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os seus bens.
Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’, e começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar e na hora em que ele não pensar, e o despedirá e o mandará ao destino dos infiéis.
O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes.
Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir”.
Palavra da Salvação.

O SERVO PRUDENTE E FIEL

O discípulo do Reino não se deixa pegar de surpresa. Pelo contrário, ele se precavém e cuida para não deixar o pecado se apoderar de seu coração, indispondo-o a receber o Senhor. Sua atenção deve ser como a de um homem que guarda sua casa, sabendo a que horas virá o ladrão. O homem sábio protege sua propriedade e frustra a ação do arrombador. O ladrão não o pega desprevenido.

O cristão sabe apenas que o Senhor virá de maneira improvisa e não quer se deixar pegar de surpresa. Daí seu esforço para superar a preguiça e a indolência. Ele age sempre com prudência e fidelidade. A prudência leva-o a não perder de vista a exortação do Senhor que anunciou sua vinda como certa. A fidelidade mantém-no na via traçada pelo Senhor, porque sabe que é inútil optar por desvios ou falsas propostas de salvação. A prudência coloca diante dele o Reino e o que está reservado para quem se encontrar preparado, por ocasião da vinda do Senhor. A fidelidade convence-o de que vale a pena consagrar toda a vida ao Senhor e ao seu Reino.

Sobretudo, o cristão está convencido da responsabilidade que lhe foi confiada. Na ausência do Senhor, compete-lhe entregar-se, sem reserva, à construção do Reino. É arriscado não levar a sério esta missão. Bem-aventurado quem for encontrado fazendo o bem!

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração 


Senhor Jesus, reforça minha responsabilidade no serviço ao Reino, para eu ser encontrado fazendo o bem.

 

“Mergulhar no mistério de Cristo com o coração, não com palavras”.

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O mistério de Cristo foi o centro da homilia do Papa

A homilia do Pontífice teve como ponto de partida a Primeira Leitura extraída da Carta aos Romanos, na qual São Paulo usa contraposições – pecado, desobediência, graça e perdão – para que possamos compreender algo, mas sente que é “impotente” para explicar este mistério. Por detrás disso tudo, está a história da salvação, da criação, da queda e da redenção. São Paulo, portanto, nos leva a ver Cristo, e não tendo palavras suficientes para explicá-Lo, “nos impulsiona”, “nos empurra, para que caiamos no mistério” de Cristo, explica Francisco.

Essas contraposições, portanto, são somente passos no caminho para imergir-se no mistério de Cristo, que não é fácil de entender: é tão “superabundante”, “generoso”,  “inexplicável”, que não se pode entender com argumentações, porque estas levam até certo ponto. Para entender “quem é Jesus Cristo para você”, “para mim”, “para nós”, o Papa exorta, portanto, a imergir-se neste mistério.

Em outro trecho, São Paulo, olhando Jesus Cristo diz: “Amou-se e deu a si mesmo por mim”.  Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer por uma pessoa justa, mas somente Jesus Cristo quer dar a vida “por um pecador como eu”. Com essas palavras, São Paulo tenta nos introduzir no mistério de Cristo. Não é fácil, “é uma graça”. Isso foi compreendido não somente pelos santos canonizados, mas também por muitos santos “escondidos n avida cotidiana”, pessoas humildes que depositam unicamente a sua esperança no Senhor: entraram no mistério de Jesus Cristo crucificado, “que é uma loucura”, afirma Paulo.

O Papa evidencia que, quando vamos à missa, vamos rezar, sabemos que ele está na Palavra, que Jesus vem, mas isto não é suficiente para poder entrar no mistério:

“Entrar no mistério de Jesus Cristo é mais, é deixar-se ir naquele abismo de misericórdia onde não existem palavras: somente o abraço do amor. O amor que o levou à morte por nós. Quando nós vamos nos confessar porque pecamos – sim, devo tirar os pecados, digamos; ou “que Deus me perdoe os pecados” – vamos, contamos os pecados ao confessor e ficamos tranquilos e contentes. Se eu vou lá, vou encontrar Jesus Cristo, entrar no mistério de Jesus Cristo, entrar naquele abraço de perdão do qual fala Paulo; daquela gratuidade de perdão”.

À pergunta sobre “quem é Jesus Cristo para ti”, se poderia responder “o Filho de Deus”, se poderia recitar todo o Credo, todo o Catecismo e é verdade, mas se chegaria a um ponto em que não conseguiríamos dizer o centro do mistério de Jesus Cristo, que “me amou” e “entregou-se a si mesmo por mim”. “Entender o mistério de Jesus Cristo não é uma coisa de estudo” – observa o Papa – porque “Jesus Cristo é entendido somente por pura graça”.

É então assinalado um exercício de piedade que ajuda:  a Via-Sacra, que consiste em caminhar com Jesus no momento em que nos dá “o abraço de perdão e de paz”:

“É bonito fazer a Via-Sacra. Fazê-la em casa, pensando nos momentos da Paixão do Senhor. Também os grandes Santos aconselhavam sempre começar a vida espiritual com este encontro com o mistério de Jesus Crucificado. Santa Teresa aconselhava as suas monjas: para chegar à oração de contemplação, a elevada oração que ela tinha, começar com a meditação da Paixão do Senhor. A Cruz com Cristo. Cristo na Cruz. Começar a pensar. E assim, tentar entender com o coração, que ‘me amou e deu a si mesmo por mim’, ‘deu a si mesmo até a morte por mim’”.

Na primeira leitura, São Paulo quer justamente revelar o abismo do mistério de Cristo, reitera o Papa Francisco:

“’Eu sou um bom cristão, vou à Missa no domingo, faço obras de misericórdia, recito as orações, educo bem os meus filhos’: isto está muito bem. Mas a pergunta que faço: “Você faz tudo isto: mas entra no mistério de Jesus Cristo? Aquilo que você não pode controlar… Peçamos a São Paulo, verdadeira testemunha, alguém que encontrou Jesus Cristo e deixou-se encontrar por Ele e entrou no mistério de Jesus que nos amou, deu a si mesmo até à morte por nós, que nos fez justos diante de Deus, que perdoou todos os pecados, também as raízes do pecado: de entrar no mistério do Senhor”.

O convite conclusivo do Papa é justamente o de olhar para o crucifixo, “Cristo crucificado, centro da História, centro da minha vida”.

Vigiai e orai para ficardes de pé ante o Filho do Homem! (Lc 21,36)

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XXIX SEMANA DO TEMPO COMUM

Oração do dia Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Romanos 5,12.15.17-21)Se pela falta de um só homem, a morte começou a reinar,
muito mais reinará na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo,
os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça.


Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram…
Mas, com o dom gratuito, não se dá o mesmo que com a falta. Pois se a falta de um só causou a morte de todos os outros, com muito mais razão o dom de Deus e o benefício da graça obtida por um só homem, Jesus Cristo, foram concedidos copiosamente a todos.
Se pelo pecado de um só homem reinou a morte (por esse único homem), muito mais aqueles que receberam a abundância da graça e o dom da justiça reinarão na vida por um só, que é Jesus Cristo!
Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida.
Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos.
Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.
Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a graça reinaria pela justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo – 39
Eis que venho fazer, com prazer,
a vossa vontade, Senhor! 

Sacrifício e oblação não quisestes,
mas abristes, Senhor, meus ouvidos;
não pedistes ofertas nem vítimas,
holocaustos por nossos pecados,
e então eu vos disse: “Eis que venho!”

Sobre mim está escrito no livro:
“Com prazer faço a vossa vontade,
guardo em meu coração vossa lei!”

Boas novas de vossa justiça
anunciei numa grande assembléia;
vós sabeis: não fecheis os meus lábios!

Mas se alegre e em vós rejubile
todo ser que vos busca, Senhor!
Digam sempre: “É grande o Senhor!”
os que buscam em vós seu auxílio.

Evangelho (Lucas 12,35-38)
Felizes os empregados que o senhor
encontrar acordados quando chegar.


Disse Jesus: “Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.
Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á.
Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!”
Palavra da Salvação.

COM OS RINS CINGIDOS

A ordem de Jesus – “estejam com os rins cingidos” – deve ser entendida no contexto da concepção bíblica de ser humano.

Na Bíblia, os rins são considerados como a sede da consciência. Por isso, o salmista agradece a Deus que o aconselha, e, mesmo de noite, seus rins – sua consciência – o admoesta. Jeremias censura o povo que tem Deus perto da boca, mas longe dos rins. Quis dizer: Deus não tinha nenhuma importância para esse povo, na hora em que deveria tomar decisões importantes. Muitas vezes Deus é designado como aquele que examina os corações e os rins, e questiona o ser humano no mais profundo de sua existência. Quando alguém fazia algo de errado, era nos rins que devia sentir-se compungido.

Com o que o discípulo deve cingir os próprios rins? Com o projeto de Reino, proclamado por Jesus. Suas decisões devem firmar-se na misericórdia para com o próximo, na abertura de coração para perdoar e viver reconciliado, na solidariedade e na partilha. Cingindo-se desta maneira, o discípulo romperá o egoísmo e se voltará totalmente para Deus.

É a forma mais conveniente de preparar-se para o encontro com o Senhor. Quem agir assim, será considerado feliz, como o servo que permanece acordado, até o momento em que seu senhor retorna. O mesmo acontecerá com o discípulo cuja vida está centrada no amor: será acolhido e honrado pelo Senhor que vem!

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica

Oração


Pai, somente em ti quero centrar as minhas opções mais profundas, para não permitir que o egoísmo tome conta do meu coração e me afaste de ti.